
Capítulo 386
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
A primeira neve tinha caído.
Era início de dezembro, apenas mais um dia comum.
Inesperadamente atrasada neste ano, a primeira nevasca deixou os cadetes da Stella cheios de empolgação. Eles corriam pelo campus, erguiam bonecos de neve e se envolviam em batalhas de bolas de neve como crianças despreocupadas.
“Não importa se é uma academia prestigiosa ou não, crianças vão ser crianças.”
Entre a multidão animada de cadetes, surgiu um homem de aparência cansada, Aryumon Brushun.
O ar estava especialmente nítido, pois as regras do campus proibiam fumar.
“Deve ser bom ser jovem.”
Embora sua aparência sugerisse um homem na casa dos vinte e poucos anos, Aryumon tinha, na verdade, 150 anos de idade, Grande Mago da Classe 9, com poder imenso.
“Presidente, o senhor chegou. Vamos escoltá-lo.”
Apesar de ter passado pelos portões da Stella como uma travessura, levou menos de dez minutos para os cavaleiros encontrá-lo.
Ele esperava surpreender alguém, mas a falta de reação sugeria que Elthman os havia avisado sobre suas traquinagens.
“Tão entediado.”
Mesmo a aparência descuidada de Aryumon não intimidou os cavaleiros. A maioria dos magos sabia que ele lutava contra uma doença debilitante, que já lhe deixava marcas visíveis.
Caminhando ao lado dos cavaleiros, Aryumon olhou para o céu coberto de neve.
Mesmo depois de tanto tempo vivendo, a primeira neve sempre soava nova para ele.
“No dia em que aprendi magia pela primeira vez, nevou assim também.”
Na juventude de Aryumon, não existiam academias de magia. Ele fora obrigado a acompanhar magos temperamentais, aprendendo apenas pela observação.
Provavelmente o mesmo valia para Elthman Elwin, reitor desta academia. Pensar que alguém que passou por um passado tão duro criou uma academia de magia e inaugurou a Era da Grande Magia — Aryumon não pôde deixar de respeitá-lo.
Embora ambos fossem magos da Classe 9, Aryumon reconhecia que suas próprias contribuições nunca poderiam se comparar às de Elthman, que revolucionou o campo da magia e mudou o futuro da humanidade.
Conduzindo-se atrás dos cavaleiros, Aryumon acabou chegando ao Hospital Geral Stella.
O que já fora uma enfermaria humilde para estudantes feridos transformou-se em um hospital de renome mundial, graças à enfermeira da escola, uma maga surpreendentemente talentosa que descobrira seus talentos excepcionais.
Mesmo hoje, dizia-se que fervilhava com pacientes de fora da academia.
Antes de entrar, Aryumon lançou um olhar para a cesta de maçãs douradas que carregava. Conhecidas como uma fruta lendária com a suposta habilidade de curar qualquer doença, eram, na verdade, simplesmente extraordinariamente deliciosas e raras.
Ainda assim, elas formavam o presente perfeito para animar um paciente.
“Este é o máximo que vamos acompanhá-lo.”
“Certo. Obrigado pelo incômodo.”
Depois que os cavaleiros saíram, uma enfermeira nervosa espiou por trás da porta.
“Enfermeira Raymie? Conduza o caminho, por favor.”
“Ah... Sim!”
“Onde fica Baek Yu-Seol?”
“Você precisará subir ao andar de cima...”
“Ha, que VIP, não é? Não era este o quarto que Elthman preparou para si caso ficasse ferido?”
“O diretor nunca o utilizou, nem uma vez…”
“É melhor que alguém o utilize do que ficar ali, acumulando poeira.”
Com passos hesitantes, Raymie guiou Aryumon pelos corredores do hospital.
“Ugh, o Presidente da Associação dos Magos, ele mesmo…”
Quem no mundo mágico não o conhecia?
Sempre que algum incidente significativo surgia na sociedade, inevitavelmente chegava aos seus ouvidos, e sua influência certamente ajudava a resolvê-lo.
Aryumon Brushun era o homem que capturara inúmeros criminosos mágicos e restaurara a ordem durante os primeiros anos caóticos da Era da Grande Magia. Seus esforços lançaram as bases para a sociedade mágica estável e regida por leis de hoje.
Seu rosto era tão familiar das manchetes que seria difícil não reconhecê-lo.
“H-aqui estamos….”
Raymie finalmente parou em frente ao quarto de Baek Yu-Seol.
Aryumon apontou com o queixo para ela abrir a porta. Surpresa pelo gesto casual dele, Raymie hesitou por um instante antes de alcançar a maçaneta.
