
Capítulo 440
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
Era a era dos magos.
Quando as pessoas pensavam em magia, geralmente imaginavam magia branca. Mas onde há luz, também há sombra.
Nos cantos escondidos do mundo, um grupo pequeno e peculiar praticava uma arte proibida: a magia negra... um ofício antigo alimentado por sacrifícios vivos, frequentemente levando a desfechos grotescos e horríveis. Por causa de sua natureza cruel, magos negros eram obrigados a se reunir em lugares secretos chamados Torres Sombrias.
Ao longo do continente erguiam-se dezenas dessas Torres Sombrias. Ao contrário das torres de magia comuns, elas não tinham nomes próprios. Em vez disso, cada uma era identificada por um número na ordem de sua construção: a Primeira Torre Sombria, a Segunda Torre Sombria, e assim por diante.
No alto da Montanha do Iceberg Ártico, empoleirada na Fortaleza do Planalto do Espírito de Gelo, erguia-se a Segunda Torre Sombria. Seu cume era tão elevado que nem mesmo as ferozes tempestades de neve podiam alcançá-la. Estranhamente, o céu acima dela permaneceu eternamente manchado de carmesim.
Cacarejo—! Chirriar—!
Criaturas gigantescas aladas, parecidas com corvos de asas demoníacas, circulavam sobre a Segunda Torre Sombria, guardando-a.
A Lua Amarela Pálida do Outono lançou-lhes um olhar e sorriu de soslaio.
"Que decorações tão sem sentido."
Chiar—!
Por fim, ela chegou à entrada da torre, que se estendia tão alto que parecia alcançar as estrelas. Ao se aproximar, as portas se abriram sozinhas, dando-lhe as boas-vindas.
Após percorrer o estreito e tortuoso caminho da encosta íngreme para chegar ali, ela já estava de mau humor.
"Se pelo menos não tivessem aberto a porta, eu poderia ter enlouquecido de tédio."
Clique.
Ao entrar na Torre Sombria, fileiras de tochas ao longo das paredes acenderam-se uma a uma, iluminando o interior.
"Então até magos das trevas apreciam um pouco de espetáculo, assim como seus pares de vestes brancas?"
Ela falou com o espaço vazio, sem saber onde estava seu anfitrião. De repente, uma escada surgiu no ar, e dele desceu um homem idoso, quase dois metros de altura, apoiado em um bastão longo.
"Heheh... Um convidado ilustre realmente nos agraciou..."
Sua pele era desfigurada por manchas, verrugas e cicatrizes torcidas visíveis sob o manto. Lua Amarela Pálida do Outono reprimiu a ânsia de engolir em seco; ela adorava a beleza, e a aparência dele era de difícil aceitação.
"Você é o mestre desta torre?"
"Isso mesmo, O Doze Luas Divinas... Meu nome é Maran Kaltz — a Mão Esquerda do Culto dos Magos das Trevas e mago das trevas de Classe 9."
"Já ouvi falar de você."
"Que honra... Heheh."
Maran Kaltz.
Como membro das Doze Luas Divinas, era impossível para ela não saber o nome dele.
Ele era um Mago das Trevas que certa vez fora cogitado para as bênçãos das Doze Luas Divinas.
As Doze Luas Divinas eram imparciais com todas as formas de vida — seja quem pratique magia branca ou magia negra, seja vilão ou herói.
Nada disso importava.
Contanto que seus valores coincidissem, as Doze Luas Divinas poderiam abençoar qualquer um.
A humanidade, porém, permaneceu ignorante dessa verdade por séculos.
Eles acreditavam que as Doze Luas Divinas existiam apenas para servi-los e protegê-los.
E era o homem diante dela — Maran Kaltz — quem quebrou essa ilusão e espalhou a verdade pelo mundo.
Ele era mestre da Magia da Lua Divina.
"Para alguém tão grandioso quanto uma das Doze Luas Divinas visitar minha modesta torre... devo lhe oferecer uma recepção adequada."
Maran Kaltz falou em tom lento, quase conjuratório, ao bater seu bastão no chão.
