
Capítulo 405
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
Ajoelhada no chão congelado, Eisel agarrava o monumento que seu pai deixara para trás. Embora esculpido em gelo, ele exalava um calor inexplicável.
Lentamente, ela abriu os olhos.
Suas íris azul celeste cintilavam com um brilho etéreo, a cor se aprofundando para um azul deslumbrante.
"... Isto não é hora de fazer isso."
Eisel ergueu-se, o olhar fixo no ar ao redor.
"O Palácio Eterno de Gelo."
Esse era o nome da magia colossal que se espalhava por toda a Reverse Mountain — um feitiço tão imenso e complexo que superava tudo o que Eisel podia compreender em seu nível atual.
Era um milagre da magia, capaz de congelar o próprio espaço e moldá-lo à sua vontade — o tipo de feitiço que deveria existir apenas em lendas.
No entanto, ali estava, governando toda a montanha.
De repente, sua visão mudou.
Ela pôde ver Flame — ferido e fugindo do Angel Hunter, como se estivesse acontecendo bem diante de seus olhos.
Logo que Flame apareceu em seu campo de visão, Alpha atirou uma flecha vermelha nela—
A mana que emanava dele era tão poderosa que mesmo um golpe de raspão poderia causar ferimentos devastadores. Um golpe direto seria fatal.
'Perigo!'
Sem pensar, Eisel estendeu a mão—
Crack!
Uma muralha maciça de gelo irrompeu do chão, interceptando a flecha vermelha e desviando sua força.
"Ah…!"
A barreira deu a Flame os preciosos segundos necessários para escapar ilesa.
Eisel fitou a mão trêmula, a incredulidade cintilando em seus olhos.
'Consigo sentir. Esta conexão é real.'
Diante de um Angel Hunter de Classe 7, ela acreditava que a vitória seria impossível.
Mas com essa habilidade… o poder de controlar a Reverse Mountain—
"Eu consigo fazer isso!"
Colocando os dedos nos lábios, Eisel reuniu a mana e ordenou.
'Levante-se.'
Em resposta, gigantescas lanças de gelo irromperam do chão atrás de Flame, perfurando o torso de Alpha.
Bum! Estrondo!
"Ai…!"
Alpha ergueu rapidamente um escudo para bloquear o ataque—
Mas o dano não pôde ser completamente desviado.
Sangrando e furioso, Alpha voltou o olhar para a montanha, a fúria palpável—
Mas diante da força da própria natureza, ele era impotente.
'Caia.'
O comando de Eisel desencadeou uma avalanche maciça, enterrando Alpha sob a neve.
Então veio uma tempestade, golpeando-o e desequilibrando-o.
Aproveitando a oportunidade, Flame começou a contra-atacar.
Eisel podia sentir—
O impulso estava lentamente a seu favor.
Se Flame não tivesse fugido para a Montanha Illa Jeridon, esse desfecho não seria possível.
Isso não seria coincidência?
'Não… é o destino.'
Foi o destino que levou Eisel a descobrir o presente de seu pai.
Mas com essa realização, uma nova pergunta começou a surgir—
'… Como isso é possível?'
Uma herança mágica?
Tudo bem. Ela podia aceitar isso.
Mas deixar para trás um feitiço desse porte, que ainda funcionava depois de tantos anos—
Isso não deveria ser possível.
Eisel empunhava magia que se aproximava da Classe 8, apesar de ter apenas uma fração da mana necessária.
Por todo o raciocínio, isso deveria ser impossível.
Parecia que—
'Como se… o pai tivesse completamente abandonado sua magia.'
Um mago poderia abrir mão de toda a sua magia apenas para repassá-la?
Não era impossível.
Existiam casos na história em que magos transferiram sua magia para sucessores.
Mas por quê?
Por que seu pai iria tão longe a ponto de sacrificar sua magia por ela?
Seu olhar voltou para o monumento flutuante. Engolindo em seco, ela estendeu a mão e o girou.
Enquanto girava, letras em uma caligrafia diferente cintilaram diante de seus olhos—
Runas Antigas…
Apesar da escrita ser antiga, Eisel, que possuía Certificação de Nível 3 em Runas da Era Mágica Antiga, não teve dificuldade em interpretá-la.
