
Capítulo 823
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
— O que te faz dizer isso? — perguntou Jun Hao.
— Não se faça de inocente — ela respondeu. — Você sabe a resposta. No momento em que eu sair, também vou perder a vida.
Então, ela olhou para seus pulsos acorrentados. — E nem consigo escapar! — exclamou.
Jun Hao riu, fazendo Angel o encarar.
— Você acha graça nisso? — ela exclamou.
Jun Hao parou de rir, tampou a boca e balançou a cabeça.
— Não, eu só acho divertido — comentou ele.
— Não é a mesma coisa? — resmungou ela.
Ele se encostou na cabeceira da cama, bem ao lado dela, antes de soltar um suspiro profundo.
— Você não acha divertido? — perguntou ele. — Duas almas como nós, histórias diferentes, mas o mesmo destino — a gente vendeu a vida inteira para esse tipo de vida, e nem conseguimos escapar.
Havia silêncio no quarto antes de Jun Hao ouvir Angel fungar.
Suas sobrancelhas se ergueram surpresas enquanto ele olhava para a garota agora chorando.
— Por que você está chorando agora? — perguntou ele.
Angel o olhou feio enquanto enxugava os olhos com a manga rasgada.
— Por que você fica dizendo essas coisas? — perguntou ela.
— Achei que você já sabia disso — disse ele. — Só resumi para você.
— Mesmo assim! — exclamou ela. — Ouvir de outra pessoa faz parecer mais real. Eu sei que minha vida é uma droga, mas você não precisa falar isso em voz alta.
Jun Hao riu, levantando as mãos em sinal de rendição.
Com isso, os dois indivíduos despedaçados se viram se aproximando.
— Você não está cansada? — perguntou Jun Hao.
— De conversar com você? Não — disse Angel. — Dessa vida? Sim.
Jun Hao sorriu de lado enquanto lançava um olhar para o celular. Ele viu que passava da meia-noite. A música
da balada estava a todo vapor, e os dois conseguiam sentir a sala vibrando com o baixo da música.
— Sabe o que seria bom? — perguntou Jun Hao.
— O quê? — perguntou Angel.
— Se pudéssemos mudar nosso destino — disse ele.
Angel suspirou e assentiu. — Seria bom, não seria? — murmurou ela. — Mas, seria impossível.
— Você está certa — confirmou Jun Hao. — Seria impossível para nós dois mudarmos nosso destino.
Angel voltou o olhar para o colo.
— No entanto — Jun Hao acrescentou rapidamente, fazendo-a levantar a cabeça curiosa.
— Não seria impossível mudar o destino de um de nós — disse ele.
Angel franziu a testa, confusa. — O que você quer dizer?
Ela se surpreendeu quando Jun Hao de repente se levantou, procurando algo.
— O que você está fazendo? — perguntou ela.
Jun Hao ignorou sua pergunta e continuou procurando algo nos armários.
— A-há — disse ele. — Eu sabia que estaria aqui o tempo todo.
Então, ele mostrou a chave de metal para Angel, que franziu a testa frustrada.
— Estava aqui o tempo todo? — exclamou ela.
Jun Hao riu. — Não é como se você pudesse alcançá-la de qualquer jeito.
Com isso, ele foi até Angel e a destrancou. A garota bonita massageou os pulsos e sussurrou um pequeno "obrigada" ao finalmente conseguir se afastar da cama que ela tanto temia.
— Vá embora — disse Jun Hao de repente, deixando Angel perplexa.
— O quê? — perguntou ela, insegura se tinha ouvido Jun Hao direito.
— Vá embora — disse ele, com indiferença. — Fuja. Suma. Precisa de mais sinônimos?
— Do que você está falando? — perguntou ela. — Você acha que eu posso simplesmente sair daqui? No
momento em que eu sair pela porta, eles me trariam de volta aqui em um instante.
— É por isso que você vai sair pela janela — disse ele, apontando para ela.
