
Capítulo 475
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
A sugestão casual de Baek Yu-Seol, "Por que não congelar todo o redemoinho?", na verdade não era tão absurda quanto parecia.
Afinal, não houve algo semelhante ao longo da costa de Levian? E aquele incidente nem foi obra direta dos poderes da Lua Inverno Azul, mas resultado de um artefato divino que ele espalhara.
Se a Lua Inverno Azul assim desejasse, poderia congelar todo este continente. Um mero incidente à beira-mar seria trivial em comparação.
No entanto, havia um problema.
— Você não é capaz disso.
Naturalmente, a Lua Inverno Azul não poderia manusear seus poderes de forma imprudente sem um recipiente adequado.
— É isso?
Baek Yu-Seol respondeu. Havia nele um tom de arrependimento, em vez de decepção.
— Eu tenho o Veinbreaker of the Five Shadows, não é?
— É verdade.
A condição de frio que o fazia sentir calafrios contínuos, e que deixava suas mãos e pés congelados, era um traço induzido artificialmente, acrescentado ao seu corpo pela Lua Inverno Azul.
Foi projetada unicamente para equilibrar o calor intenso de Hong Bi-Yeon, não oferecendo qualquer benefício tangível a Baek Yu-Seol.
— Aquilo foi algo que acrescentei ao seu corpo. Veinbreaker of the Five Shadows não consegue conter meu frio. Se você tivesse crescido um pouco mais, teria sido suficiente mesmo sem ele.
…
Em resumo, Baek Yu-Seol ainda era fraco demais para que isso funcionasse.
— A menos que você fosse amaldiçoado com algo tão monstruoso quanto o Veinbreaker of the Nine Suns, como aquela criança, Hong Bi-Yeon…
— Ainda assim, o fato de você considerar congelar o redemoinho como uma opção viável significa que é possível, certo?
— …É possível.
A Lua Inverno Azul assentiu lentamente antes de falar.
— Não através de você, mas através de Eisel Morph. Se for ela… é possível.
— ... O que?
Embora a ideia não fosse totalmente inesperada, Baek Yu-Seol ficou um pouco surpreso ao ouvir a Lua Inverno Azul mencionar o nome de Eisel de forma tão direta.
— Eisel tem uma maldição semelhante à de Hong Bi-Yeon?
— Não, ela não tem. Mas aquela criança é um ser abençoado por todo o gelo. Ao contrário de Hong Bi-Yeon, ela não precisa sofrer de uma maldição para poder aceitar as Doze Luas Divinas.
— Hmm…
Agora que ele pensou sobre isso, aquilo era verdade.
Tanto Hong Bi-Yeon quanto Eisel nasceram com bênçãos, mas suas circunstâncias diferiam um pouco.
Eisel nasceu com uma bênção celestial natural, enquanto Hong Bi-Yeon, apesar de possuir um talento incomparável, não possuía uma verdadeira bênção. Para compensar, sua mãe biológica lhe concedeu artificialmente um poder semelhante a uma bênção.
Provavelmente essas histórias de fundo divergentes surgiram devido à distinção entre 'protagonista' e 'vilã'.
— Sinceramente, pelos padrões do século XXI, a história de Hong Bi-Yeon parece mais a de uma protagonista, embora…
Baek Yu-Seol lembrou como protagonistas excessivamente poderosos já foram tendência, mas, quando o jogo estava falhando, protagonistas esforçados haviam se tornado mais populares. Com isso em mente, ele falou com a Lua Inverno Azul.
— Mas Eisel conseguirá lidar com o seu frio? Ela mal consegue usar magia de Classe 6 no momento.
— Não haverá problema, mas pode haver alguns efeitos colaterais. Ela sentirá calafrios bem piores do que você sente. Mesmo no meio do verão, ela sempre sentirá frio.
— …
A Lua Inverno Azul explicou de forma simples, mas Baek Yu-Seol, que já tinha experiência de primeira mão, compreendeu rapidamente o quão difícil seria. Manter as mãos e os pés frios o tempo todo já era difícil o bastante, mas sentir o frio constante o ano inteiro? Sem dúvida, tornaria o uso de magia de gelo uma experiência dolorosa.
