
Capítulo 882
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
O jardim ficou em silêncio depois que a equipe da Ramil PD foi embora.
– Estamos sendo zoados? – perguntou Haruki.
– Eles realmente podem nos deixar aqui sozinhos? – Mimi completou.
– Que é isso? Por que eles estão deixando os bebês sozinhos?
– Mas que divertido! Parece um desafio e tanto!
– Eu amo essas coisas!
– Muita gente ama, pelo jeito. Estamos com 30% de audiência em tempo real!
A verdade é que o desafio da Ramil PD tinha viralizado nas redes sociais, e muitas famílias estavam assistindo ao programa durante o jantar.
– Minha mãe está amando. Ela pediu pra assistir todo dia comigo.
– Meu pai, que acha que assistir TV não é produtivo, está super intrigado. Ele curtiu a ideia.
– Que surpresa meu irmão também ter se juntado à nossa noite de filme. Ele acha que o June é o mais gato!
– E agora? – perguntou Jisung, coçando a nuca.
A realidade bateu.
Eles estavam lá fora apenas com a roupa do corpo e o que tinham nas mochilas.
Casper suspirou antes de ir até a porta da frente. Girou a maçaneta com força, clicando a língua quando ela não cedeu.
– Continua trancada – anunciou ele.
– Duvido muito que abra, já tentamos antes – disse Uno.
Casper girou a maçaneta de novo, dessa vez usando o ombro para empurrar a porta, mas ela permaneceu firmemente fechada.
Jisung, por outro lado, foi até os fundos, na esperança de encontrar outra entrada. Alguns momentos depois, voltou com a mesma notícia. – A porta dos fundos também está trancada.
– Eles deixaram o elenco estressado no primeiro dia.
– Se eles não conseguirem abrir a casa, podem ficar conosco. A vila Porid fica a apenas duas horas de caminhada! Suspiros de frustração ecoaram entre o grupo enquanto trocavam olhares. A casa estava ali, mas podia muito bem estar a quilômetros de distância.
Os outros começaram a vagar pelo perímetro do jardim, procurando por algo que pudesse dar acesso.
– Vou procurar na frente da casa – disse Joonie, estreitando os olhos em concentração.
– Eu fico atrás – disse Jisung, também procurando.
Os outros ficaram por perto, cada um com suas áreas designadas.
June examinou os cactos antes de balançar a cabeça.
À medida que os minutos passavam, a busca se mostrava infrutífera.
– Não adianta – disse Joonie finalmente, afastando-se dos arbustos que vinha inspecionando. Sua voz soou desesperada, e fez os outros pararem seus esforços. – Precisamos procurar pistas.
– Será que eles procuraram direito?
– Onde vocês acham que está escondido?
– O terreno ao redor é tão vasto. Levaria uma eternidade para procurar.
June, que fixou o olhar na porta, falou: – Alguém tem a carteira?
O grupo se voltou para ele, confuso. Um por um, eles balançaram a cabeça, sem saber para onde ele estava indo com isso.
– Eles pegaram isso também – disse Uno.
– Ah, certo – murmurou June. – Ninguém tem cartão? Ou um código?
Novamente, o grupo respondeu com uma série de meneios negativos.
– Ah, você ia arrombar a fechadura? – Casper perguntou casualmente.
June assentiu, sua expressão pensativa enquanto continuava a inspecionar a fechadura da porta.
– Arrombar uma fechadura? Você consegue arrombar uma fechadura? – Uno perguntou incrédulo.
Antes que alguém pudesse questioná-lo, Jisung interrompeu, redirecionando a conversa. – Por que vocês acham que a Ramil PD está fazendo isso com a gente?
– Tá, por que o Casper achou que arrombar uma fechadura era algo que uma pessoa normal conseguiria fazer?
– Pra quem é novo por aqui, o June é um faz-tudo. Ele consegue fazer qualquer coisa, menos ter sorte.
June encostou-se na porta, braços cruzados enquanto pensava. – Isso coincide com o tema do programa – disse ele lentamente. – Começamos do zero. Conquistamos as coisas aqui.
Mei suspirou, os ombros caindo levemente. – Eu não acredito que temos que conquistar até uma casa – murmurou ela, olhando para a porta trancada com desânimo.
Pablo levantou a mão, oferecendo uma solução. – Só temos duas opções – disse ele, contando nos dedos. – Podemos fazer uma casa improvisada para a noite ou encontrar uma maneira de abrir esta.
– Vocês querem que a gente pegue madeira e faça uma casa improvisada? – perguntou Haruki, com exaustão na voz. Ele olhou para os outros, que pareciam igualmente duvidosos sobre sua capacidade de construir um abrigo do zero. – O que a gente vai ter que fazer depois? Beber a própria urina?
Todos fizeram uma careta ao imaginar isso. Enquanto isso, os comentários acharam a situação muito engraçada.
– Desde quando o Casper é tão engraçado?
– Ele parece mal-humorado, mas odeia essas coisas. Quando foi acampar com os membros dele, quase sufocou de frustração.
– Não estamos exatamente na selva – Mimi apontou, gesticulando para o jardim bem cuidado ao redor deles. – Mas ainda assim... precisamos resolver alguma coisa.
– Vamos procurar as pistas – sugeriu Casper. – Elas devem estar por aqui em algum lugar.
O grupo concordou com a cabeça, e eles se espalharam mais uma vez, vasculhando o jardim em busca de algo que pudesse servir de dica. O tempo passou, e o sol ficou cada vez mais quente.
Foi Hana quem finalmente encontrou algo. – Ei, aqui! – ela chamou, sua voz quebrando o silêncio. Os outros se aproximaram rapidamente, ansiosos para ver o que ela havia encontrado.
Em sua mão, ela segurava um pequeno pedaço de papel amassado. O grupo se inclinou, os olhos se estreitando enquanto tentavam dar uma olhada no papel.
– Que diabos é isso? – perguntou Mei, franzindo a testa enquanto encarava a palavra.
Pablo pegou o papel de Hana, virando-o nas mãos como se esperasse que mais pistas se revelassem. – É só... não – disse ele, sua voz refletindo a confusão nos rostos de todos.
– Não o quê? – murmurou Casper.
– Só... não – repetiu Pablo, virando o papel e até indo para a câmera para mostrar à plateia.
Realmente, as três letras os encaravam através da tela.
“Não.”