De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 946

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Chovia feito Deus estava despejando o céu na terra, transformando as ruas em rios cinzentos. Funcionários de escritório, encharcados e desanimados, caminhavam pela calçada, com a cabeça longe das fofocas e intrigas corporativas de sempre. Tudo o que eles queriam era escapar do tempo horrível e se aconchegar no calor de suas casas. Mas ao chegarem no saguão do prédio da Azure, não conseguiram evitar falar sobre a maior revelação do dia anterior.

"Será que podemos sequer trazê-lo de volta?", sussurrou uma mulher, com o casaco encharcado na barra.

"Não podemos!", sibilou sua colega, balançando a cabeça enquanto apertava o aperto na pasta. "O contrato foi anulado. Além disso, eles já o substituíram pelo Joonie."

"Sinceramente, foi um prejuízo nosso. Deixamos ir um dos maiores ídolos da geração. Deveríamos ter esperado até que ele fosse considerado culpado ou inocente."

Ambas tremeram, embora não fosse só de frio. A notícia havia abalado a Azure Entertainment até a sua essência. June – o garoto de ouro da EVE, sua galinha dos ovos de ouro – havia sido considerado inocente. As acusações que haviam virado seu mundo de cabeça para baixo se desfizeram como poeira, deixando todos se perguntando o que aconteceria a seguir.

Quando a conversa morreu, os funcionários de escritório avistaram alguém caminhando em direção ao prédio. Piscaram os olhos, sem certeza se estavam vendo coisas.

"Aquele... é o June?"

June passeou pelo escritório como se o sol tivesse rompido apenas para ele. Ele não estava curvado ou se escondendo sob um capuz. Caminhava com uma confiança que chamava a atenção até em um dia chuvoso como aquele. Seu sorriso era radiante, e sua postura gritava liberdade, como se ele não tivesse acabado de ser acusado!

Os funcionários ficaram paralisados, de queixo caído, enquanto ele passava, indo direto para as portas da Azure.

Para surpresa deles, June parou diante deles, com o cabelo molhado grudado na testa e algumas gotículas na pele. No entanto, isso não o deixou menos bonito. Ao contrário, o deixou ainda mais encantador!

"Posso usar seus crachás para entrar?", pediu ele com um sorriso brilhante. "Já perdi o meu."

Os funcionários se olharam antes de concordarem distraidamente.

Lá dentro, a atmosfera não estava menos tensa. No escritório de Lei, as coisas estavam desmoronando mais rápido do que qualquer um conseguia controlar.

"Como isso é possível?", a voz de Lei cortou a sala enquanto ele jogava o telefone na mesa. Seus olhos penetrantes se voltaram para Dan, que estava parado desajeitadamente perto da porta.

Dan fez uma careta, coçando a nuca nervosamente. "E-Eu não sei. Ela mudou a história. Não há nada que possamos fazer agora, senhor."

Lei percorreu a sala de um lado para o outro, a mente a mil. "Nada que possamos fazer? Você está brincando comigo? Tínhamos tudo planejado!" Seus punhos se fecharam. "Onde está a Scar?"

"Scar?", Dan pigarreou, mexendo-se desconfortavelmente. "Bem, eu ainda não consigo alcançá-la. A família dela—" "Desapareceu", rosnou Lei. "Você acha que eu não sei disso?"

Dan engoliu em seco. Scar havia sido seu trunfo – a garota que estava na boate naquela noite, que poderia enterrar June com um único depoimento. Lei havia prometido a ela um contrato de atuação, um caminho rápido para os holofotes se ela fizesse apenas aquilo. E ela havia concordado, relutantemente. Mas agora? Ela havia sumido, evaporado como fumaça no vento.

"As fotos que você tem", continuou Lei, sua voz baixa e perigosa, "são inúteis. Elas só o mostram na boate. Não provam nada."

Dan permaneceu em silêncio, tentando encontrar uma resposta, mas nada do que ele pudesse dizer acalmaria Lei.

"E agora a família da vítima sumiu do mapa." Lei apertou a ponte do nariz, sentindo uma dor de cabeça chegando. "Ela está fora do nosso alcance. Não há mais nenhuma testemunha para incriminá-lo." "Talvez a gente ainda possa—" Dan começou, mas foi interrompido quando a porta rangeu.

June entrou na sala, trazendo consigo uma calma repentina, quase assustadora. Ele não parecia abalado pela fúria de Lei ou pela energia nervosa de Dan. Ele simplesmente estava... ali, sorrindo como um homem que havia saído da tempestade do outro lado.

"Só vim pegar uma coisa", disse June, sua voz suave como sempre.

Os olhos de Lei se estreitaram. "Jay já pegou todos os seus pertences", cuspiu ele através dos dentes cerrados. "Você não pode estar aqui. Você não faz mais parte da Azure."

O olhar de June vagou preguiçosamente pela sala antes de pousar em Lei. A tensão era densa, e Dan sentiu um arrepio subir pela espinha enquanto June e Lei trocavam olhares. Havia algo não dito entre eles, algo que fez Dan querer estar em qualquer lugar, menos ali.

"Você reformou o escritório?", perguntou June. "Por que parece... pior do que antes? Você perdeu todo o dinheiro depois que eu saí da empresa?", perguntou June em tom de brincadeira.

Por um momento, o silêncio pairou no ar. Então, Lei zombou. "Você ainda acha que pode continuar sua carreira assim? Mesmo com as acusações retiradas, você não é nada sem a EVE. As outras empresas não vão se aproximar de alguém como você – um ídolo desafiador, problemático e sem lealdade à agência."

O sorriso de June não vacilou. Na verdade, pareceu se alargar. "É isso que você pensa?"

A expressão de Lei endureceu. "Eu sei disso."

Os olhos de June brilharam de divertimento. "Vamos ver."

Dan se mexeu, olhando nervosamente para os dois. Ele não tinha certeza do que era mais desconcertante – a raiva contida de Lei ou a calma de June.

"Você não vai encontrar outra empresa", continuou Lei, sua voz carregada de veneno. "Você acha que pode sair daqui e simplesmente assinar com outra pessoa? Você está sonhando. A indústria não funciona assim. Ninguém quer um peso morto."

June riu baixinho, balançando a cabeça como se Lei tivesse acabado de contar uma piada. "Ah, não se preocupe. Eu não estou aqui para te atormentar, Lei."

Lei levantou uma sobrancelha, claramente sem esperar aquilo. "Então por que você está aqui?"

June fez uma pausa, seus olhos encontrando os de Lei novamente. "Eu só estou aqui para agradecer."

As palavras pairaram no ar como uma bomba prestes a explodir. Lei e Dan o olharam,

confusos.

"Agradecer?", ecoou Lei, seu tom afiado de descrença.

O sorriso de June nunca vacilou. "É. Obrigado por me deixar sair da Azure de graça."


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