
Capítulo 529
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
June, de braços cruzados sobre o peito, encarou Haruki com um olhar desafiador.
"O quê?", perguntou ele, querendo arrancar a resposta de Haruki.
"Você sabe o que fez", disse Haruki. "Você é a razão pela qual estamos nessa situação."
"Eu não me lembro de ter tido nenhum passado com você", disse June com sinceridade. "Então, você não se importaria de me esclarecer exatamente o que eu fiz?"
Haruki riu amargamente, balançando a cabeça.
"É nisso que você é bom, hein? Em esquecer", retrucou.
June sorriu. "Sou bom em muitas coisas. Não apenas em esquecer. Na verdade, provavelmente sou até melhor que você", provocou.
Haruki mordeu o lábio para manter a compostura. "Diga isso na minha cara quando estiver no meu nível."
Na sala branca, apenas o som de mastigação podia ser ouvido. Até que Akira quebrou o silêncio.
"Eles são bons", murmurou. "Eles são realmente bons."
Jisung, sendo o entusiasta de drama que era, concordou com a cabeça. Aquilo era melhor que a maioria dos programas que estavam passando no momento!
"É como se eles não estivessem atuando", disse ele. "Eles estão projetando seus personagens muito bem!"
Os membros da equipe que assistiam na sala de controle também se viraram uns para os outros em agradável surpresa.
"Esses dois estão indo muito melhor do que eu pensava", disse um dos produtores.
"Hmm", outro resmungou. "Eles são realmente bons atores!"
"Você faria qualquer coisa para estrear, hein?", continuou Haruki, sem deixar o assunto de lado. "Você até mesmo recorreria a medidas extremas só para conseguir o que quer."
"Porque esse é o meu sonho", disse June sinceramente. "Você pode odiar um cara por querer correr atrás dos seus sonhos?"
"Sim — se isso significa machucar outras pessoas no processo", respondeu Haruki.
"As pessoas vêm e vão. As pessoas comemoram, e as pessoas se machucam. Essa é a regra da vida que não podemos escapar. Algumas pessoas inevitavelmente se machucarão no processo", disse June com frieza.
Haruki sorriu de lado. "Imaginei que você diria isso. Você é o tipo de pessoa que faz qualquer coisa pelo seu sonho."
"Você não é o mesmo?", June devolveu a pergunta.
O sorriso de Haruki desapareceu, pois ele não conseguiu refutar as palavras de June.
"Nós não somos iguais", disse ele com resolução, quase rangendo os dentes.
"Você tem certeza disso?", June insistiu, querendo saber mais sobre o passado deles.
Agora, parecia que eles estavam falando em enigmas, e June não conseguia decifrar o que Haruki realmente estava tentando dizer. Ele também não entendia como aquele jogo terminaria.
"Nós somos diferentes", disse Haruki. "Minha traição não seria tão profunda quanto a sua. Você é tão sem vergonha que até esqueceu o que fez."
Naquele instante, depois que Haruki proferiu essas palavras, um alto som estridente foi ouvido na sala, fazendo os dois cobrirem os ouvidos.
No entanto, o som era o menor dos seus problemas, porque naquela hora, as paredes se moveram em direção aos dois, ameaçando diminuir ainda mais.
Aqueles na sala branca ficaram chocados com o que acabou de acontecer.
"Tá bom, estou começando a ver um padrão aqui", comentou Ren. "Primeiro, eles quiseram nos afogar. Depois, eles quiseram nos queimar vivos. Agora, eles querem esmagar esses dois até a morte?"
Haruki e June olharam para a parede preta que quase tocava suas cadeiras.
June parou, se perguntando por que a parede empurrou para frente. Eles teriam quebrado alguma regra?
"Meu Deus, isso é um pesadelo", murmurou Haruki. "Mal posso esperar para acordar."
Naquele instante, a parede se moveu mais uma vez, empurrando suas cadeiras uma para a outra.
Suas sobrancelhas se franziram em confusão, pois as paredes não mostravam sinais de parar. Eles seriam esmagados até a morte pelas paredes que se aproximavam?
A mandíbula de June se contraiu ao sentir a sala se estreitando ao redor deles.
"Não quebrem o personagem", disse June. "Continuem falando."
Haruki apertou os lábios e voltou ao assunto de que estavam falando antes.
"Você machucou muitas pessoas no processo", disse Haruki.
Com sua declaração, as paredes finalmente pararam de se mover, fazendo os dois suspirarem internamente de alívio. Então, parecia que as paredes desabariam assim que eles quebrassem o personagem.
"Até você?", perguntou June.
Haruki fez uma pausa por um momento enquanto June esperava por sua resposta. No entanto, até o final, Haruki não respondeu. Em vez disso, ele continuou falando sobre a traição de June — uma da qual este último não estava totalmente ciente.
A conversa entre June e Haruki ficou cada vez mais acalorada, cada palavra carregada de acusação e ressentimento. A voz de Haruki tremia de emoção enquanto ele culpava June por quebrar seus sonhos e trair aqueles ao seu redor. June, por sua vez, se defendeu com igual fervor, recusando-se a recuar diante das acusações de Haruki.
"Isso é digno de Oscar", disse Sehun. "Quase acredito que eles realmente têm um passado como trainees."
Os outros membros do CHAOS se viraram uns para os outros com os olhos arregalados, se perguntando se aquele era realmente o caso. Os membros do EVE, também, finalmente perceberam que June também já foi trainee na Phoenix.
Quando a tensão chegou ao seu ponto de ruptura, a mente de June disparou, procurando uma maneira de acalmar a situação antes que ela escalasse ainda mais. Seu olhar pairou sobre as pequenas gravuras nas paredes —
Espere… gravuras?
As palavras "Em", "O", "De", e "Sua" estavam gravadas nas paredes —
palavras que pareciam fora de lugar em meio ao caos de sua conversa.
"Tudo acontece por uma razão. Tudo o que você vê está lá por uma razão."
A voz estranha ecoou na mente de June.
Com uma repentina compreensão, os olhos de June se arregalaram em entendimento. As gravuras continham a chave para sua salvação, uma pista escondida à vista que somente ele havia notado. Mas Haruki, muito envolvido em seu personagem e na intensidade do momento, permaneceu alheio à descoberta de June.
Haruki pronunciou a palavra "traição" mais uma vez, fazendo com que as paredes da câmara se fechassem novamente.
A sala encolheu ao redor deles, pressionando-os mais perto até que seus joelhos se tocassem.
"Traição", repetiu June, sua voz quase um sussurro enquanto mantinha a compostura. A cada momento que passava, as paredes apertavam mais, ameaçando esmagá-los sob seu peso.
Mas então, como se uma chave tivesse sido virada em sua mente, June juntou a frase escondida, as palavras caindo de seus lábios com urgência.
"O doce sabor da traição, vitória amarga em seu rastro", declarou ele, sua voz ressoando.
A sala ficou silenciosa, e até mesmo aqueles na sala branca ficaram atônitos com a súbita exclamação de June.
E com essas palavras, as paredes finalmente voltaram ao seu lugar original.