Toc!
De repente—
Tremeu...!
O interior da torre tremeu, o espaço curvou-se ao redor deles. Lua Amarela Pálida do Outono, enfraquecida e despojada de seus poderes, sabia que um deslize poderia lhe custar a vida. Mesmo assim, manteve a calma, observando-o cuidadosamente. Mesmo com a deficiência atual, era hábil em ler pessoas. Ao estudar seu olhar — espiando a alma por trás dos olhos dele — ela percebeu que ele não pretendia feri-la.
Ainda não.
"Um truque interessante."
O interior sombrio, opressivo e apertado da Torre Sombria, que não merecia ser chamada de 'Segunda', transformou-se subitamente no luxuoso salão de baile de um grande palácio.
"Achei que isso seria mais do seu gosto..."
"Hmm, gosto disso."
Lua Amarela Pálida do Outono aproximou-se do centro da sala e moveu-se como para sentar. Imediatamente, uma cadeira coberta de fitas vermelhas surgiu sob ela.
"Ah, querida~ Detesto a cor vermelha mais do que tudo no mundo."
O velho soltou uma risadinha baixa e estalou os dedos. A cadeira vermelha transformou-se instantaneamente em amarelo vibrante. Só então ela cruzou as pernas e se acomodou graciosamente, olhando nos olhos de Maran Kaltz, que ocupou o assento à frente.
"O que a traz aqui?"
"Estou aqui para propor um acordo."
"Um acordo, você diz? Isso é intrigante."
A ideia de um acordo com ninguém menos que um membro das Doze Luas Divinas bastou para aguçar a curiosidade de Maran Kaltz.
Afinal, ele era um mago com uma ambição singular e peculiar: tornar-se um dos Doze Luas Divinas.
No entanto, os humanos não podem tornar-se um deles.
A esta altura, Maran Kaltz deve ter percebido essa verdade implacável. O que ele pensava sobre seu sonho desfeito era incerto, mas uma coisa estava clara. Como membro das Doze Luas Divinas, a Lua Amarela Pálida do Outono teria sempre a vantagem.
"Preciso que você me faça um favor. Em troca, concederei um de seus favores. Simples e direto, não é?"
"Hoho... Um favor, você diz."
Maran Kaltz coçou o queixo como se tocasse uma barba inexistente, e seus olhos afiados se estreitaram.
"Talvez deseje resolver os fenômenos estranhos que assolam os assentamentos humanos ao norte?"
"Você pega rápido."
"Heheheh. Você está dizendo que a Lua Amarela Pálida do Outono, que vê os humanos apenas como ferramentas, está disposta a fechar um acordo com um mago como eu em prol dos humanos?"
"Por que não? Eles ainda são peças úteis no tabuleiro. Não pretendo desperdiçar recursos tão valiosos."
A conversa continuou. Estava claro que Maran Kaltz estava enrolando, tentando medir as intenções dela. Ele pode não superá-la em uma batalha de mentes, mas se esse velho astuto passasse a tramar, certamente seria problemático. Ela precisava ser direta.
"Então? Diga logo — você consegue ou não? Se não puder, eu vou embora."
"Heheh... Você está dizendo que me concederia qualquer favor em troca?"
"Sim. Eu poderia até revelar um dos segredos das Doze Luas Divinas, se for isso que você quer."
"Ah... Os segredos das Doze Luas Divinas... Isso parece tentador."
Algo parecia errado.
Não era apenas o tom dele. Era o olhar dele.
Seus olhos não ficavam fixos no rosto dela, mas perambulavam pelo seu corpo.
"Criatura vil."
"Heh, isso é o que todo mundo pensa de mim."
"E você está prestes a repassar os segredos das Luas Divinas?"
"Ah... Estou curioso. Muito curioso... Mas o que mais me intriga é isto — como ficará a tão orgulhosa Lua Amarela Pálida do Outono quando for derrubada por simples humanos?"
Algo estava errado.
Essa reação não era o que a Lua Amarela Pálida do Outono esperava.
