
Volume 5 - Capítulo 428
I Can Copy and Evolve Talents
Capítulo 428: Infiltração
O deserto inteiro tremeu com os passos furiosos de uma única pessoa.
Jeci se movia pela tempestade como um furacão que rasgava a areia vermelha numa determinada direção, deixando para trás uma montanha de areia e poeira que se erguia como ondas enfurecidas.
Ela era mais do que uma guerreira correndo; parecia uma força da natureza, imponente, contra a qual ninguém ousaria se opor.
Mesmo de longe, os guardas substitutos já a observavam, armas em punho, alertas para qualquer ataque inesperado.
— Parece que uma tempestade está chegando — disse um para o parceiro.
— Espero que pare por aí — respondeu o outro, com o rosto pálido.
De repente, a tempestade desapareceu e tudo se acalmou. As ondas de poeira distantes foram se assentando lentamente.
Os dois examinaram a distância com cautela meticulosa, antes que o primeiro a falar dissesse novamente:
— Parece que passou?
— Hm, parece que sim... — a voz do outro saiu mais rouca, denunciando a idade.
Para eles, a tempestade havia se dissipado, mas Jeci havia executado perfeitamente a distração necessária para escapar de sua vista.
A tempestade de areia não foi coincidência; foi uma artimanha para que eles não a vissem chegando.
Era um risco, pois corria o perigo de ser percebida — os guardas imperiais eram treinados especialmente em percepção.
O fato de não ter sido percebida a informou que os guardas originais deviam estar mortos, o que significava que Northern já estava dentro do Império.
Ela estalou a língua, frustrada, o rosto marcado pelo estresse mental. 'Como ele pôde fazer isso comigo?', pensou enquanto corria.
Desta vez, seus passos eram leves, mas rápidos, firmes, como se tivesse pés de vento.
O suor escorria pelo rosto, as costas da roupa estavam úmidas, mas ela continuou em frente, com uma leve expressão de preocupação.
Depois de um tempo, chegou à muralha curva, como de costume. Olhou para cima, estreitou os olhos e passou a mão pela superfície, fechando-os.
Concentrou-se no tato, mais do que em qualquer outro sentido. E logo sentiu algo.
A superfície da muralha era impecavelmente lisa, como a pele de um metal frio e limpo, mas havia um ponto irregular, levemente saliente.
Jeci abriu os olhos no instante em que o observou e franziu a testa.
Empurrou a saliência para dentro.
Imediatamente, a areia começou a escorrer para baixo, enquanto uma porta se abria no chão, revelando uma escada escura e decrépita.
Jeci certificou-se de que não havia ninguém por perto antes de descer pela escada subterrânea.
Ao descer, a entrada se fechou automaticamente. A saliência se recolocou lentamente no lugar, e a areia se moveu para cobrir a superfície, como se levada por uma força invisível.
Depois de algum tempo, nem o mais brilhante dos detetives suspeitaria que ali havia uma entrada.
Cerca de uma hora depois, algumas pessoas estavam na beira do deserto.
Eram:
Raven, que, em comparação com outras vezes, estava impecável; seu rosto brilhava levemente na noite escura. Seus olhos escarlates, no entanto, eram cruéis e desprovidos de emoção. Vestia uma armadura preta e ajustada, com uma capa negra como a escuridão flutuando sobre o corpo.
Helena, com um traje verde claro; usava apenas um short justo que parava logo acima do joelho, e a parte de cima lembrava um quimono, com gola cruzada – seus músculos definidos estavam à mostra. Seus olhos olhavam para frente com atenção.
Ryan, John – o "Dentes de Navalha", um rapaz baixo com cabelo azul espetado.
E a última pessoa era Erikson, que, em todos os aspectos, era a própria timidez personificada. Parecia ainda mais tímido que Ellis e socialmente desajeitado.
Ninguém o veria em meio à multidão; na verdade, ele raramente era visto.
Raven havia insistido que ele se tornasse líder do grupo na época. E embora todos tenham concordado no final, ainda achavam que ele era bastante inútil.
E agora, Raven insistiu que Erikson viesse com eles.
Ninguém entendeu o porquê, nem mesmo o próprio Erikson. Mas ela insistiu.
Todos se alinharam na borda do ponto onde o deserto vermelho que levava às muralhas do Império começava.
— É realmente um lugar lindo. Enorme! — exclamou Helena.
Raven lançou-lhe um olhar de desaprovação.
— O quê? — resmungou Helena.
— Você claramente nunca esteve na Academia, se acha isso incrível. As muralhas do Império Luinngard são magníficas, mas a Academia... — suas palavras foram interrompidas.
Então John continuou por ela: — É enorme... — ele olhou para ela com uma pequena expressão de desaprovação.
Raven sorriu brevemente e focou seu olhar para frente, em direção à muralha curva no horizonte.
Helena deu de ombros e falou após alguns segundos de silêncio:
— Então, vamos ficar aqui olhando a noite toda?
Raven franziu a testa: — Claro que não. — Seus olhos se moveram para a esquerda e para a direita, observando todos ao seu lado.
Então, voltou-se para frente e disse: — Precisamos de uma distração. Helena, seu talento envolve algo sobre a atmosfera em que você se encontra, certo? Acha que consegue fazer?
Helena franziu a testa: 'Como diabos ela sabe disso?', pensou.
De qualquer forma, ela se adiantou, agachou-se e tocou a areia com as duas mãos.
Seus olhos começaram a emitir um brilho âmbar, as marcas em seu rosto se intensificaram, cruzando-se. De cada lado da mandíbula, sobre os olhos até a testa.
Fechou os olhos e os abriu.
Imediatamente, a areia começou a se erguer como ondas e avançou com força.
Os olhos de John se arregalaram: — Oh, benza-me a mãe, o que você fez?
Helena olhou para a mão: — Bem, para ser precisa, posso mudar as propriedades do meu ambiente, mas certas condições precisam ser atendidas.
Ela olhou para a poderosa onda de areia que se aproximava como um tsunami e acrescentou: — O que eu fiz foi dar ao deserto a propriedade da água e torná-lo bastante caótico.
— Impressionante — elogiou John.
— Ela é impressionante — concordou Raven. — Temos que ir agora.
Naquele momento, todos os olhares se tornaram obstinados.