De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 965

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

—"Você é um gênio mesmo", disse Lena. "Como você sabia que ele viria atrás de mim?"

June sorriu de lado, encostado no sofá. Eles estavam no apartamento de Haruto agora. Os quatro haviam construído uma amizade inusitada. Apesar de ser anos mais novo que os outros três, June se sentia o mais velho entre eles.

Ele ainda tinha um tom azulado na pele por causa da tinta que Haruto comprou, que tinha tinta de verdade, mas ele não se importava.

Nada poderia estragar o seu dia.

—"Tem muita coisa que eu sei sobre o June, mas me escapa como ele sempre acerta essas coisas", disse Jay antes que June pudesse responder. "Mas já me acostumei."

Haruto sorriu de lado enquanto ouvia a conversa deles.

—"É porque ele não tem outra escolha", respondeu June, ignorando o comentário de Jay. "Ele tinha arruinado tudo. Ele nem consegue fazer o Dan fazer nada agora, já que o deixou sozinho. Ele também não pode confiar no seu vizinho, porque explodiu com ele por não ser o dono da Phoenix."

—"No fim, ele não tem mais ninguém."

—"Ele achava que tinha você, mas se enganou também."

—"Ele está realmente sozinho."


O interior era muito mais tranquilo do que Lei esperava. A casa que Lena mandou ele ir era enorme — uma casa de três andares aninhada entre colinas, cercada por árvores e estradas longas e sinuosas. Sem vizinhos por pelo menos um quilômetro.

Enquanto observava a quietude pela janela, a constatação de que estava realmente sozinho começou a afundar.

—"Essa casa é de outro mundo", resmungou Lei, encostado no parapeito da janela, balançando a cabeça em descrença. "A Lena é rica mesmo."

Ele respirou fundo, tentando limpar a mente. Mas não funcionou. Seus pensamentos voltavam para a catástrofe que acabara de acontecer. Quem poderia tê-lo delatado?

Não podia ter sido coincidência. Ninguém sabia, exceto algumas pessoas, e mesmo assim, elas deveriam ser leais. Sua mente girava com a perda — o império que ele construíra na indústria do entretenimento estava desmoronando.

Claro, ele havia perdido o seu lugar nos holofotes, mas isso não era o pior. Ele estava começando a perder a noção de quem era.

Será que ele poderia recomeçar? Construir algo das cinzas de sua vida antiga? Será que ele... poderia montar uma gangue de novo?

Ele soltou uma risada amarga ao pensar nisso. Parecia uma vida inteira atrás, mas as lembranças ainda se agarravam a ele.

Tudo começou há 12 anos.

Naquela época, Lei não tinha uma visão para o seu futuro. Ele era um sem rumo, se metendo em encrencas e, eventualmente, sendo expulso de casa pelos pais. Eles não tinham mais paciência para ele. Mas Lin Zhi, seu irmão mais novo, era diferente. Lin Zhi estava cheio de esperança, cheio de sonhos que pareciam grandes demais para o seu mundo pequeno e pobre. Ele queria ser um ídolo — uma verdadeira estrela.

Mas eles não tinham dinheiro para aulas, para contatos, para nada disso.

Mesmo depois de Lei ser expulso, Lin Zhi continuou a visitá-lo, trazendo comida e falando sobre seus planos. Não importava quanta confusão Lei causasse, não importava o quão desastrado e descuidado ele fosse, Lin Zhi acreditava nele. E por causa disso, Lei também queria acreditar em algo.

No começo, foi por Lin Zhi — para realizar o sonho de seu irmão, para dar a ele uma chance no sucesso. Mas em algum momento, Lei encontrou um sonho próprio.

A gangue de Lei começou como algo pequeno, algo que ninguém realmente conhecia. Ele permaneceu anônimo porque se sentia mais seguro assim. Ele não queria envolver sua família, e não queria que as esperanças de Lin Zhi estivessem ligadas ao mundo obscuro em que estava entrando. Mas a gangue cresceu rapidamente, e as pessoas nela o ouviam. Elas o respeitavam. Ele tinha apenas 19 anos, mas assim que sentiu o gostinho daquela lealdade doce, doce, assim que percebeu que podia fazer os outros trabalharem para ele...

...era fim de jogo.

Flashback, 2012: Xangai, China

Era tarde da noite, e Lei estava em uma das vielas da cidade, sua gangue em algum lugar por perto, de olho nas coisas. Ele se encostou na parede suja de uma loja fechada, fumando um cigarro e mantendo a cabeça baixa.

Ele deu uma tragada e expirou, observando a fumaça se enrolar na noite.

Então, ele o viu — um homem careca, provavelmente na casa dos 40 e poucos anos, andando com confiança pela viela de terno.

Ele tinha um chaveiro de esfregão pendurado na pasta. Lei levantou uma sobrancelha. Que tipo de idiota anda sozinho por aqui, com essa aparência?

Seu instinto era roubar o cara. Sua gangue poderia usar o dinheiro, e ninguém piscaria para mais um empresário apanhando nessa parte da cidade. Mas algo reteve Lei. — "Ah, a gente poderia usar o dinheiro, no entanto", murmurou ele. "E esse cara parece rico." Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, o homem o notou. Em vez de parecer assustado, no entanto, ele foi direto até Lei, parando a alguns metros de distância.

—"O que um jovem como você está fazendo em um lugar tão perigoso como este?", perguntou o homem careca, sua voz calma, quase curiosa.

Lei não respondeu. Ele manteve sua expressão neutra, observando o cara com cautela.

O homem não pareceu intimidado pelo silêncio de Lei. Em vez disso, ele tirou algo do bolso do casaco e estendeu — um band-aid.

—"Limpe-se. Você tem um corte no rosto."

Lei olhou para seu reflexo na vitrine de uma loja próxima e notou o pequeno corte perto de sua têmpora. Ele nem havia percebido que estava sangrando.

—"Você não tem aula amanhã ou algo assim? Você deveria ir para casa. Seus pais devem estar preocupados", continuou o homem, ainda oferecendo o band-aid. "Você ainda é jovem. Você não deveria estar perdendo seu tempo em becos."

Lei zombou, afastando a mão do homem. —"Vá embora, velho. Você não sabe nada sobre mim."

O homem apenas suspirou e balançou a cabeça, mas não foi embora.

—"Ah", murmurou ele, mais para si mesmo do que para Lei. "Eu pensei que você fosse ele. Que pena. Seu coração é negro e não tem esperança."

Lei franziu a testa, surpreso com o comentário enigmático. —"Do que diabos você está falando?"

Antes que o homem pudesse responder, um barulho alto quebrou a tensão. Lei virou a cabeça para ver um gato preto saindo de um caixote de lixo, a tampa batendo atrás dele.

Quando Lei se virou, o homem careca havia sumido.

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