“Espere.”
“S-sim?”
“Você não vai bater?”
“Ah, certo!”
Distraída pelo erro, Raymie bateu rapidamente, e uma voz de dentro chamou para entrar.
Com muito cuidado, ela abriu a porta e entrou no quarto de hospital de Baek Yu-Seol.
“Bem, isto é… bastante extraordinário.”
“Hã?”
A visão que a recebeu deixou Raymie completamente atônita.
Na sala estavam nada menos que:
O reitor da Academia Stella, Elthman Elwin.
O governante de todas as fadas e elfos, Florin.
E…
Ao ver as pessoas em formas vivas e coloridas, Raymie desmaiou no ato.
“Oh, céus.”
Pegando-a antes de ela tocar o chão, Aryumon murmurou, com tom exasperado.
“Isso é demais para uma mera visita hospitalar de um aluno do ensino médio.”
“Você chegou? Perfeito. Estávamos justamente para discutir algo importante,” disse Elthman com um sorriso brincalhão.
“Elthman, você jamais vai parar de falar como uma criança?” mostrou Aryumon, carrancudo.
“Por que deveria parar? Isso me faz sentir mais jovem, e eu gosto.”
Embora Aryumon tivesse ouvido boatos de que as Doze Luas Divinas estavam envolvidas com Baek Yu-Seol, ver com os próprios olhos ainda era assombroso.
Mesmo sendo um mago de Classe 9, o coração de Aryumon acelerava diante de sua presença. Que chance uma enfermeira comum como Raymie tinha?
Olhando para um grupo de garotas na sala, Aryumon pensou: “Devem ser as amigas de Baek Yu-Seol.”
Ele reconheceu seus nomes e rostos do Seminário Aslan, um encontro de elite dos talentos mais brilhantes.
Colocando a cesta de maçãs douradas que trouxera no chão, Aryumon lançou um olhar para a montanha de presentes empilhados ao lado da cama de Baek Yu-Seol e não pôde evitar balançar a cabeça, incrédulo.
Os visitantes presentes já eram impressionantes, mas os presentes na sala eram ainda mais notáveis.
Havia um buquê de Hae Seong-Wol, o Mestre da Torre da Lua Cheia, e uma escultura esculpida por Halsecoden, o infame “Alquimista Dourado” conhecido por seu comportamento excêntrico e caprichoso.
Também havia uma carta escrita à mão de Alterisha, recentemente celebrada como a maior inventor e farol de esperança para os adolescentes, entre as peças.
Havia ainda uma caixa de presente enviada por Melian, a presidente da Starcloud, o sindicato de comércio mais prestigioso do mundo, e uma espada cerimonial de Arein, o Comandante dos Cavaleiros Mágicos de Stella.
“… Por que alguém enviaria uma espada cerimonial?” Aryumon balançou a cabeça, descrente, murmurando: “Sinto-me o mais insignificante daqui.”
“O que importa é a intenção por trás disso, não é?”
— Haha, exatamente! É a intenção que conta.
Uma voz profunda interromveu de repente a troca entre Elthman e Aryumon. Um homem grande, de pele azul, avançou e estendeu a mão em direção a Aryumon.
— Um homem que atingiu um grande nível dentro dos limites do corpo humano. Respeito a você.
“Você me lisonjeia. Meu nome é Aryumon Brushun.”
— Vou lembrar desse nome.
A mão de Blue Winter Moon era tão fria que o poder mágico comum não suportaria.
‘… Ou seria força mental?’
Dependendo da força mental, o frio poderia parecer congelante ou morno. Era uma sensação misteriosa. Aryumon se perguntou se era o poder das Doze Luas Divinas agindo.
“Todos aqui são uma das Doze Luas Divinas. Vieram por causa da condição crítica de Baek Yu-Seol.”
“É uma honra conhecer todos vocês.”
Aryumon cumprimentou cada figura com educação, mas seu semblante endureceu quando finalmente encarou um homem em particular.
Com um porte sereno e uma aparência inteiramente marrom, o homem não era outro senão Dusk Soil Moon!
Aryumon o conhecia como a Doze Lua Divina que guardava Chelven, o Mago das Trevas — um inimigo que o perseguiu por toda a vida.
— Ah… Não me olhe assim. Chelven não é tão ruim quanto você pensa…
“Por sua causa, inúmeras vidas foram perdidas.”
Aryumon sabia que enfrentar um membro das Doze Luas Divinas aqui e agora resultaria apenas em sua derrota, mas ele não podia simplesmente deixar passar.
“Ei, ei, Aryumon. Presidente, espere um momento.”