Se Maran Kaltz ainda sonhasse em tornar-se um dos Doze Luas Divinas, estaria desesperado para agarrar a oportunidade que ela acabara de oferecer.
"Você... Vocês desistiram do seu sonho."
"Sim, é isso. Heheh... Aceitei que nenhum corpo humano pode alcançar as estrelas. Neste ponto... a curiosidade é inútil."
A Lua Amarela Pálida do Outono suspirou.
O homem diante dela era velho demais e desfeito.
Para um mago, perder a curiosidade equivalia a perder a própria vida. Apesar de possuir um poder enorme, ele carecia da vontade de manejá-lo. Qualquer um que abrisse mão de ambição não tinha esperança de conquistar qualquer coisa, tampouco o mundo.
Então, já basta. Vivo há mil anos e nunca permiti que um simples humano manchasse minha alma.
Provavelmente Maran Kaltz nunca teve interesse real no corpo da Lua Amarela Pálida do Outono desde o início. Ele devia saber desde o começo que ela não possuía forma física. Suas palavras eram apenas uma maneira indireta de dizer: 'Não me importo... deixe-me em paz.'
Assim, o acordo desmoronou. Lua Amarela Pálida do Outono ficou de pé, pronta para partir. Mas naquele instante, lembrou de um mago humano específico de quem vinha acompanhando.
"Você disse que desistiu do seu sonho?"
"... Isso mesmo."
Por que ela insistia nisso novamente? Maran Kaltz olhou para cima; Lua Amarela Pálida do Outono usava um sorriso fraco e torto.
"Os tempos mudaram. Achei que jamais veria outro humano se esforçar para entrar nas Doze Luas Divinas, mas parece que eu estava errado."
"Heh... Então há mais um tolo perseguindo ilusões?"
Justo como suspeitava.
O mago desfeito diante dela havia perdido o contato com o estado atual do mundo.
"Não, não é miragem. Ao contrário de você, este tem um objetivo claro."
"O que você quer dizer?"
"Vou esclarecer como membro das Doze Luas Divinas. Aquele mago tem uma chance real de tornar-se um de nós."
"As probabilidades são baixas... Cerca de 0,001% — mas não é impossível."
As probabilidades eram baixas porque Baek Yu-Seol enfrentava a oposição da Fawn Prevernal Moon.
"Você está falando sério...?"
"Hmm?"
Ela havia apenas jogado o comentário como isca, esperando curiosidade moderada, no máximo. Em vez disso, a atmosfera mudou num instante.
"O-Que? O que está acontecendo...?"
Woooooosh…
A mana negra irrompeu, tingindo o grandioso salão com tons giratórios de preto e branco.
Estrondo! Estalos! Estilhaços!!!
O espaço rachou sob a pressão do vórtice rugente. Em meio ao caos, Maran Kaltz manteve-se firme, seu porte quase régio.
"Se você mentiu para mim... Mesmo que seja um das Doze Luas Divinas, não vou tolerar."
'Droga! Este velho maluco!'
Lua Amarela Pálida do Outono rangeu os dentes, segurando a cabeça enquanto lutava para suportar a imensa pressão emanando da tempestade de mana.
"Por que eu mentiria? Senti pena de você, isso é tudo... por alguém que abriu mão de seus sonhos."
Mas o turbilhão de mana não cessava.
Os olhos pálidos, azuis brilhantes de Maran Kaltz prenderam-na, queimando com intensidade como nunca antes.
'Ah... Droga.'
Isso a atingiu.
Isso era uma forma de tortura.
Ao ter desistido de seus sonhos e perdido toda a esperança, o velho chegou a aceitar sua vida ao chamá-la de 'tarefa impossível'.
Mas então—alguém lhe disse que 'na verdade era possível'.
Isso não acenderia uma ponta de esperança?
Essa era a esperança como tormento.
Um tormento cruel e persistente.
Ele finalmente se resignara ao seu sonho impossível, para vê-lo reviver num instante.
Se isso fosse realmente impossível, ele poderia ter seguido em frente.
Mas agora, sabendo que pode realmente ser possível—
Não seria isso muito mais agonizante?
