De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 539

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

"Vocês têm certeza que tudo bem a gente ficar sentados em cima do túmulo do seu pai?", perguntou June enquanto os três se acomodavam na grama.

"Tudo bem", respondeu Haruto. "Meu pai adorava que sentassem em cima dele!"

"Como assim?", perguntou June, genuinamente traumatizado.

"Acho que deveríamos parar de falar do nosso pai. Ele provavelmente está numa farra no céu agora", disse Haruto. "Descanse em paz, pai."

"Como eu disse, preciso contar o que escondi de vocês dois por tanto tempo."

June se livrou da culpa de estar sentado no túmulo do pai e se concentrou na história de Haruto.

Talvez isso finalmente lhe desse as respostas que ele pensava conseguir com Haruki.

Por mais que June estivesse furioso por Haruki tê-lo feito acreditar que era um assassino, ele também se sentiu aliviado por Haruto estar vivo e bem.

Embora nunca tivesse realmente interagido com ele nesta vida, ele sentia que Haruto era uma boa pessoa que merecia uma vida longa.

"Acho que uma grande razão para o relacionamento hostil de vocês é por minha culpa", suspirou Haruto.

"Mas espero que vocês dois entendam. Eu não estava bem naquela época, e sentia que ia arruinar tudo só de falar uma frase."

"Agora que o tempo passou, acredito que minha mente está aos poucos se curando. Embora eu tenha medo de que seja tarde demais para contar a verdade", murmurou a última frase, fazendo June franzir a testa.

"Tudo bem", suspirou Haruki. "Você pode demorar o tempo que precisar."

Haruto assentiu. "Estou pronto agora. Estou pronto para contar a verdade."

"Tenho certeza de que meu irmão já te contou a história dele", disse Haruto a June.

June assentiu.

"Mas meu irmão ainda não sabe muitas coisas", acrescentou Haruto. "Há coisas que eu contei só para Joon-ho, e há coisas que guardei para mim."

"Você se lembra de tudo o que aconteceu?", perguntou a June.

June apertou os lábios antes de balançar a cabeça.

"Eu imaginei", riu Haruto. "Deve ter sido uma época tão traumatizante que você bloqueou tudo. Fico feliz que você tenha esquecido. Eu ainda vivo com o trauma de me lembrar até hoje."

Haruto suspirou e olhou para as mãos antes de continuar.

"Naquela época — depois que Hana foi embora, achei que finalmente íamos estrear. Foi o que a Phoenix nos disse — era uma promessa", começou Haruto.

Ficamos tão desesperados que ficávamos horas extras, ensaiávamos até os ossos racharem e fazíamos favores para a empresa sem nenhuma compensação."

"Favores", repetiu June.

Haruki havia mencionado os favores um tempo atrás, o que deixou June ainda mais curioso.

"Que tipo de favores?", perguntou.

"No começo, não era tão ruim. Eles nos faziam comprar café para a equipe administrativa. Eles nos faziam levá-los para reuniões importantes. Eram as tarefas habituais de "estagiário" — algo que eu não conseguia entender porque não estávamos lá para ser estagiários.

"E então", disse ele, sua voz ficando mais grave. "Eles começaram a ficar cada vez maiores."

"Eles nos mandavam entregar documentos para as empresas subsidiárias. Eles nos faziam ir a reuniões com homens e mulheres mais velhos para que pudéssemos ser seu 'entretenimento'. Em certo ponto, nós dois até fomos para a China com a promessa de conhecer outros trainees. No entanto, nos tornamos seu 'entretenimento' de novo", sussurrou ele.

Haruki se virou para o irmão, lembrando-se vagamente da lembrança.

"Entretenimento?", Haruki franziu a testa confuso. "Que tipo de entretenimento você está falando? Eu achei que você tinha ido para a China para praticar."

"Não é tão ruim quanto você está pensando", suspirou Haruto. "Mas ainda era ruim. A pior coisa que o June experimentou foi ser beijado nos lábios por um investidor velho. Isso conseguiu para a Phoenix o acordo que eles queriam, mas também foi uma época traumatizante."

A testa de June se franziu ainda mais, achando tudo isso inacreditável.

"Isso é tráfico de pessoas", observou June. "Como eles não foram punidos por fazer isso?"

"Eu não sabia naquela época", disse Haruki. "Tudo o que eu sabia era que estávamos cada vez mais perto da nossa estreia. Eu deduzi que o trabalho duro não nos ajudaria a alcançar nossos sonhos e que fazer favores sim."

"Alex e Hyunwoo — aqueles bastardos fizeram tudo o que lhes foi pedido — e a estreia foi rapidamente prometida a eles. Então, eu também pensei que nosso tempo estava próximo. Se aguentássemos um pouco mais, poderíamos finalmente alcançar nossos sonhos."

"Como você nunca me contou?", perguntou Haruki suavemente.

"Porque eu sabia que você tomaria a situação em suas próprias mãos... e você tomou", riu Haruto.

"Você entrou na empresa enquanto estávamos no meio de fazer esses favores. Então, eu fiquei longe de você. Eu estava envergonhado."

"Em certo ponto, eu vi como a empresa começou a te valorizar mais, e eu acho que fiquei bastante com ciúmes. Você sempre foi naturalmente talentoso, e você aprendia as coisas bem."

"Foi aí que percebi que o trabalho duro nunca vai superar o talento natural... e foi aí que comecei a ficar mais desesperado", lembrou ele.

"Foi a primeira vez que fui desesperadamente ao escritório do CEO para pedir — não, para implorar por uma oportunidade. Ele me rejeitou muitas vezes, mas então, um dia, ele finalmente concordou. Ele tinha uma missão para mim — e o prêmio era estrear."

"Era simples. Eu só tinha que recuperar algo de alguém

— um homem que eu não conhecia. Era para quando tínhamos que ir para a China para outra reunião deles. Foi muito... muito simples", murmurou Haruto.

June sentiu seu coração bater forte. Essa conversa sombria estava o levando de volta ao passado, e com a menção de seu país natal, ele não pôde deixar de se sentir ainda mais estranho.

"Mas você descobriu", disse Haruto trêmulo. "E você tentou me impedir a todo custo. Você sentiu que era o suficiente — que não valia a pena. Mas eu não te ouvi. Nós dois fomos para a China, e eu estava determinado a cumprir a tarefa que o CEO me dera."

"Mas então, você interveio", suspirou Haruto, passando os dedos pelo cabelo. "Você teve um mau pressentimento sobre esse favor em particular, então você fez você mesmo — sem me contar."

"Naquela noite, perdi a oportunidade de estrear, mas senti que também perdi meu amigo", suspirou Haruto.

"Porque naquela mesma noite, o homem desconhecido envolvido foi morto — e nós dois tínhamos presenciado."

"Num depósito velho e assustador, onde nós dois apenas conversamos — vimos um homem morrer."

Haruki franziu a testa. "Então, June não matou ninguém?", perguntou.

"Não", Haruto balançou a cabeça. "Mas sinto que contribuímos para isso — porque pegamos o suposto tesouro daquele homem."

A respiração de June ficou ofegante enquanto cenas vagas de sua morte surgiam em sua mente.

"Talvez... o que é esse item do qual estamos falando?", perguntou June, tentando se acalmar.

"Uma maleta", sussurrou Haruto.

"Tínhamos que roubar uma maleta e trazê-la de volta para cá."


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