Elthman rapidamente interveio, tentando acalmar a tensão.
Mas Aryumon sacudiu a cabeça e ergueu a mão para impedi-lo.
“… Quase fiz papel de tolo em uma sala onde um paciente jaz. Por favor, perdoe minha grosseria.”
— Não, Aryumon. Concordo com você. Dusk Soil Moon é longe demais imaturo e irresponsável.
— Tsc, tsc. Aquele garoto. Quantos desastres ele causou ao ignorar os avisos não se meter no mundo mortal?
— Dusk Soil Moon, não se desanime. A dor é um degrau para o crescimento.
— Merda… O que vocês sabem afinal…?
Sentindo-se abatido, Dusk Soil Moon pertencia e recuou para o canto dele. Observando isso, Florin discretamente desabrochou uma flor e a entregou a ele.
Aryumon desviou o olhar de Dusk Soil Moon e aproximou-se de Baek Yu-Seol, que continuava inconsciente.
Ao seu lado, Eisel, uma garota de cabelo azul-céu, ficou tensa ao Aryumon se aproximar.
— Filha do Grão-Duque de Morph. Você não tem com o que temer.
“… Sim.”
“Já se passaram mais de duas semanas desde que isso aconteceu, não é?”
Eisel acenou silenciosamente, e a expressão de Aryumon escureceu.
“Precisamos acordá-lo de alguma forma.”
Elthman, que também se aproximou, acrescentou.
“Este garoto mudará todos os nossos destinos. Ele não pode morrer aqui.”
“Essa é uma forma ousada de demonstrar preocupação por um paciente.”
“É por todos nós.”
“Por todos nós…”
Aryumon lutou para entender o que Elthman queria dizer.
‘Isso faz algum sentido?’
Ele era apenas um garoto de 17 anos.
E ele era um plebeu, não um nobre.
Um irregular que, apesar de não conseguir usar magia, tinha de alguma forma entrado na Stella Academy.
Quando apareceu pela primeira vez no mundo mágico ainda neste ano, ele era um garoto sem dinheiro, sem conexões e sem importância.
E ainda assim, em apenas um ano, sua presença no Mundo de Aether cresceu de forma tão monumental que nem mesmo Aryumon conseguiu compreender todo o seu impacto.
Como a queda de um único garoto poderia atrair não apenas um, mas quatro das Doze Luas Divinas para a cabeceira dele?
Aryumon voltou seu olhar lentamente para as Doze Luas Divinas, cujas expressões refletiam a mesma apreensão que ele sentia.
“Pode me dizer?” perguntou, “o que exatamente está acontecendo com este mundo?”
Após um breve momento de contemplação, Silver Autumn Moon coçou a barba e finalmente falou.
— Em dez anos, o mundo acabará.
“… Do que vocês estão falando?”
Uma declaração tão repentina deixou até mesmo Aryumon momentaneamente sem palavras.
Mas quem falava não era uma figura comum… era uma das Doze Luas Divinas.
E não qualquer uma delas — Silver Autumn Moon, um ser que transcende o tempo. Alguém assim não faz afirmações desse tipo levianamente.
À medida que a expressão de Aryumon se tornava de perplexidade, Blue Winter Moon continuou a explicação.
— Não. Era exatamente o que deveria acontecer.
“‘Era para acontecer’… Isso significa que a destruição foi atrasada?”
Aryumon perguntou, com a voz carregada de esperança. Mas as Doze Luas Divinas balançaram as cabeças em uníssono.
— Quase foi, graças àquele garoto.
— … Só porque somos as Doze Luas Divinas não significa que sejamos sempre benevolentes com o mundo.
— Fawn Prevernal Moon.
O nome proferido por Silver Autumn Moon provocou um choque na mente de Aryumon.
— Aquele começou a torcer os fragmentos da história, forçando a alterar o destino do mundo.
“Torcer a… a história?”
— Exatamente. Torcer o destino invertido, forçando-o a se curvar outra vez.
“E… o que acontece como resultado?”
— Eu já te disse.
O velho de cabelos prateados abaixou o olhar, a voz tingida de desespero.
— A Destruição está se aproximando — rapidamente. E, infelizmente, não podemos resistir a ela.
Depois de um breve silêncio, ele acrescentou uma última afirmação.
— Exceto por aquele garoto.
Essa foi a razão pela qual tantas das Doze Luas Divinas se reuniram neste lugar.
“Isso é inacreditável…”
Aryumon esperava notícias problemáticas, mas o que ouviu foi muito além do que poderia ter imaginado. Sua mente girou, lutando para processar a revelação estonteante.
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