[Casa Morph]
[O Palácio Eterno de Gelo]
[Apenas quem é da minha linhagem pode herdar este palácio por meio da magia.]
Embora algumas runas estivessem rachadas e incompletas, ela conseguiu reconstruir seu significado.
"Os doze discípulos do Mago Progenitor… Esta é a magia de herança da família Morph..."
Ela continuou a traduzir, os olhos varrendo as descrições dos mecanismos intrincados do feitiço.
Então, enfim, ela encontrou a parte que buscava—
[No entanto, há uma condição.]
[No dia do Fenômeno de Shallierdon, no ano 127, a invocação deve ser proferida para herdar o palácio.]
"Shallierdon…?"
Ela tinha lido o termo uma vez em um jornal de astronomia.
Referia-se a um evento celeste quando a terceira e mais poderosa lua, Shalliermoon, atingia seu plenilúnio, ladeada por duas luas crescentes voltadas para ela.
Naquele dia, a mana fria saiu do controle, muitas vezes levando a eventos naturais bizarras, como neve no meio do verão.
"Espere…"
O último Fenômeno Shallierdon ocorreu aproximadamente—
há 37 anos.
Lá atrás, quando seu pai estava no ápice de sua fama… como grande mago e o reverenciado chefe da família Morph—
Foi bem antes de Eisel nascer.
Um tempo tão distante que revelou uma amarga verdade:
Para herdar o Palácio de Gelo, o tempo importava mais que o talento.
'… Será que é?'
No momento, Eisel finalmente entendeu por que seu pai tinha passado essa magia para ela, mesmo à força.
'O presente que eu queria te dar… era demais para eu suportar.'
'Eu… não consegui empunhá-lo adequadamente.'
A voz amarga de seu pai ecoou em sua mente.
Ela não lembrava quando ele dissera aquelas palavras, mas agora—
Elas soaram com clareza dolorosa.
'Ele abriu mão de uma magia tão incrível… apenas para repassá-la para mim… ?'
A visão de Eisel ficou turva à medida que as emoções ferviam dentro dela.
E se o pai não tivesse abandonado esse poder?
E se ele não tivesse cortado o Palácio de Gelo de si para deixá-lo em suas mãos?
Talvez…
No dia fatídico, durante sua última batalha—
Ele não teria perdido o controle e mergulhado na loucura como um mago sombrio.
Tendo empunhado brevemente uma pequena parte dessa magia, Eisel podia imaginar o que seu pai, um mago de Classe 8, poderia ter realizado com ela—
E esse pensamento a dilacerava.
'Por minha causa…'
No instante em que a ideia lhe veio à cabeça, Eisel mordeu o lábio com força o suficiente para que o sangue escorresse da ferida fresca.
"Não."
"O pai ainda está vivo."
Ela balançou a cabeça com firmeza.
Ela viu com seus próprios olhos—
Há dez anos, naquela batalha climática, quando Baek Yu-Seol interveio e o salvou.
O pai dela ainda estava vivo, em algum lugar.
'Não posso me dar ao luxo de perder tempo com dúvidas.'
Agora, seu único foco era reivindicar plenamente esse último presente que seu pai deixara.
'Com o presente do pai… eu vou salvar Flame.'
Eisel uniu as palmas das mãos, convocando cada gota de mana restante, forçando-a a surgir e fundir-se com a energia do Palácio.
Se ela pretendia empunhar o Palácio de Gelo além da Montanha Illa Jeridon, primeiro precisava vincular a mana dele à sua própria.
Quanto ao Angel Hunter de Classe 7…
Ele seria o sujeito de teste perfeito.
Whiiiirrr…
Um vento frio varreu o templo, agitando suavemente o cabelo prateado de Eisel enquanto ela se preparava para a batalha.
***
A princesa Hong Bi-Yeon segurou seus longos cabelos com uma das mãos.
Havia momentos em que se cansava de seus fios, mas sempre que olhava no espelho, lembrava de sua irmã mais velha, e não conseguia cortar tudo.
