
Volume 7 - Capítulo 645
I Can Copy and Evolve Talents
Capítulo 645: O Reino da Transcendência
Em sua quinquagésima sétima tentativa, algo mudou no ar do Palácio do Vazio. A habitual luz azul fantasmagórica pareceu prender a respiração, como se a própria realidade estivesse esperando.
Os dedos de Northern formigavam onde tocavam a empunhadura de Stainless.
Aquela sensação que ele vinha buscando estava mais próxima agora, pairando na beirada de sua compreensão como uma palavra na ponta da língua.
"Ainda não. Há algo mais."
Sua quinquagésima oitava investida veio mais suave que água.
Sua quinquagésima nona, mais silenciosa que um pensamento.
Cada tentativa o aproximava de... algo. Algo fundamental.
Bairan permaneceu imóvel, seus cabelos brancos perfeitamente calmos no palácio sem vento. Seus olhos traíam uma tensão crescente, como a de um homem observando o horizonte pouco antes do amanhecer.
Na sexagésima tentativa, Northern sentiu – um sussurro de compreensão que fez seu coração pular uma batida. Suas mãos tremeram levemente enquanto ele enfiava Stainless de volta na bainha.
"Mais uma vez."
Ele fechou os olhos, deixando tudo se dissipar. O som de sua respiração, o peso de suas roupas, a própria consciência de seu corpo – tudo se dissolveu até que restasse apenas sua conexão com Stainless.
Naquela perfeita quietude, algo se encaixou em sua mente.
O limiar de que Bairan falara não era um lugar entre o movimento e a imobilidade. Era o ponto onde movimento e imobilidade se tornavam a mesma coisa.
A sexagésima primeira investida de Northern transcendeu a técnica.
A lâmina não apenas cortou o ar – ela dividiu a própria existência.
Por uma fração de segundo tão pequena que poderia ter vivido entre batidas cardíacas, a realidade pareceu conter dois estados contraditórios:
Stainless estava simultaneamente na bainha e desenbainhada, em movimento e parada, presente e ausente.
Uma única gota d'água que flutuava na estranha atmosfera do Palácio do Vazio se dividiu. Não ao meio, mas de um modo que a separação não podia ser vista – apenas o rastro de duas gotas perfeitamente formadas se afastando lentamente.
Mais importante, Northern sentiu sua força do vazio ondulando. Não porque havia sido penetrada ou contornada, mas porque, por aquela fração de segundo infinita, a técnica existira no mesmo espaço que a própria força do vazio – entre a realidade e a possibilidade.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
A respiração ofegante de Bairan o quebrou como vidro. Seu rosto composto mostrava algo que Northern nunca vira antes: puro, descontrolado assombro.
"Mestre," sussurrou ele, e pela primeira vez, sua voz tremeu levemente. "Isso foi..."
Ele deixou a frase incompleta, aparentemente sem palavras. Seus olhos continuavam se movendo entre o rosto de Northern e Stainless, como se tentando conciliar o que acabara de testemunhar.
"Em todos os meus anos," Bairan finalmente conseguiu dizer, "nunca vi ninguém compreender a verdadeira natureza do Sussurro Lunar tão rapidamente. Mas mais que isso..." Ele fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente suas palavras. "Você não apenas executou a técnica. Você... a evoluiu!"
Northern olhou para a lâmina odachi, ainda sentindo o eco persistente daquele momento perfeito.
Ele sabia que não havia dominado a técnica – longe disso. Mas ele havia tocado algo profundo, algo que existia no espaço entre a intenção e a ação, entre a realidade e o vazio.
E de alguma forma, ele sabia que isso era apenas o começo.
"De novo," disse ele em voz baixa, sua voz carregando o peso de alguém que vislumbrara algo eterno.
O Palácio do Vazio se acomodou em um ritmo de investidas e bainhas, cada uma aproximando Northern da compreensão da verdadeira natureza do Sussurro Lunar.
Northern não fez pausas, continuando a desenbainhar sua espada.
A cada investida, a expressão de Bairan ficava mais complexa, misturando orgulho com algo que poderia ser preocupação.
O tempo se estendeu, mas a determinação de Northern permaneceu inabalável. Cada investida que se seguiu à sua transcendência momentânea ficou aquém daquele limiar perfeito que ele havia tocado.
A sexagésima segunda investida foi limpa, precisa – mas ordinária.
A septuagésima, poderosa e rápida – mas ainda presa às leis do movimento físico.
Na octogésima, a frustração começou a se infiltrar em seus movimentos, uma tensão quase imperceptível em seus ombros que não estivera lá antes.
"Por quê? Eu toquei nela. Eu sei que toquei nela."
A centésima investida veio e se foi, cada tentativa precisa, mas sem aquela qualidade etérea que havia feito a própria realidade pausar.
Bairan observava em silêncio, notando como as investidas tecnicamente perfeitas de seu mestre pareciam perseguir aquele momento singular como um homem tentando pegar sua própria sombra.
Cada tentativa era impecável na execução, mas de alguma forma mais distante daquele breve vislumbre de transcendência.
"Mestre..." Bairan finalmente falou, sua voz suave. "Talvez devêssemos—"
"Não." A resposta de Northern foi baixa, mas absoluta. Seus olhos permaneceram fixos em Stainless, procurando algo em sua superfície metálica. "Eu senti. Eu sei que está lá."
A centésima vigésima investida cortou o ar com precisão mortal, mas a leve franzido de Northern se aprofundou. Não era suficiente. Nem mesmo se aproximava do que ele havia tocado antes.
Cada investida subsequente se tornou um exercício de frustração crescente, escondida sob uma máscara de técnica perfeita.
Os movimentos permaneceram imaculados, mas aquele momento cristalino de compreensão parecia se afastar mais a cada tentativa.
Na centésima quinquagésima investida, o suor começou a brotar na testa de Northern – não de esforço físico, mas da tensão mental de tentar recapturar algo que existia entre os pensamentos.
"É como tentar pegar fumaça," ele percebeu, suas mãos começando a tremer levemente. "Quanto mais eu tento alcançá-la, mais ela se dispersa."
Ainda assim, ele continuou.
Investida após investida, cada uma perfeita, cada uma insuficiente.
A luz fantasmagórica do Palácio do Vazio parecia zombar dele agora, refletindo na lâmina de Stainless de maneiras que lhe lembravam daquele único momento perfeito que ele não conseguia mais alcançar. A preocupação de Bairan ficou mais evidente a cada tentativa, mas ele permaneceu em silêncio.
Ele reconhecia a expressão nos olhos de seu mestre – a coisa sobre o reino da transcendência era que, quando se tinha sede por ela, nada no mundo da esgrima seria capaz de satisfazer tal pessoa.
Era a própria fome que o havia levado a um ponto em que ele buscava a perfeição da espada em vez de conquistas com suas habilidades.
Mesmo quando o velho mundo lhe concedeu o título de Rei da Espada, e ele ganhou enorme prestígio por causa disso, ele ainda não estava satisfeito.
Havia algo que ele queria tocar mais. E embora o mundo o considerasse o mais forte, ele não estava lá.
O reino do transcendente era cruel.
A ducentésima investida cortou o ar com precisão mortal, mas a frustração de Northern finalmente se manifestou em um suspiro quase inaudível.
O momento perfeito que ele havia tocado permaneceu teimosamente fora de alcance, como um sonho que se desvanece ao acordar, deixando apenas a certeza de que algo profundo havia sido brevemente compreendido.
E ainda assim, a mão de Northern voltou à empunhadura de Stainless, pronta para outra tentativa.