— Mas... mesmo deixando de lado meus desejos pessoais, eu recomendaria fortemente trilhar esse caminho.
— Sério? Há uma razão específica?
— Tsc. Tsc. Você tem acumulado as bênçãos das Doze Luas Divinas só para si, então não entende o quão valioso isso é.
Lua Prata do Outono raspou a língua e interrompeu.
— As bênçãos das Doze Luas Divinas são um presente único na vida de um mago. Elas oferecem a oportunidade de elevar as habilidades mágicas de alguém em vários níveis.
— Ah, certo.
Baek Yu-Seol tinha esquecido completamente disso, já que as bênçãos não tinham sido particularmente eficazes para alguém como ele, cujo poder mágico era limitado.
— No entanto, o poder que um mago pode absorver depende da sua capacidade… mas no caso de Eisel Morph, ela pode até superar Morph, um dos Doze Discípulos do Mago Progenitor.
…
Baek Yu-Seol ponderou por um momento.
Para Eisel, isso seria sem dúvida uma oportunidade monumental.
A bênção das Doze Luas Divinas era um poder que não deveria ser aceito de forma impulsiva. Mesmo alguém como Florin, que recebeu a bênção da Lua Rosa da Primavera, tinha de viver em isolamento, escondendo o rosto por toda a vida.
Hong Bi-Yeon, também, vivia com o calor devastador que consumia o seu corpo.
Será que magos desejariam bênçãos assim o bastante para suportar a dor que elas trazem?
— Se for a Eisel, ela provavelmente aceitaria.
Para ela, o frio talvez nem seja problema.
Baek Yu-Seol lembrou dos primeiros anos de Eisel, tendo visto o prólogo de sua história. Depois de perder o pai, ela ficou sem-teto, perambulando pelas ruas.
Quando criança, Eisel suportou o frio do inverno em roupas esfarrapadas. Com um livro de magia roubado nas mãos, ela procurou refúgio em uma caverna gelada, estudando à luz de uma pequena fogueira.
Para alguém cujo corpo e coração já estavam mergulhados no frio, talvez o frio fosse seu companheiro mais próximo.
— Ainda assim, acho que preciso perguntar diretamente a ela.
— Isso seria o melhor.
Com a decisão tomada, não havia razão para hesitar mais. Baek Yu-Seol rapidamente se preparou para partir e discretamente tentou escapar da vila de Jeliel.
No entanto, como se esperasse por isso, Jeliel estava apoiada na porta da frente, banhada pela luz da lua da manhã, vestindo suas roupas de dormir.
— J-Jeliel…?
—
Os elfos costumam dormir com roupas tão finas? Essa pergunta passou pela cabeça dele, mas não pôde se concentrar nela. Ele nem sabia para onde mirar.
Quando Baek Yu-Seol desviou o olhar, Jeliel sorriu levemente e avançou lentamente em sua direção. Com a luz da lua por trás dela, a expressão ficou momentaneamente encoberta.
— Então, você planejava fugir discretamente. Baek Yu-Seol... você está sempre tão ocupado.
— Algo surgiu. Você provavelmente ouvirá sobre isso pelos seus contatos pela manhã.
— Não gosto disso.
— O que?
Jeliel virou a cabeça, deixando a lua iluminar seu perfil. O rosto dela parecia tão solitário que Baek Yu-Seol engoliu em seco.
— ...É tão urgente que você não pode nem me contar antes de partir?
— Uh… não. Não é isso… Eu ia deixar uma nota para você. Aqui.
Ele acenou com um pedaço de papel na mão, mas Jeliel nem olhou para ele. Ela não parecia acreditar que uma nota pudesse resolver alguma coisa.
Ela hesitou por um momento, como se quisesse dizer algo, antes de inclinar a cabeça levemente.
— Acho que não há o que fazer…
Dizendo isso, Jeliel retirou um pequeno dispositivo parecido com cristal e pressionou um botão.
— Saia pelo portão dos fundos. Preparei uma pequena aeronave de alta velocidade. Levará você aonde precisar ir rapidamente.
— O-que…?
— O piloto está esperando por você enquanto falamos.
Foi como se ela já tivesse previsto sua tentativa de partir.
— O que… Jeliel, não me diga que você já sabia o que está acontecendo no Mar Oriental?