[Hong Erin Adolevit]
[Partiu como uma flor espalhada pelo vento.]
Nos fins de semana, Bi-Yeon às vezes visitava o Cemitério Real de Adolevit para deixar uma flor-agulha cor-de-rosa—
A flor que sua irmã mais amava.
E agora, tornara-se a flor que ela mais odiava.
"Ainda não é o dia do memorial dela. Você veio de novo hoje?"
Bi-Yeon não aparecia com muita frequência, mas, pelo menos até então, esperava não ser incomodada.
Não esperava encontrar a Princesa Hong Si-Hwa, mas compôs seu rosto, sem sinal de desagrado.
Surpreendentemente, Si-Hwa chegou primeiro.
Quando Bi-Yeon se aproximou da sepultura com as flores-agulha cor-de-rosa na mão, encontrou Si-Hwa já ajoelhada diante da lápide.
Ninguém esperava que Bi-Yeon fosse visitar, então parecia que Si-Hwa veio pela mesma razão — para ver a irmã.
E pela primeira vez em muito tempo… Bi-Yeon viu Si-Hwa com uma expressão séria.
Isso durou apenas um instante.
Antes de notar Bi-Yeon, Si-Hwa olhou para a lápide com um olhar frio e solene, como na infância.
Mas assim que os olhos se encontraram, Si-Hwa rapidamente recobrou o sorriso irritante habitual.
'Ela realmente está aqui para lamentar?'
Mesmo assim, Bi-Yeon não sentiu gratidão.
Em vez disso, tudo o que ela conseguiu pensar foi—
'Agora? Depois de tanto tempo?"
"Hmph~ Tão entediante. Faz tempo que você não a vê. Por que não sorri nem que seja uma vez?"
"Tanto faz, vou embora primeiro~ Aproveite seu tempo por aqui!"
Si-Hwa murmurou entre dentes e afastou-se, como se não pudesse sair rápido o suficiente.
Bi-Yeon a ignorou completamente e ajoelhou-se diante da lápide.
Mas então—
"Ah, certo, irmãzinha!"
Bi-Yeon girou a cabeça.
Si-Hwa nem se deu ao trabalho de lançar um olhar para ela enquanto falava.
"Você também não tem muito tempo sobrando."
Bi-Yeon entendeu imediatamente o que ela quis dizer.
'A Marca de Adolevit.'
Todas as mulheres nascidas na família Adolevit carregavam chamas em seus corações… um poder que brilhava mais com talento, mas ao cruel custo de encurtar suas vidas.
Com o nível de talento de Bi-Yeon, provavelmente restavam-lhe no máximo dois anos de vida.
Si-Hwa, por outro lado, recorreu a métodos grotescos, como usar o corpo de Isaac Morph, para prolongar sua vida. Ainda assim, devia suportar uma dor insuportável, seu corpo sendo lentamente devorado pelas chamas internas.
"Se algum dia precisar de ajuda, me avise. Afinal, sou sua irmã, depois de tudo."
Com essas palavras de despedida, ela foi embora. Bi-Yeon apertou os punhos com força.
"Asqueroso…"
Mesmo que ela queimasse por completo neste momento, jamais pediria ajuda a Hong Si-Hwa.
Para ela, tomar a vida de outra — mesmo a de alguém tão detestável quanto Eisel — era um destino muito pior que a morte.
Whoosh…
Uma brisa soprou, espalhando os fios de Bi-Yeon. Agora que Si-Hwa se fora, o ar parecia estranhamente mais leve. O vento, que momentos antes era cortante e opressivo, carregava uma rara sensação de calma.
Ela contemplou a lápide de sua irmã, com a mente voltada para o calor que ardia em seu peito.
Algo dentro dela queimava com intensidade.
O que exatamente alimentava essas chamas, permitindo que queimassem tão fortemente? Seria a sua longevidade? Ou seria a própria alma sendo consumida?
Ela não conseguia dizer.
'Está tudo bem.'
'Sou diferente.'
'Tenho um plano.'
Acalmando o fogo interior, Hong Bi-Yeon ergueu-se. Depois de oferecer um último adeus à tumba de sua irmã, ela se virou para partir.
