
Capítulo 933
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
O som suave do violão preencheu o ar enquanto os Buskerz começavam a tocar os acordes iniciais. A melodia flutuou suavemente pela multidão, e June pôde ver suas expressões se suavizarem, a expectativa pairando em cada nota. "É Erva Daninha!", Haruto se virou para Marcus com os olhos arregalados. "Eu amo essa música!", exclamou. "Vai ser icônico se ele cantar muito bem." "Ainda vai ser icônico se ele cantar mal. Na verdade, seria melhor! Não podemos ter esse cara de escritório ideal cantando bem também." – Esse cara é corajoso. Ele vai cantar Erva Daninha? – É uma música do Park Hyoshu, de todas as coisas? Ele está pedindo para morrer! – Nem artistas conseguem cantar bem essa música. – É verdade. – De qualquer forma, o talento dele não seria um fator para a minha paixão. Ele ainda será meu garoto coreano do mês. June aproximou o microfone do peito. Ele não sabia por que havia escolhido "Erva Daninha" dentre todas as músicas. A decisão lhe veio do nada, como uma brisa repentina que remexia velhas memórias. Mas agora, ali parado, com tantos rostos o olhando, tudo fazia sentido. Ou talvez não fizesse sentido algum.
Ele não conseguia explicar. Ele estava passando por um momento difícil recentemente, e não era apenas a pressão pública ou sua saída da Azure. Talvez fosse tudo o que ele havia passado desde que começou essa jornada de se tornar um ídolo. Ele não havia percebido o quanto isso o afetava até agora, parado na frente dessa multidão com o violão o guiando suavemente para frente. Ele se sentia perdido nos holofotes, como se tivesse se desviado do caminho que havia traçado um ano atrás. E assim, quando a introdução chegou ao fim, June fechou os olhos e começou a cantar.
"Erva daninha no jardim, onde você não pertence,
Puxada pela mão que pensa que você está errado,
Mas você renasce, com raízes tão profundas,
Na terra onde outros dormem." A letra fluiu dele, cada palavra cheia de uma estranha familiaridade. Com sua primeira frase, as pessoas ficaram instantaneamente cativadas. Até mesmo Haruto, que conhecia o talento de June desde jovens, não pôde deixar de se surpreender. "Ele realmente nasceu para isso", sussurrou com um pequeno sorriso. "Eu fui quebrado, eu fui jogado fora,
Na poeira, onde nada cresce.
Mas mesmo aqui, em uma terra árida,
Eu encontro força para resistir." As pessoas fecharam os olhos enquanto o ouviam cantar. Quando o refrão começou, os membros da banda se olharam com os olhos arregalados. Esse cara era bom — terrivelmente bom. O baterista balançou a cabeça. Ele era ainda melhor que o vocalista principal deles!
"As tempestades virão, e as raízes se romperão,
A chuva não cairá, e o céu não se importará.
Mas eu encontro a luz em céus vazios,
E ainda assim, eu me levanto, ainda me levanto."
– Nossa! Ele É o nosso garoto coreano do mês. Como ele consegue cantar tão bem? – É injusto. Como esse cara consegue cantar tão bem também? – Ele soa como um cantor profissional. – Mas ele não soa familiar? – Ele soa como o June! Huhuhuhuhu. – Amiga, sinto tanta falta dele que só consigo ouvir ele também! Estou chorando porque esse cara soa como meu ídolo favorito de todos os tempos. – Com todo respeito, por que June estaria aqui? É impossível. – É, eu só estou me agarrando a essa ideia porque sinto muita saudade dele. – Literalmente se passaram três dias. "Mesmo quando a beleza se transforma em pedra,
Mesmo quando o vento corta até os ossos,
Eu me levantarei, com raízes tão profundas,
Eu sou o sonho que você não conseguiu guardar."
Enquanto June continuava a cantar, ele começou a questionar seu propósito. Era por causa de seu sistema? De sua irmã? Agora que seu sistema havia desaparecido e sua irmã estava com ele, ele ficou inseguro sobre a resposta. Ele também começou a questionar por que as pessoas começaram a amá-lo. Era por causa de sua aparência? Porque as pessoas achavam que ele era bonito agora, e isso as fazia gostar mais dele? O pensamento o assombrava às vezes, infiltrando-se em sua mente quando menos esperava. Ele sempre foi a mesma pessoa, mas tudo mudou assim que o mundo começou a notá-lo.
Mas mesmo enquanto cantava, com o peso da música o envolvendo, algo mais começou a se agitar. A reação da multidão foi suave a princípio — um sorriso de apreciação aqui, um olhar pensativo ali —, mas à medida que a música continuava, essas expressões se aprofundavam. As pessoas começaram a balançar suavemente, concordando com o ritmo, seus sorrisos ficando mais largos.
Por apenas um instante, June se deixou perder naquilo. Na música, na multidão. Sua voz, crua e emocional, carregava sobre o parque, alcançando cada canto, cada ouvinte. A música era sobre sobrevivência, sobre algo pequeno e insignificante que ainda encontrava uma maneira de crescer, mesmo quando o mundo tentava destruí-lo.
"Uma erva daninha é puxada, pisoteada e esquecida, mas ela sempre retorna — mais forte, e pronta para crescer onde nenhuma flor se atreve."
Quando os acordes finais da música desapareceram, June abriu os olhos. Os aplausos foram imediatos, mas June não estava focado nos aplausos ou nas vaias. Seus olhos haviam se fixado em algo completamente diferente.
Ao longe, além da multidão, elevando-se acima do parque, havia um outdoor. Uma imagem familiar o encarava, ligeiramente rasgada nas bordas, desgastada pela exposição aos elementos. Era seu grupo, EVE. Seus membros sorrindo alegremente, seus rostos estendidos pelo pôster gigante.
O peito de June se apertou. Vê-los ali, tão perto e ao mesmo tempo tão longe, lembrou-o por que ele estava fazendo aquilo em primeiro lugar. A multidão à sua frente agora, todos com histórias diferentes — professores, alunos, pais que lutavam, casais que pareciam não sorrir há semanas —, eram as pessoas que o cercavam. Essas eram as pessoas para quem ele cantava.
E sua música havia trazido sorrisos aos seus rostos. Talvez não fosse o tipo de sucesso glamouroso que alguns ídolos sonhavam, mas era real. Sua música lhes dava uma fuga momentânea de suas lutas diárias, assim como havia feito para ele anos atrás. Afinal, este era o seu sonho — não a fama, não os holofotes, mas a conexão.
June ficou ali, o barulho dos aplausos se esvaindo em segundo plano, enquanto percebia algo profundo. Ele estava tão envolvido no turbilhão de tudo que havia esquecido por que havia começado em primeiro lugar. Não era apenas sobre ser visto. Era sobre compartilhar algo, sobre dar aos outros o que a música sempre lhe dera.
E isso valia a pena lutar. Sempre.