I Can Copy and Evolve Talents

Volume 7 - Capítulo 642

I Can Copy and Evolve Talents

Capítulo 642: A Submissão do Aeterium [Parte 3]

Um ar estranho, quase nebuloso, envolvia o martelo de Northern.

Cada vez que o raio se lançava e atravessava aquele ar, desaparecia completamente nele.

Eleina tinha várias especulações na cabeça, mas nenhuma delas fazia sentido suficiente para explicar por que aquele ar frio apagava os raios, controlando seu dano antes que eles tivessem a chance de se espalhar violentamente.

Ela viu que Northern realmente sabia o que estava fazendo a cada golpe devastador que desferia no mineral.

No entanto, a pedra negra apenas brilhava com mais teimosia, com faíscas azuis dançando ao redor. 'Não parece que vai ceder.' Eleina cruzou os braços e observou com uma crescente tensão no coração.

Era como uma disputa de poder. Até agora, ambos os lados eram implacáveis. Ao observar o esforço de Northern em subjugar o mineral, ela havia passado de ter certeza de que era impossível para nutrir a esperança de que ele o quebraria.

No fundo do coração, ela sempre questionou essa parte de seu trabalho. No entanto, ninguém tinha o poder de subjugar minérios tão fortes.

Nascidos do coração da crueldade na fenda, este mineral carregava a maior vontade da fenda em seguir em frente. Suas raízes vinham do núcleo da fenda, no momento do nascimento.

Eles haviam visto seu crescimento e compartilhado sua transformação. Eram o componente mais severo de uma fenda, sua vontade eternamente ligada à anomalia espacial que gerava monstros.

Subjugá-los era como subjugar a própria fenda. Cada golpe contra a pedra negra, brilhando com reflexos azuis, era como golpear a vontade de centenas de monstros com um único martelo.

Não era o martelo que fazia o trabalho, mas o poder de quem o empunhava. A vontade da pessoa é o que irradia através de seu golpe. Quando o ego se choca com o ego, um confronto nasce, explicando assim a intensa resistência do mineral.

A única razão pela qual havia uma abordagem metódica para quebrar os minérios era porque ninguém era conhecido por possuir uma vontade forte o suficiente para igualar a de cem, talvez mil monstros, desesperadamente dispostos a sobreviver e carregar a essência de seu habitat.

No entanto, Eleina estava pensando diferente agora. Seus olhos se arregalaram quando Northern desferiu um golpe poderoso e uma rachadura cortou a pedra. O raio que surgiu desta vez estava mais fraco.

Um pequeno sorriso lentamente se espalhou pelo rosto de Eleina, seus olhos brilhando de entusiasmo.

'Insano...'

A resistência do Aeterium estava começando a vacilar, seu desafio lentamente dando lugar a algo mais: submissão.

Mas algo era diferente. Além do olhar sombrio no rosto de Northern, havia agora uma paz ecoando na melodia tosca de seus golpes.

"O que... o que você está fazendo?", perguntou Eleina, sua voz baixa, quase reverente.

"Negociando", respondeu Northern simplesmente, com o rosto inexpressivo. "Todo material tem uma vontade, como nos ensinam. Não parecia certo quebrá-lo. Então decidi que iria guiá-lo. Mostrar-lhe o caminho que ele não sabia que poderia seguir."

Os olhos de Eleina se estreitaram. "E qual é esse caminho?"

"O caminho para a perfeição."

Como para provar seu ponto, o Aeterium começou a brilhar. Não de raiva, mas em harmonia. Os raios que outrora se lançavam agora dançavam em sua superfície, formando padrões intrincados que brilhavam como alinhamentos de estrelas.

Os golpes de Northern diminuíram, cada um deliberado e firme, moldando o mineral com uma precisão que beirava o divino.

O ar na forja mudou. A tensão opressiva se dissipou, substituída por uma estranha quietude quase calmante. Até o riacho lá fora parecia silenciar, como se o próprio mundo estivesse observando.

Eleina deu um passo cauteloso para frente, seu ceticismo dando lugar à curiosidade. "Como você está fazendo isso? Isso... isso não é forja normal."

Northern finalmente parou, apoiando o martelo na mesa. Ele se virou para ela, sua expressão séria.

"Não se trata do martelo, da força, ou mesmo da vontade. É sobre entender com o que você está trabalhando. Quando comecei a bater, mostrei a ele a pressão avassaladora da minha vontade, se eu quisesse esmagá-lo completamente, eu poderia. Sendo uma essência egoísta e sentimental, ele contra-atacou, mas de uma maneira muito mais primordial. Ele estava apenas se protegendo contra minha força.

"Então eu tive que mostrar que isso também era inútil. Então ele começou a se submeter. Mas minha vontade não apenas se assentou sobre ele. Eu queria entendê-lo. A compreensão que sinto é necessária para conseguir trazer o melhor do mineral. Nessa compreensão, consigo mostrar a ele uma melhor forma de serviço para levar adiante sua vontade."

Northern terminou com um sorriso sombrio. Então ele olhou para o mineral.

'Embora eu não tenha certeza se este é o atalho que preciso.'

Eleina piscou, sua mente correndo para processar suas palavras. Ela havia ouvido falar de antigos ferreiros que afirmavam 'se comunicar' com seus materiais, mas sempre havia descartado isso como besteira supersticiosa.

Ainda assim, ali estava Northern, parado diante dela com um pedaço de Aeterium que não parecia mais uma força indomável da natureza. Parecia... dócil. Belo.

"Está pronto", disse Northern, interrompendo seus pensamentos.

"Pronto para quê?", perguntou ela, sua voz quase um sussurro.

Northern piscou, "Para que mais? Para ser forjado em uma marreta."

Eleina franziu a testa um pouco. "Uma marreta? A pessoa que fez o pedido não pediu uma marreta."

"Se o poder deste minério realmente quer ser visto, ele tem que ser forjado em uma marreta e empunhado por alguém cuja vontade seja tão forte quanto seu poder de arremesso."

"Como você saberia disso?", perguntou Eleina, perturbada.

Com um floreio, Northern ergueu o Aeterium brilhante da mesa e o ergueu em direção à luz.

Ele sorriu, "Porque eu o entendo."

Os padrões de raios brilhavam e giravam, formando uma forma que lembrava uma águia em vôo — um testemunho de sua força e sua liberdade.

Eleina ficou olhando, incapaz de esconder sua admiração. "Você... você realmente fez isso. Você o domou."

Northern deu de ombros, embora o orgulho em seus olhos fosse inegável. "Eu disse que faria. Agora, sobre aquela festa..."

Eleina gemeu, apertando a ponte do nariz. "Você é impossível."

"E ainda assim, aqui estou", respondeu Northern, seu sorriso insuportável.

Eleina não pôde deixar de rir, apesar de si mesma. Pela primeira vez em anos, ela sentiu um vislumbre de esperança, uma esperança perigosa e imprudente de que, talvez, apenas talvez, as marés finalmente pudessem mudar.

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