Jeliel sorriu.
— Algo está acontecendo ali, hein? Eu não fazia ideia.
— Então como…?
Com um brilho nos olhos, ela respondeu com um sorriso brincalhão.
— Intuição feminina.
Com isso, ela bateu levemente no peito de Baek Yu-Seol com o dedo indicador e se afastou com graça.
Enquanto ela desaparecia na luz da lua, Baek Yu-Seol ficou ali, olhando fixamente para a silhueta que se afastava, até, por impulso, dar um tapa na própria bochecha.
— Droga… Quase perdi minha alma ali.
Era mesmo uma elfa?
Qualquer um suspeitaria que ela fosse uma súcubo. O charme que ela exalava deixava as pernas dele pesadas demais para deixar a vila.
Ele sacudiu a cabeça com força para clarear os pensamentos, tentando acalmar o coração. Se ela tivesse ficado mais um instante, talvez não tivesse conseguido sair.
— Preciso partir.
Haveria muitas chances de vê-la novamente no futuro. Não há motivo para se prender a este momento.
Correndo para o portão dos fundos, ele surgiu na entrada e encontrou uma pequena aeronave já ligando-se. Parecia que o sinal de Jeliel já tinha chegado ao piloto.
O piloto da elegante aeronave usava óculos de sol mesmo no início da manhã e chamou com entusiasmo.
— Oh, então você é o sortudo! O garoto que vai pilotar a nova aeronave de alta velocidade com a Hélice Mágica de Dupla Classe MK.39 pela primeira vez!
— O quê…?
— Apresse-se para entrar! Não sente a vibração empolgante do motor Turbo Passe Livre da Sorte?
— Uh… sim.
Ele parecia um pouco excêntrico, mas o amor dele pela aeronave era inconfundível. Afinal, ele irradiava empolgação mesmo ao amanhecer, mesmo tendo recebido a ordem para voar.
— Certo, vamos! Destino?!
— O Mar Oriental. Até a borda do continente, por favor.
— Entendido. Vamos direto para lá!
A aeronave decolou em velocidade incrível, atravessando as nuvens num instante e somando-se ao céu alto.
Observando isso pela janela, Jeliel fechou as cortinas e encolheu-se em sua cadeira. Abraçando os joelhos, fechou os olhos com força.
— O preço de se apaixonar por alguém que nunca consegue ficar em um só lugar é realmente cruel.
Ele não era alguém que existisse apenas para ela, mas para todos.
E ainda assim, o desejo de mantê-lo todo para si… Seria esse seu instinto como a antiga empresária cínica e sociopata que costumava ser? Ou seria simplesmente seu anseio como mulher?
A dor de não conseguir segurar alguém destinado a partir era insuportável, mas Jeliel a suportava.
— Ainda assim, algum dia…
ele voltará. Ela acreditava firmemente nisso.
***
Enquanto isso, Eisel e seu grupo apressaram-se a concluir os preparativos e embarcaram no Rising Dragon, o navio-almirante que Halicevale trouxera.
Dada a urgência da situação, a Princesa Hong Bi-Yeon também embarcou na frota, embora houvesse um leve conflito no processo.
Isso ocorreu porque o Capitão Matale, dos Piratas Black Belize, e sua tripulação insistiram em unir-se à missão, preparando seu colossal navio para acompanhá-los.
De onde conseguiram tal embarcação já era uma questão, mas o navio era formidável, potencialmente uma ameaça considerável até para o Rising Dragon.
Sob circunstâncias normais, piratas nunca teriam sido autorizados a navegar ao lado de uma frota de tão alto prestígio. No entanto, Matale foi categórico.
Ele declarou firmemente que não permitiria que a Princesa Hong Bi-Yeon viajasse para um lugar tão perigoso sozinha.
Sem escolha, o Almirante Halicevale permitiu que o New Black Cross navegasse ao lado de sua frota.
Essa foi a primeira vez em décadas que piratas foram autorizados a alinhar-se a uma frota oficial, um evento tão extraordinário que poderia ter virado manchete ao redor do mundo.
Porém, foi ofuscado pela situação premente que se desenrolava no Mar Oriental.
