
Capítulo 681
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Junio passeava pela cidade, distraído, vagando pelas ruas.
Ao longe, ouviu uma melodia familiar e deixou que seus pés o guiassem até a fonte do som.
Suas sobrancelhas se ergueram surpresas ao ver uma pequena loja com um logo rosa de sorvete. Era meio familiar, mas Junio não conseguia precisar onde a tinha visto.
Naquele instante, sua barriga roncou, então ele decidiu comprar um sorvete já que estava ali.
"Sorvete no café da manhã vai ser", disse Junio com um pequeno sorriso.
"Bem-vindo!", exclamou um homem simpático. "O que posso trazer para o senhor hoje?"
"La la la, sorvete me deixa louco! La la la, um sonho doce e açucarado."
Os ouvidos de Junio reconheceram a música enquanto ela continuava a tocar. Era a música que o inspirou durante o Rising Stars — a música do sorvete que ele não conseguia tirar da cabeça!
Junio olhou em volta do lugar e sentiu o coração apertar. Era um espaço pequeno, mas limpo e bem decorado.
Junio não podia acreditar.
Aquele carrinho de sorvete batido de onde ele tinha comprado sorvete antes, tinha realmente se transformado em uma loja assim?
"Senhor?", perguntou o simpático homem de meia-idade. "O senhor está bem?"
Junio saiu de seus pensamentos e finalmente foi até o balcão. Olhou em volta para ver se a garotinha que o obrigou a comprar o sorvete deles naquela época estava lá. No entanto, ela não estava, uma pequena carranca se formando no rosto de Junio.
"O senhor ficou meio aéreo aí, senhor", o homem riu.
"É", disse Junio, tornando sua voz mais grave que o normal. "Só um dia difícil, acho."
O homem de meia-idade sorriu. "Todos já passamos por isso", disse ele.
"No entanto, uma coisa que posso lhe dizer — melhora."
"Às vezes, parece que não. Parece que você está preso em um labirinto sem saída."
"No entanto, você encontra uma abertura quando menos espera", ele sorriu, tentando confortar Junio.
"Espero que você encontre sua abertura em breve."
"Eu também", disse Junio.
"Por enquanto, o senhor quer alguma coisa? Tenho certeza de que nosso sorvete pode ajudar a melhorar seu humor."
"Tornado Treme-Treme de Barriga"
"Sundae Macaquinho Maluco"
"Ondulado Ridículo do Rumpelstiltskin"
"Arruaça do Hooligan Uivador"
Junio sorriu ao ver que os nomes ainda não haviam mudado.
Ainda o machucava dizer aqueles nomes em voz alta, mas de alguma forma, ele também se sentia feliz por eles não terem mudado.
"Eu vou querer o Explosão de Bala de Goma Confusa", disse Junio.
"Ooh, ótima escolha", exclamou o homem. "O senhor pediu a mesma coisa que o Junio quando ele veio pela primeira vez à nossa loja."
Junio levantou as sobrancelhas ao ouvir seu nome. Foi uma surpresa o homem ainda se lembrar dele depois de todos esses meses.
Ele nem tinha estreado naquela época e nem estava no topo das paradas.
"O senhor está surpreso, não é?", perguntou o homem. "Ele realmente veio aqui."
Então, ele apontou para uma foto na parede.
Foi só então que Junio percebeu que sua foto estava na parede, semelhante à de um santo em uma casa religiosa.
"Isso parece um altar", riu Junio. "É quase como se ele tivesse morrido."
O homem riu. "Bem, a loja ficou famosa depois que o Junio postou sobre ela em sua conta Navel. Na verdade, nós nem éramos uma loja naquela época. Era apenas um carrinho de sorvete batido que eu mesmo pintei."
"Aqueles foram alguns dos momentos mais difíceis da minha vida. No entanto, depois que o Junio postou sua avaliação do nosso sorvete, começamos a receber mais clientes — muito mais do que eu esperava."
"Então, o negócio começou a crescer. Durante a era dele no Rising Stars, tanta gente veio e pediu o mesmo sorvete que o senhor. Então, ele se tornou nosso best-seller."
"Depois, quando ele estreou, a loja ficou ainda mais famosa", ele sorriu.
"E ultimamente, o grupo deles tem se saído tão bem. Todo mundo está falando deles, e o Junio está quase em todos os outdoors da cidade."
"Parece que o Junio ainda me leva junto ao sucesso dele, já que nossos clientes aumentaram ainda mais depois disso. No fim das contas, ficar no carrinho na rua ficou muito cansativo, então abri essa loja este mês."
Junio ouviu sua história atentamente.
"O...Junio realmente te ajudou tanto assim?", perguntou ele, achando estranho estar se referindo a si mesmo na terceira pessoa.
No entanto, Junio também queria ouvir como o dono realmente se sentia.
Por mais que Junio tentasse negar, ele se sentia mais distante da realidade e de seus fãs quanto mais eles ficavam populares.
Ele sabia que era inevitável.
Grupos que ficam maiores do que esperavam perdem o contato com sua intenção original.
Junio viu isso acontecer várias e várias vezes.
"Ele ajudou", disse o homem, fazendo a respiração de Junio travar na garganta.
O homem estava sorrindo tão genuinamente que Junio não teve escolha a não ser acreditar nele.
"Ele nos ajudou muito mais do que ele percebeu."
"Eu sei que fomos apenas mais um encontro casual para ele — provavelmente algo insignificante."
"No entanto, ele é uma das razões pelas quais minha vida mudou para melhor."
"Eu nem entendo por que algumas pessoas o pintam como um cara ruim quando ele claramente não é."
"Às vezes, eu gostaria de poder me aproximar dele e dizer o quanto ele trabalhou para chegar onde está. Além disso, quero agradecer a ele por ter sido uma grande ajuda para minha família."
"Ele trouxe de volta um pouco da luz para a minha vida, e eu sei que sem ele, eu não estaria experimentando tudo isso."
De alguma forma, a conversa deixou Junio emocionado.
No entanto, ele reprimiu suas emoções e engoliu o nó na garganta.
"Bem, aqui está", disse o homem, entregando-lhe o sorvete rosa. "Por minha conta."
Junio pegou o sorvete e balançou a cabeça. "Não, eu devo pagar por ele", disse ele, procurando em seu bolso.
O homem balançou a cabeça. "Apenas pegue, jovem. Considere isso um ato de bondade de um estranho."
"A bondade que recebi do Junio — estou repassando para o senhor."
Junio sorriu e olhou para o chão.
"Tenho certeza de que o Junio ficaria feliz ao saber disso", disse ele, fazendo o homem sorrir.
"Eu sei", o homem sorriu. "Ele é um bom rapaz, afinal."
Junio franziu os lábios e assentiu antes de se virar e provar o sorvete rosa.
Um sorriso automaticamente se abriu em seus lábios enquanto o sabor doce e refrescante de chiclete invadia suas papilas gustativas.
Naquele instante, a porta abriu e uma garotinha com uniforme escolar correu para dentro.
"Pai!", exclamou ela.
"Lila!"
Junio parou quando ouviu o nome familiar.
Era a garotinha que o convenceu naquela época? Ela finalmente ia para a escola?
"Você deveria estar na escola agora", repreendeu ele.
"Eu sei", ela riu. "Mas eu queria te dar um beijo antes de ir!"
O sorriso de Junio se alargou enquanto ele dava outra mordida em seu sorvete.
Então, ele finalmente saiu da loja, seu coração cheio de uma estranha emoção.
Realização.