
Capítulo 485
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
—"Ainda não sei como vou fazer isso", resmungou June, só de pensar em compor uma música simples.
Para ele, era realmente mais difícil fazer uma música simples soar bem por causa da simplicidade dos elementos. Exigiria muito mais talento para conseguir.
Minjun riu, dando um tapinha nas costas do irmão mais velho. —Tenho certeza de que você vai conseguir. Você sempre consegue!
—Isso só me deixa mais pressionado — respondeu June, sem expressão.
—Ei, pelo menos eu já te dei uma ideia — disse Minjun. —Aposto que você veio aqui porque seus colegas de equipe estão falando um monte de besteira de novo.
June olhou para ele com os olhos semicerrados. —E agora você também está falando palavrões?
Minjun estalou a língua. —Todo mundo da minha idade já fala palavrão, vovô.
June estalou a língua, pois não conseguia refutar a declaração de Minjun.
Minjun suspirou, tentando encontrar mais maneiras de ajudar June.
—"Isso pode parecer um conselho meio batido, mas acho que você deveria tentar procurar sons na natureza", disse Minjun. —Imagino que você já tenha feito isso antes?
—Sim — June assentiu. —Na ponte do Oasis, eu incorporei os sons das ondas do nosso local de filmagem.
—Você pode tentar fazer isso de novo — sugeriu Minjun. —Não precisa ser tão óbvio quanto antes. Mas tente ouvir os sons da natureza, e talvez então você crie uma melodia.
—Isso parece muito complicado — reclamou June.
Minjun balançou a cabeça, divertido. —Parece que você é quem está na puberdade. Faça o que te parecer certo.
—"O que parecer certo", repetiu June. —Você está certo. Acho que não devo pensar muito nisso.
—Hmm — Minjun murmurou. —Às vezes, as coisas mais bonitas acontecem quando menos esperamos.
June sorriu, olhando para o menino que já não era tão pequeno e bagunçando seu cabelo.
Minjun gemeu de aborrecimento e deu um passo para trás.
—Para com isso. Você vai acabar estragando meu penteado — reclamou Minjun.
June balançou a cabeça enquanto Minjun continuava ajeitando o cabelo.
—Eles realmente crescem rápido demais — sussurrou ele.
Naquele momento, ele sentiu seu celular vibrar insistentemente. June franziu a testa ao tirar o telefone do bolso, fazendo beicinho ao ver as mensagens frenéticas de Jay.
Jay: June, volta aqui agora.
Jay: Volta sua traseira aqui agora.
Jay: Desculpa, a última mensagem foi um pouco dura? Eu só estava preocupado.
Jay: Por favor, volte. Eu quero manter meu emprego.
Jay: Tenho uma família para criar.
Jay: Por favor, June.
June suspirou mais uma vez antes de digitar uma resposta.
June: Ok.
—"Imagino que você tenha que voltar?" perguntou Minjun, espiando por cima do ombro de June.
June assentiu enquanto guardava o celular no bolso.
—É. Queria ficar um pouco mais, mas o dever chama.
—"Você quer ver a vovó um pouco?" perguntou Minjun.
June hesitou em responder, mas acabou balançando a cabeça.
—Tudo bem. Acho que é melhor ela descansar.
—É — Minjun concordou. —Mas eu digo a ela que você veio visitar.
—Faça isso. Vou indo então — disse June, acenando para Minjun antes de sair do apartamento.
Mesmo enquanto caminhava para a estação de trem, ele continuou pensando nas palavras de Minjun.
—"Uma música simples inspirada na natureza?" perguntou June em voz baixa.
Naquele instante, ele esbarrou em uma pessoa frágil, fazendo seus olhos se arregalarem. Ele estava tão absorto em seus pensamentos que não percebeu a pessoa à sua frente.
Ele abaixou o boné e levantou a máscara antes de ajudar a mulher doente a se levantar.
—"Desculpe", disse ele, tornando sua voz mais grave do que o normal para disfarçar ainda mais sua identidade. —Eu não estava prestando atenção.
A mulher doente, que também usava uma máscara como ele, tinha a franja grudada na testa. Ela se apoiou trêmula nos braços de June, quase os agarrando. No entanto, June deu um passo para trás assim que sua postura ficou estável.
—"Você está bem?" perguntou June, olhando para sua figura trêmula.
—"S-sim", gaguejou ela. —D-desculpe também.
—"Tudo bem", disse June. —Tenha uma boa volta para casa!
Com isso, ele seguiu seu caminho, deixando a garota sozinha.
No entanto, enquanto continuava andando, sentiu uma sensação estranha e dolorosa na sua patilha.
Ele parou por um tempo antes de esfregar a parte dolorida.
—"Estranho", murmurou ele.
O quarto mal iluminado parecia a própria personificação da decadência e do abandono, suas paredes envoltas em sombras. O ar tinha o cheiro mofado de tecido úmido e ar estagnado, misturado ao aroma enjoativamente doce de uma única vela que piscava no canto.
No centro do quarto, uma figura curvada sobre uma mesa de trabalho improvisada, repleta de retalhos de pano e fios emaranhados. Sua silhueta estava envolta na escuridão, os únicos traços perceptíveis eram os movimentos erráticos de suas mãos enquanto ela espetava uma boneca com uma agulha. Cada picada da agulha ecoava pela sala como uma verdadeira facada, acompanhada pelo suave gemido da forma de tecido da boneca.
—"Shh, shh. Não chore", murmurava ela continuamente em voz baixa.
A mulher balançava para frente e para trás no ritmo de sua costura. Seu cabelo, oleoso e despenteado, caía sobre o rosto, obscurecendo seus traços em um véu de escuridão.
De repente, um grito agudo cortou o ar quando a mulher se picou com a agulha, uma única gota de sangue brotando do ferimento.
No entanto, em vez de recuar de dor, ela jogou a cabeça para trás e riu.
Um pouco do sangue caiu na mão da boneca, fazendo-a rir ainda mais alto.
—"É como se estivéssemos conectadas", sussurrou ela, sua respiração enrugada pairando sobre a boneca.
Se a boneca fosse senciente, certamente recuaria do cheiro.
Então, com mãos trêmulas, ela ergueu a boneca até a luz vacilante da vela, revelando sua obra-prima.
O rosto, limpo, costurado na boneca de pano, parecia… humano.
E no topo de sua cabeça, fios de cabelo loiro brilhante brilhavam à luz de velas, um contraste nítido com a escuridão que a cercava.
—"Tão bonita", murmurou a mulher, sua voz pouco mais que um sussurro enquanto acariciava o rosto desfigurado da boneca.
—"Meu querido June."