De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 537

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

"Senta", Haruki ordenou, dando uma palmada no lugar ao seu lado.

June franziu os lábios e fez o que Haruki mandou, quieto. A grama fazia cócegas em suas palmas, mas ele não conseguia se concentrar na sensação com tantas coisas martelando sua cabeça.

A brisa fria sussurrava entre as folhas. O sol estava se pondo, então o tom alaranjado adicionava um quê de drama à cena.

June sentou-se em silêncio ao lado dele, sua presença um lembrança assombrosa do passado.

"Faz tempo", Haruki começou, a voz quase um sussurro. "Desde que nos tornamos trainees, quero dizer."

June assentiu, olhando para trás para contemplar as letras gravadas na pedra.

"Bem, você entrou na Phoenix até antes de mim. Você é basicamente um fóssil. Não acredito que você também entrou antes do meu irmão, Haruto."

June riu. "Deve ter sido muita vontade de realizar esse sonho."

"É", Haruki apertou os punhos. "Você deve ter sido muito desesperado... muito, muito desesperado."

June suspirou, olhando para as palmas das mãos.

"Até agora, eu ainda não entendo", June disse honestamente. "Por que você me odeia tanto assim — eu mereço isso?"

Haruki zombou enquanto puxava um pouco de grama do chão. Então, fechou os olhos antes de soltar um suspiro profundo, se acalmando antes de revelar seus sentimentos e experiências passadas.

"Eu nunca quis ser um ídolo, sabe?", Haruki começou, o tom ficando mais leve enquanto pensava no passado bonito.

"Eu sonhava em ter um emprego onde eu pudesse ajudar as pessoas com seu sofrimento... fazê-las felizes", ele começou.

"Então, naturalmente, eu queria ser médico."

"Meu irmão, por outro lado, queria algo completamente diferente. Ele queria ir para a indústria do entretenimento porque era ótimo cantando quando criança. Ele não encontrava nada pelo qual fosse apaixonado além de cantar, então quando foi recrutado pela Phoenix na rua, ele aceitou imediatamente."

Haruki sorriu enquanto as lembranças o inundavam.

"Eu fiquei feliz por ele, claro. Os dois tínhamos sonhos que queríamos realizar, e nossos pais nos apoiavam muito", ele sorriu ainda mais desta vez.

"Ouvir as histórias do meu irmão era muito divertido naquela época. Parecia que ele finalmente encontrou algo pelo qual era apaixonado."

"No entanto", Haruki continuou, franzindo as sobrancelhas. "Ser trainee era apenas a primeira parte do sonho dele. Ser um ídolo era o objetivo final."

"Mas, com o passar dos anos, ele continuou treinando... e treinando... e treinando. De alguma forma, eu vi a faísca nos olhos dele diminuir a cada vez que ele voltava para casa. No entanto, sempre que eu pedia para ele parar, ele sempre respondia a mesma coisa."

"O June ainda está comigo. Se o June conseguiu aguentar, então certamente eu conseguiria. Ele treinou ainda mais tempo do que eu, e ainda está aqui", Haruki disse significativamente, olhando para o horizonte.

Ele fez uma pausa, a garganta apertada pela emoção. "Os anos se passaram, e a promessa de uma estreia nunca chegou para ele. Em vez disso, ela se afastou cada vez mais. Mais e mais pessoas começaram a pisar no sonho dele."

"Mas ele aguentou..."

"...porque ele tinha você."

O olhar de Haruki caiu no chão, seus punhos cerrados de angústia. "Naquele momento, eu gostei e desgostei de você ao mesmo tempo", ele admitiu, a voz embargada pela emoção. "Porque você fez meu irmão permanecer na profissão que ele amava, mas também o manteve em um lugar tão escuro."

June abaixou a cabeça, incapaz de encontrar o seu olhar.

"Então, eu decidi confiar nele", ele continuou, a voz tremendo de amargura. "Isso deve ter sido um erro."

Ele fez uma pausa enquanto as lembranças do sofrimento de seu irmão queimavam dolorosamente em sua mente. "A faísca nos olhos dele começou a diminuir ainda mais", ele relatou.

"E então, foi quando eu decidi intervir. Eu decidi também me tornar um trainee de ídolo."

A respiração de June ficou presa na garganta.

"Eu tentei protegê-lo", ele sussurrou, a voz tremendo de arrependimento. "Mas eu não consegui."

Haruki olhou para ele. "Mesmo assim, eu não sabia o que estava acontecendo nos bastidores", ele confessou. "Tudo o que eu sabia era que meu irmão e você seriam chamados para o escritório com mais frequência do que os outros."

"E então, aconteceu", Haruki sussurrou. "Um dia, eu o vi dentro do escritório, e quando ele saiu, seu rosto estava horrivelmente pálido. Mas ele não se abriu comigo. Ele se abriu para você."

June vagamente se lembrava da lembrança. Naquele momento, parecia mesmo que o Haruto que ele conhecia não era mais a mesma pessoa.

Sua boca se movia em suas visões, mas June não conseguia ouvir nenhum som. Ele também não conseguia ler seus lábios.

Os olhos de Haruki ardiam de raiva, consumindo-o. "E então eu ouvi o boato", ele cuspiu.

"Que eles decidiram que meu irmão não ia estrear e que você estrearia em seu lugar — porque você pegou o favor que era para ser dele."

As sobrancelhas de June se franziram ainda mais. Essa era uma informação nova para ele. Ele achou que era mais simples do que parecia.

No entanto, o que era isso sobre um favor?

Ele olhou para June, seus olhos acusadores e, ainda assim, suplicando por compreensão. "E antes que eu soubesse", ele sussurrou.

"Ele tinha pulado do telhado, e ele perdeu o sonho... enquanto eu perdia o irmão que eu conhecia."

"Você estava lá naquela noite", Haruki apertou a mandíbula. "Você sabia que ele estava sofrendo. Você sabia que ele confiava em você. Você poderia tê-lo salvado."

"Mas você não salvou", sua voz quebrou.

"Me desculpa", June não pôde deixar de se desculpar, mesmo que não fosse realmente ele quem estava com Haruto naquela noite.

"Me desculpa mesmo."

Mas o pedido de desculpas não oferecia consolo, pois a dor de sua perda era uma ferida que nunca poderia cicatrizar completamente.

Eles ficaram em silêncio por um momento, com algumas das perguntas de June ainda sem resposta.

Naquele instante, o toque alto do telefone de Haruki ressoou no jardim.

"Finalmente", Haruki sussurrou, pegando o telefone. "Aquele desgraçado chegou."

"Não acredito que ele me disse para me encontrar aqui quando ele ainda nem está por perto."

June franziu a testa confuso, se perguntando o que estava acontecendo.

Haruki enxugou as lágrimas dos olhos e atendeu o telefone.

"Você está atrasado", ele disse seco.

"Estamos perto da lápide."

Então, ele desligou.

"Quem era?", perguntou June, ainda confuso.

"Meu irmão."

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