
Capítulo 895
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Uno desligou a câmera e começou a filmar o Vovô.
As linhas marcadas em seu rosto contavam histórias que palavras jamais poderiam, e seus olhos brilhavam com a sabedoria que só anos de trabalho árduo e amor poderiam trazer.
— Você é um gênio — disse June, cutucando o ombro de Hana, fazendo as bochechas desta corarem.
— Kyaah! Esse casal é realmente fofo.
— Por favor, não shippam a June com ninguém.
— A June não pode ter um relacionamento.
— Que público estranho.
Eles estavam parados perto de sua pequena e modesta casa de fazenda, cercados por campos verdes.
O Vovô acabara de contar sobre sua vida como fazendeiro. Ele falava com paixão e um pouco de humor, o que tornava o processo de filmagem ainda mais agradável.
Os membros do elenco estavam animados, suas preocupações anteriores sobre o desafio dissipando-se enquanto se perdiam na história do velho.
— Ficou ótimo, não ficou? — Haruki sussurrou para June. — Acho que isso pode ser um trabalho premiado, desde que editemos bem.
June assentiu, ainda absorta nas palavras do Vovô. A outra equipe havia optado por uma abordagem mais estética. Eles não podiam vencê-los em seu próprio jogo.
Então, June e sua equipe escolheram algo diferente, algo cru — mais como um vlog realista.
O Vovô, percebendo que a câmera ainda estava ligada, riu. — Vocês realmente sabem como fazer um velho se sentir especial. Não sei o que vocês vão fazer com toda essa conversa, mas espero que seja bom para vocês.
— É mais do que bom — disse June, sorrindo calorosamente, sinalizando para Uno terminar o vídeo.
O rosto do velho se suavizou, e ele ofereceu: — Que tal vocês entrarem um pouco? Querem alguma coisa para comer?
Hana olhou cautelosamente para o cinegrafista antes de balançar a cabeça. — Acho que não podemos fazer isso, Vovô.
O rosto do velho caiu, então June rapidamente salvou a situação. — Eles nunca nos disseram que era proibido — ele sorriu. — Vamos entrar se estiver tudo bem para o senhor.
— Claro! — exclamou o Vovô. — Posso oferecer alguns petiscos — milho cozido e bananas, se estiver tudo bem?
O rosto de Casper se iluminou. — Mais do que suficiente, Vovô! Obrigado!
Os outros olharam para June com hesitação, mas ele acenou com a cabeça em sinal de segurança, então todos seguiram o Vovô para dentro de sua pequena casa.
Era exatamente como eles esperavam.
A casa era simples, mas aconchegante, com móveis de madeira que claramente haviam visto muitos anos de uso. Algumas fotos desbotadas decoravam as paredes, e uma grande foto emoldurada de uma mulher bonita estava no centro. Seus olhos eram suaves e gentis, e seu sorriso estava cheio de vida.
— Essa é minha esposa — disse o Vovô, percebendo seus olhares demorando na foto. Sua voz estava cheia de orgulho, e era claro que a mulher na foto significava tudo para ele.
June hesitou por um momento antes de perguntar: — Tudo bem se continuarmos filmando?
O Vovô assentiu, acenando com a mão despreocupadamente. — Podem continuar. Eu não me importo. Só não se preocupem comigo também.
June cuidadosamente colocou a câmera na mesa, ajustando-a para que captasse apenas o Vovô. Todos se reuniram, sentando-se nos almofadões desgastados no chão, prontos para ouvir mais da história do Vovô.
— Quanto tempo o senhor mora aqui? — perguntou Uno.
Naquele ponto, a cena mudou para outra — uma que mostrava o progresso da outra equipe.
No entanto, aquelas palavras ainda ressoavam nos membros do elenco no local.
— Toda a minha vida — respondeu o Vovô, seus olhos ficando vidrados enquanto ele se lembrava do passado. — Essa terra foi do meu pai antes de ser minha. E do pai dele antes disso.
— Uau — Haruki suspirou, claramente impressionado. — Isso é muito tempo.
O Vovô riu baixinho, acenando com a cabeça. — É. Uma vida inteira, realmente.
— O senhor já quis mais? — perguntou June cuidadosamente. — Tipo, o senhor já desejou ter feito algo diferente? Morado em outro lugar?
Por um momento, o Vovô ficou em silêncio. Parecia que ele estava procurando as palavras certas. Então, finalmente ele falou.
— Eu quis — ele admitiu. — Em um momento da minha vida, eu quis. Não é assim com todos nós?
Todos acenaram com a cabeça. Vivendo como artistas, parecia que eles sempre queriam mais. Era apenas a natureza de seu trabalho.
— Eu era jovem e inquieto, como todos vocês. Pensei em ir embora, ir para a cidade e fazer algo grande de mim mesmo. Sempre houve aquela vozinha na minha cabeça dizendo que eu era destinado a mais.
Ele fez uma pausa, olhando para a foto de sua esposa antes de continuar. — Mas então eu conheci ela. E de repente, todos aqueles sonhos de "mais" não pareciam tão importantes assim. Eu encontrei alguém com quem eu queria passar o resto da minha vida. E eu percebi que não importava se tínhamos menos. Só importava que tínhamos um ao outro.
O quarto ficou silencioso, tocado pelas palavras do velho.
O Vovô continuou, sua voz ficando mais pensativa. — Não é engraçado? Nós chegamos a este mundo sem nada, mas sempre ansiamos por algo mais. Estamos sempre correndo atrás de coisas, pensando que elas vão nos fazer felizes. Mas no final, são as coisas simples que nos trazem mais alegria. Um bom dia de trabalho, uma refeição compartilhada com entes queridos, o calor de um lar... Essas são as coisas que importam.
June engoliu em seco, sentindo como se estivesse sendo atingido por várias pedras.
— E essa é a beleza da vida — continuou o Vovô, seus olhos brilhando. — Quando protegemos o que é querido para nós, quando nos sacrificamos por aqueles que amamos... É aí que a vida realmente significa algo.
June se viu acenando com a cabeça, absorvendo cada palavra. Ele conseguia ver agora, o quadro maior. Ele sentia o mesmo.
Ele estava fazendo tudo isso por seus entes queridos — para proteger a EVE e os sonhos de jovens ídolos que queriam fazer algo de si mesmos nessa indústria tão difícil.
Ouvir isso de outra pessoa colocou as coisas em perspectiva, e ele teve a certeza de que estava no caminho certo.
— Podemos conhecê-la? — perguntou June suavemente, gesticulando para a foto da esposa do Vovô.
O sorriso do Vovô vacilou um pouco, e ele balançou a cabeça lentamente.
— Ela está doente — sussurrou ele. — Acamada há algum tempo. Mas ela ainda é a mulher mais linda que eu já conheci.