'D- Droga... Isso é ruim.'
Ela procurou desesperadamente uma saída, ciente de que tudo logo sairia do controle. Então, tão rápido quanto começou, o vórtice cessou. Maran Kaltz voltou-se e começou a subir pela escada em caracol da torre, que parecia se estender até as estrelas.
Toc! Toc!
Com o bastão batendo nos degraus, ele subiu mais, então pausou, virando-se para lançar um olhar à ela.
"O que você está fazendo? Não vai vir?"
Lua Amarela Pálida do Outono apressou-se para recompor-se, afastando os cabelos emaranhados. Seu vestido, antes elegante, agora estava esfrangalhado.
'Nossa, se apenas meus poderes estivessem intactos, eu não precisaria suportar essa humilhação.'
Suprimindo um suspiro, ela o seguiu pela escada, falando com cautela conforme subiam.
"Eu lhe devo desculpas."
"... Nada disso."
Por um momento, ela se arrependeu de ter reacendido as velhas ambições dele. Como a Mão Esquerda do Culto dos Magos das Trevas, Maran Kaltz poderia ter ficado melhor se tivesse ficado fora de vista, deixando seus sonhos desmoronar no pó.
'Tch. Tanto faz.'
Ela já tinha demais com que lidar para se preocupar com as consequências.
À medida que subiam pela escada aparentemente sem fim, Maran Kaltz quebrou o silêncio.
"Aquelas criaturas que você quer que sumam... as que perambulam pela superfície... Quer que eu cuide disso?"
"Sim. Ouvi dizer que com sua magia isso seria simples."
"Heh. Você tem um ótimo senso de humor. É revigorante ver esse lado seu hoje, Lua Amarela Pálida do Outono."
"H-Haha. Sim. Só brincadeira."
Ela suou frio.
'Espere... Não pode ser que ele não possa simplesmente varrer tudo com um golpe só, não é?'
Apesar de viver há mil anos, ela era completamente ignorante no assunto de magia.
Não era para um mago de Classe 9 ser capaz de conjurar um meteoro facilmente?
"Já que você encara os humanos da superfície como ferramentas úteis, suponho que deseje protegê-los ao mesmo tempo que isola as criaturas."
Ah não!
Foi somente então que Lua Amarela Pálida do Outono percebeu o deslize da língua.
'Eu na verdade não me importo com os humanos lá embaixo...!'
Contanto que os soldados da Fortaleza do Planalto do Espírito de Gelo estivessem a salvo, o resto — humanos ou beastkin — poderiam todos ser varridos juntamente com as criaturas.
Mas era tarde demais para recuar suas palavras.
As Doze Luas Divinas nunca se contradiziam. Fazer isso diminuiria o peso de sua autoridade.
"Chegamos aqui."
Finalmente, chegaram ao topo da Torre Sombria.
"Isso é..."
"Sim. Daqui você pode ver toda a superfície."
Acima deles, as constelações vermelhas cintilavam no céu.
Abaixo, através do mar de nuvens, a cidade inteira era visível de relance.
Para Maran Kaltz, a Fortaleza do Planalto do Espírito de Gelo não passava de um brinquedo de areia.
'I-não pode ser...'
Se Maran Kaltz tivesse ainda um pouco de curiosidade — se alguma vez pensasse casualmente, "Vamos apagar esses humanos por diversão" — a Fortaleza do Planalto do Espírito de Gelo já teria sumido do mapa há muito. Ela sobreviveu apenas porque Maran Kaltz, despido de ambição, tornara-se um recluso.
"Existe uma maneira de proteger os humanos e isolar as criaturas."
O velho abriu os braços, gesticulando para as cidades, vilarejos, montanhas, lagos congelados e cada centímetro da paisagem abaixo.
"Podemos transformar toda a camada inferior da Montanha Iceberg do Ártico em um 'Portal da Persona'."
A mandíbula da Lua Amarela Pálida do Outono caiu; ela queria berrar alto o bastante para rasgar o céu.
'Aaaaaah!'
Ou talvez, lá no fundo, ela já estivesse gritando.