Uma sensação estranha a prendeu à força no lugar.
"O que?"
O mundo… estava inteiramente cinza.
As nuvens acima estavam congeladas, como se presas ao céu como quadros, e os galhos que dançavam ao vento estavam rígidos e sem vida.
Pensando bem, ela não tinha sentido o vento desde que percebeu as chamas no peito.
Sensível a algo estranho, Bi-Yeon deu um passo para trás.
Splash!
O som de água ecoou sob seus pés.
"Ai."
Quando Bi-Yeon olhou para baixo, finalmente percebeu que toda a área ao redor da lápide estava submersa em água.
"C-Como…?"
As lápides da família Adolevit ficavam a meio caminho de uma montanha — numa área onde a água jamais poderia naturalmente se acumular.
E ainda assim, o mundo ao redor dela estava submerso, deixando apenas Hong Bi-Yeon em pé acima da superfície.
'Algo está errado.'
Ela precisava sair imediatamente.
Logo que se virou para fugir, alguém bloqueou seu caminho.
— Bem, bem. Então esta é a herdeira da família Adolevit? Impressionante.
Ela não tinha sentido a presença dele em absoluto.
Apertou o bastão com força, ergueu-o e apontou para o estranho.
Ele sorriu de canto, levantando as duas mãos em rendição simulada.
— Uou, Uou, acalme-se. Não estou aqui para lhe fazer mal, jovem dama.
Era alto, com cabelo selvagem e pontiagudo da cor do fogo e vestia robes carmesins com padrões orientais.
Seus olhos queimavam em vermelho… penetrantes e implacáveis.
— Hmm. Gosto dela. Esta é a escolhida, certo?
Ele dirigiu a pergunta a alguém.
— Sim.
"... Ai!"
Mas não era para Bi-Yeon — era para alguém que estava atrás dela.
Dando um passo de lado, ela se virou rapidamente para checar — e viu um homem de robes cinzentas, exalando uma presença sufocante.
— Ah…
Por quê?
Por que ele parecia tão familiar, quando ela nunca o tinha visto antes?
— Ahaha! Gosto muito dela.
— Bom. Então vou me retirar.
— Hmm! Certifique-se de me agradecer adequadamente por me ajudar a conhecer minha futura noiva.
Antes que pudesse reagir, o homem de cinza desapareceu sem deixar rastros, deixando Bi-Yeon sozinha com o homem de vermelho.
Ele se aproximou, segurou-lhe o queixo e inclinou o rosto para cima.
Ela lutou para resistir, mas o corpo não obedecia.
Parecia que correntes invisíveis a prendiam no lugar.
— Esperei tanto tempo... em sono sem fim.
Seus olhos vermelhos ardiam, como se estivessem em chamas.
— Uma mulher parecida com Adolevit… Vingada a trilhar um caminho completamente oposto ao dela.
Bi-Yeon não tinha ideia do que ele falava. Mas havia uma coisa que podia dizer com certeza.
"Eu... não tenho absolutamente nenhum interesse... em um homem vulgar como você..."
— Hmm? Vulgar? Haha! Parece que você não sabe com quem está falando. Sou um dos Doze Deuses-Moons. Os maiores seres do mundo!
Não. Isso não era verdade.
Bi-Yeon sabia de alguém muito maior—alguém muito mais extraordinário do que os Doze Deuses-Moons.
Clang!
Seu bastão caiu no chão.
O homem sorriu, presumindo que ela tivera desistido.
Mas, na verdade, Bi-Yeon deixou cair o bastão para alcançar o relógio de bolso pendurado na cintura.
— Bem, tanto faz. Em breve você verá o quão incrível e cativante eu sou. Que tal cair em meus braços agora?
O homem estendeu a mão em direção a ela—
Clique!
Nesse exato instante, o botão do relógio de bolso se fechou com um clique.
Crackle!!!
A água que subira até os tornozelos, bem como a mão estendida do homem, congelaram-se.
— O-What the...!?
Atingido de surpresa, os olhos do homem arregalaram-se em choque.
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