Embora Eisel tivesse embarcado no navio rumo ao Mar Oriental, sua expressão permanecia tensa e rígida. Ela não conseguia pensar em uma maneira de resolver a situação.
— Estamos prestes a passar por uma fenda de dobra, então segurem-se com força, ladies.
Felizmente, Eisel e suas companheiras haviam recebido uma sala VIP para ficar, e avisos ocasionais vinham por algo parecido com um rádio.
No Mundo Étereo, portais de dobra existiam até sobre o oceano. Foram criação única do próprio Halicevale, projetados para permitir viagens sem emendas entre os mares do mundo.
No momento, várias nações permitiam que navios comerciais usassem os portais de dobra de Halicevale para conveniência, mas sempre que o Rising Dragon aparecia, recebia a mais alta prioridade, e todos os outros navios abriam passagem.
Depois de passar por dois ou três portais marítimos de dobra, finalmente chegaram ao Mar Oriental após três dias e noites de navegação.
No entanto, o que os saudou foi muito além do que imaginaram.
— O que… O que é isso?
Uma imensa coluna de redemoinho se erguia no céu. Ao redor do vórtice, centenas de navios circulavam a área.
Hong Bi-Yeon murmurou, desanimada.
— Repórteres de guerra já se amontoaram. Reconheço as marcas de repórteres familiares.
— Há a bandeira Adolevit… E até a bandeira Skalven. E lá… é aquilo uma ordem de cavaleiros mágicos? Parece que a magnitude deste incidente levou as nações a despachar suas forças e instalá-las aqui.
— Ah…
Pensando bem, era natural.
Um redemoinho de dragão tão colossal — erguido por ninguém menos que as Doze Luas Divinas para ameaçar a sociedade humana — não ficaria sem resposta das nações.
À distância, avistaram navios preparados pela Torre dos Magos. Dozens de aeronaves, mais lentas, mas capazes de permanecer no ar por longos períodos, pairavam acima, inspecionando a cena.
Inúmeros magos haviam se reunido para observar o redemoinho de perto.
Ou seja, a decisão de Eisel… seria testemunhada em tempo real por um número incontável de magos representando várias nações.
Apertou com força a mão de Eisel.
— Não se preocupe. Nada vai acontecer. Você vai passar por isso, assim como sempre passou.
— … Como?
Flame não tinha resposta para essa pergunta. Se houvesse pelo menos algo com o que pudessem lutar ou contra o que lutar, como em batalhas anteriores, poderia ser diferente. Mas, nesta situação, não havia nada que pudessem fazer.
Azure Spring Moon era esperta.
Sabendo como Baek Yu-Seol sempre conseguia contornar os esquemas das Doze Luas Divinas de uma forma ou de outra, Azure Spring Moon havia tirado preventivamente qualquer chance de intervenção.
A percepção de que ela estava totalmente impotente naquele momento encheu Eisel de desespero.
— Existe algo que eu possa fazer…?
À medida que seu rosto ficava mais pálido, quase como se toda a esperança tivesse saído, lá no alto no céu…
Dentro de uma pequena aeronave, Baek Yu-Seol agarrava-se desesperadamente ao assento, o rosto com um verde doentio, enquanto o piloto irradiava entusiasmo.
— Como é? Não é emocionante? Esta é a velocidade máxima, bebê!
— Ugh…
Ele nunca tinha experimentado uma viagem tão rápida antes, e a cinetose era insuportável. Embora tivesse se acostumado com o teletransporte de alta velocidade, esse tipo de viagem aérea turbulenta era uma fera completamente diferente.
Mas Baek Yu-Seol não conseguiu pedir ao piloto para diminuir a velocidade.
O tempo estava escapando, mesmo neste exato momento. Não havia espaço para atraso.
— Você tem uma expressão ótima! Seus olhos estão ardendo de determinação! Você está amando essa velocidade, não está? Fantástico! Eu também estou pegando fogo! Vamos acelerar ainda mais… modo de ultrapassagem!
— Ghhhaaah…
A cabeça de Baek Yu-Seol inclinou-se para trás enquanto o rosto ficava ainda mais pálido.
— S-Salve-me…
Ele apreciava a velocidade, mas não pôde deixar de ressentir Jeliel por ter escolhido um piloto tão entusiasmado.
———