
Capítulo 891
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Os olhos de Jisung se arregalaram depois que June disse aquelas palavras. Ele queria perguntar ao ídolo mais velho o que ele queria dizer, mas ficou calado enquanto June continuava ouvindo atentamente a faixa que ele havia criado.
A melodia era cativante, do tipo que te envolve e permanece na mente muito depois de terminar.
June franzia a testa de vez em quando ao ouvir alguns erros técnicos ou alguns elementos que não combinavam.
Não estava perfeito – longe disso.
“Tem alguns elementos que não consigo identificar”, disse June honestamente. “Ainda está um pouco bagunçado.”
Jisung, que havia observado ansiosamente a reação de June, esboçou um sorriso tímido. “Ainda não estou acostumado com o equipamento”, admitiu, coçando a nuca. O rubor em suas bochechas deixava claro que estava um pouco sem graça.
“Não, tudo bem”, disse June, balançando a cabeça. “Podemos trabalhar com isso. Eu realmente acho que é algo especial. Senti a mesma coisa com ‘Luster’.”
Os olhos de Jisung se arregalaram de surpresa. “É uma música tão boa assim?”, perguntou ele, a voz cheia de admiração.
June assentiu, um pequeno sorriso puxando os cantos da boca. Ele estendeu a mão e acariciou suavemente a cabeça de Jisung, um gesto raro de afeição de alguém geralmente tão reservado. “Você realmente fez um ótimo trabalho”, disse ele, com um tom caloroso.
Jisung abaixou a cabeça, seu rosto ficando ainda mais vermelho. Ele estava tímido, inseguro de como lidar com o elogio. “Ainda não sei o que fazer com ela”, confessou. “Ou como incorporar a letra.”
“Não se preocupe com isso”, June o tranquilizou. “Temos tempo. Vamos descobrir. Depois, vamos conversar com a gravadora.”
June já conseguia imaginar como a música mudaria. A base já era ótima, então as coisas poderiam ir muito além disso. De alguma forma, ele estava mais animado para o retorno em novembro.
No entanto, a expressão de Jisung não mostrava seu entusiasmo. Em vez disso, um olhar de dúvida substituiu sua expressão anteriormente feliz.
“O quê?”, perguntou June, observando a mudança em sua postura.
“Não sei se quero dar para a gravadora”, disse ele baixinho.
June olhou para ele surpreso. “Por quê? Eu te disse que é boa. Você está duvidando de si mesmo de novo?”
“Não é isso”, disse Jisung, balançando a cabeça. “Você já disse que é boa. Estou acreditando na sua palavra. Você sempre foi ótimo em ver o potencial das coisas.”
“Então, o quê?”, perguntou June, sabendo que algo estava perturbando a mente de Jisung.
Jisung hesitou por um momento, inseguro se deveria continuar. Finalmente, respirou fundo e falou. “Ah, não tenho certeza sobre isso. Realmente não tenho. Existe uma grande possibilidade de eu estar errado, mas isso tem mexido comigo desde então.”
June ficou em silêncio, querendo que Jisung continuasse.
“No dia da nossa reunião para o retorno”, Jisung finalmente começou, “eu estava testando a capacidade de cancelamento de ruído dos meus novos fones de ouvido e sem querer ouvi alguém ensaiando dentro de uma das salas de ensaio.”
A sobrancelha de June se franziu. “Quem?”
Jisung soltou um suspiro profundo.
“Era o Joonie”, respondeu Jisung, em voz baixa. “E ele estava aprendendo uma música.”
June apertou os lábios e estalou a língua irritado. “Eles estão se preparando para lançá-lo em breve”, murmurou, já juntando as peças do quebra-cabeça.
Já era óbvio que eles não iriam lançá-lo como ator, mas como ídolo – talvez até os dois.
“Não, não é isso”, disse Jisung rapidamente. “Acho que… ou talvez seja…”
June suspirou. “Só fala, Ji.”
“Ele estava cantando uma música…”
“Nossa música, mais especificamente – a música que o Ren escreveu como nossa faixa principal.”
As sobrancelhas de June se franziram ainda mais, uma sensação de desconforto se instalando nele. “Agora, eu não sei por que ou como”, continuou Jisung, “mas isso não é permitido, certo? Nem sequer foi finalizada com nosso grupo. A letra também não está finalizada. Mas parece que o Joonie estava cantando uma música completa.”
“Não era a mesma que o Ren havia feito – definitivamente há alguns elementos que mudaram. Mas não importa de que ângulo eu olhe, ainda sinto que é nossa música – nossa suposta faixa principal.”
June levou um momento para processar a informação. As implicações do que Jisung acabara de dizer eram sérias. Não era apenas uma questão de Joonie cantar a música – era o fato de que era a música deles, uma que havia sido designada para o grupo deles, e de alguma forma, Joonie estava ensaiando em segredo.
A mente de June correu com possibilidades, e nenhuma delas era boa.
“É”, disse June finalmente, parecendo calmo, o que também fez Jisung se sentir calmo. “Mantenha isso em segredo por enquanto.”
“Sua música também.”
Jisung assentiu, o rosto sério. Naquele momento, eles ouviram a voz de Pablo chamando do outro cômodo.
“Oh, June! Por favor, venha para a cozinha agora. Estamos morrendo de fome e precisamos muito de você. Nos alimente, por favor. Alimente todos nós com suas mãos deliciosas!”
June estalou a língua com a declaração de Pablo, se perguntando como ele conseguia fazer convites tão provocantes.
“Vou sair primeiro. O Pablo não vai parar até eu aparecer”, disse June, dando a Jisung um aceno tranquilizador antes de se virar para sair.
Jisung observou June desaparecer na esquina. Ele não tinha certeza do que fazer com tudo aquilo, mas confiava em June. Se June dissesse para manter segredo, então era isso que ele faria.
Um momento depois, os pensamentos de Jisung foram interrompidos pelo som de passos se aproximando.
Ele olhou para cima e viu Joonie entrando na sala, uma expressão curiosa em seu rosto.
Os olhos de Jisung se arregalaram ao olhar para Joonie.
“C-quanto você ouviu?”, perguntou Jisung, seu coração batendo forte no peito.
Joonie franziu a testa, sua expressão confusa. “Eu acabei de chegar”, disse ele lentamente.
Jisung soltou um suspiro de alívio, seus ombros relaxando um pouco.
“Mas do que vocês estavam falando, hein? Eu vi ele saindo daqui”, perguntou Joonie, seu tom repentinamente doce.
“Nada”, respondeu Jisung rapidamente. “Nós só tínhamos algo particular para conversar.”
“Particular?”, Joonie repetiu, inclinando a cabeça. “Mas há câmeras por toda a casa.”
Jisung enrijeceu, percebendo que Joonie tinha razão. Antes que ele pudesse responder, porém, os olhos de Joonie se arregalaram em repentina realização. “Ah”, disse ele, olhando ao redor da sala. “Não tem uma câmera aqui.”