Os olhos de Angel se arregalaram de surpresa. — Você está louco? Estamos no segundo andar.
— E daí? — perguntou Jun Hao, abrindo a janela e pulando sem hesitação. Ele caiu no
chão com um baque alto, fazendo-o praguejar. No entanto, ele rapidamente se levantou e olhou
para cima, apenas para ver Angel olhando para ele como se ele fosse um louco.
Então, Jun Hao olhou em volta e certificou-se de que o caminho estava livre. Ele olhou para Angel e abriu os braços.
— Vamos — disse ele. — Ninguém está olhando! Pula!
Os olhos de Angel demonstravam apreensão. No entanto, ao olhar para o quarto sujo e o homem encantador que a esperava no chão, ela sentiu algo mudar em seu coração.
Ela queria escolher a coisa mais bonita — e para ela, o homem lá embaixo era a vista mais bonita que ela tinha visto desde que chegou ao albergue.
Com isso, ela murmurou um palavrão e pulou pela janela, fechando os olhos e esperando o impacto.
No entanto, em vez do chão duro, ela sentiu os braços seguros de alguém. Ela abriu os olhos e viu o homem olhando para ela com orgulho.
— Viu? — perguntou ele. — Não foi tão ruim assim, foi?
Um sorriso finalmente apareceu no rosto de Angel. — Não foi — disse ela.
Jun Hao a colocou suavemente no chão antes de levá-la para uma área isolada, longe do
bar.
Angel ainda estava apreensiva, mas se sentia segura na presença dele.
Jun Hao continuou olhando em volta, sendo o mais meticuloso possível. Então, ele assentiu.
— Certo, ninguém vai te encontrar aqui agora.
Jun Hao tirou a carteira e pegou um bom punhado de dinheiro.
Os olhos de Angel se arregalaram de surpresa quando ele colocou o dinheiro em suas mãos.
— O que é isso? — perguntou ela.
— Você nunca viu dinheiro antes? — perguntou ele com um sorriso de lado.
Naquele momento, Angel sentiu o coração disparar no peito. Não era o tipo de nervosismo — mas o tipo bom.
Aquele que te faz viciar.
— Esse dinheiro é suficiente para você ir para uma nova cidade e ficar algumas noites em um hotel barato.
— Não vai ser o suficiente para durar um mês inteiro, então tente tocar na rua. Se você realmente
quer ser cantora, acho que você vai conseguir.
— Depois, guarde um pouco de dinheiro e chegue ao grande palco. Realize seus sonhos.
O coração de Angel se enchia com cada palavra que o homem dizia.
Era possível se apaixonar em tão pouco tempo?
— Então, vá — disse Jun Hao, finalmente soltando a mão dela.
Angel sentiu o corpo gelar com a ausência do toque dele.
— E-e você? — gaguejou ela.
Jun Hao sorriu. — Mude seu destino — disse ele. — Eu ficarei feliz se ao menos um de nós sair
desse inferno.
O coração de Angel apertou de dor.
Então, ela assentiu.
Ela deu um passo para trás e olhou para as ruas desertas antes de olhar para o homem bonito
diante dela.
Por um momento, ela escorregou no concreto molhado, então Jun Hao rapidamente a ajudou e segurou
sua cintura.
— Cuidado, Angel — disse ele.
As bochechas de Angel ficaram vermelhas enquanto ela se estabilizava.
— Agora, você realmente deveria ir — disse Jun Hao. — Eu tenho que voltar antes que eles fiquem
suspeitos.
Angel lentamente assentiu, mas, na verdade, ela não queria ir.
No entanto, ela também sabia que aquela era sua única chance.
Com isso, ela apertou as notas em sua mão e se afastou do homem mais uma vez.
Quando estava prestes a se virar, não pôde deixar de fazer mais uma pergunta.
— Qual seu nome? — perguntou ela.
Jun Hao ficou em silêncio por um tempo antes de sorrir.
— Jun — respondeu ele.
— Lembre-se de mim como Jun.