De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 212

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Jun sentou-se em um banco enquanto rolava as fotos que Hana havia mandado. De fato, a foto que o Dr. Kim usou em sua live provavelmente era falsa.

“Sorvete! Senhor, o senhor quer sorvete?”

Uma vozinha fofa interrompeu a tranquilidade de Jun, e ele estava pronto para mandar a intrometida embora quando viu dois olhos grandes o encarando. Era uma menina, com no máximo sete anos, com uma juba de cachos rebeldes e olhos que brilhavam com uma curiosidade inocente.

Jun apertou os lábios e engoliu suas palavras ríspidas. Okay, essa criança era bem fofa.

“O que você disse?” Jun perguntou, sua voz soando mais suave do que ele esperava.

“Sorvete”, a garotinha sorriu, mostrando um sorriso sem dente. Ela puxou a manga de Jun, sua voz fina e cheia de entusiasmo: “Senhor, o senhor compraria um sorvete do meu papai? É o melhor da cidade!”

Jun levantou as sobrancelhas em interrogação.

A garotinha apontou para um caminhão de sorvete rosa-choque. Foi só então que Jun viu um homem de meia-idade com um chapéu de sorvete olhando para os passantes com um sorriso acolhedor.

O caminhão parecia meio acabado, mas estava cheio de decorações fofinhas. Um som doce e repetitivo saía de suas caixas de som quebradas, fazendo Jun tampar os ouvidos.

“Lala lá, sorvete me faz gritar! Lala lá, um sonho doce e açucarado.”

Parecia que sua audição havia ficado mais sensível depois que ele adquiriu as habilidades de produção musical.

“Meu pai vende sorvete”, ela disse. “E ele está triste porque ninguém está comprando.”

“Diga a ele para melhorar a estratégia de marketing”, disse Jun.

“O quê?” a garotinha perguntou, confusa. “Eu só estou triste porque meu papai está triste.”

Jun estalou a língua enquanto olhava para a garotinha e para o caminhão rosa.

Por que diabos ele nasceu com uma queda inata por crianças?

Quando os olhos de Jun se fixaram na criança, com seu rosto radiante de esperança e maravilha, ele não pôde deixar de sentir admiração por ela. As crianças deveriam ser livres de preocupações, perdidas nos esplendores de sua juventude, e não vendendo sorvete para seus pais em uma calçada movimentada.

No entanto, mesmo com essas preocupações, a garotinha conseguiu sorrir com tanta sinceridade. Por mais que Jun não quisesse dizer em voz alta, isso amoleceu seu coração.

Jun procurou em seu bolso e pegou algumas notas amassadas. “Tudo bem”, resmungou ele, levantando-se do banco e caminhando em direção ao caminhão detonado.

“Eba!” a garotinha comemorou, suas bochechas marcadas por covinhas se enrugando em um sorriso radiante. A garotinha segurou o pulso de Jun, fazendo seu coração amolecer ainda mais.

Era bom que Jun não fosse um assassino em série. Caso contrário, essa criança já teria sumido.

Enquanto Jun caminhava para o caminhão, seus ouvidos começaram a doer mais à medida que a música ficava mais alta.

“Lala lá, sorvete me faz gritar! Lala lá, um sonho doce e açucarado.”

Ele estalou a língua e massageou suas orelhas zumbindo. “Umm, você pode diminuir um pouco o volume?” ele pediu.

O homem, que parecia ter a mesma idade de seu pai quando ele ainda estava vivo, sorriu apologeticamente e abaixou o volume da música. No entanto, a melodia continuou a invadir os tímpanos de Jun mesmo depois disso. Felizmente, não fez mais seus ouvidos zumbirem.

“Lila? O que você está fazendo aí?” seu pai perguntou, olhando para a criança com olhos alarmados. “Me desculpe por isso, senhor”, disse ele. “Venha aqui agora, minha filha.”

Lila fez um bico, mas acabou soltando o pulso de Jun e entrando no caminhão.

“Peço desculpas pela minha filha”, ele se desculpou. “As aulas dela foram canceladas, então não tive escolha a não ser trazê-la aqui.”

“Tudo bem”, disse Jun.

“Bem, o que posso preparar para o senhor hoje?” ele perguntou, sua voz alegre porque Jun era seu primeiro cliente.

Jun olhou o cardápio e franziu a testa ao ver as palavras escritas ao lado dos sorvetes coloridos. Que diabos era isso?

“Então… o senhor viu alguma coisa que gosta?” ele perguntou com uma voz esperançosa.

Jun apertou os lábios. Não tinha como ele pedir esses sabores.

‘Tornado da Barriguinha Comichona’

‘Sundae do Macaco Maluco’

‘Ondulação Ridícula do Rumplestiltskin’

‘Arruaça do Hooligan’

“O senhor vai comprar alguma coisa, né?” Lila perguntou, olhando para Jun com olhos arregalados.

Jun soltou um longo suspiro antes de dizer entre os dentes cerrados: “Vou querer o ‘Explosão de Bonança de Chiclete Confuso’”, murmurou o nome do item do cardápio.

“O quê?” o homem perguntou, aproximando-se. “Estou ficando velho, então minha audição tem piorado bastante.”

“Esse aqui”, Jun apontou rapidamente para o item do cardápio.

“Hmm, me desculpe, cliente. Não posso anotar pedidos só com apontamento. Já cometi muitos erros por causa disso. Pode falar de novo?”

Com a irritação percorrendo suas veias, Jun disse alto: “Explosão de Bonança de Chiclete Confuso!”

“Ah”, disse o homem, um pouco chocado com o entusiasmo do jovem. “Que surpresa. É principalmente crianças que gostam desse sabor. Uma Explosão de Chiclete a caminho!” disse ele, indo para a parte de trás de seu caminhão para fazer o sorvete.

Jun deixou os ombros caírem enquanto esperava seu sorvete. Quem diria que pedir um sorvete seria tão exaustivo?

Agora, ele ficou novamente com a garotinha, que não parava de olhá-lo desde antes.

“Eu tenho alguma coisa na cara?” ele perguntou.

“Nada”, ela sorriu. “Eu gosto muito dos seus olhos! Você é como um gato.”

Jun estalou a língua e balançou a cabeça. Sua reputação de “gato” agora transcendeu até mesmo para a geração mais jovem.

“Aqui está!” o homem surgiu, dando a Jun uma porção generosa de sorvete de massa mole rosa pastel e azul. Tinha um coração rosa no topo e um palito de doce azul ao lado. No geral, parecia bastante generoso para um sorvete de 2 dólares.

“Aqui”, disse Jun, entregando o dinheiro. Então, ele tirou a máscara para poder provar o sorvete.

“Nossa, você é um garoto bonito”, o homem elogiou, e Lila concordou com a cabeça.

Um pequeno sorriso de aprovação apareceu no rosto de Jun.

Jun sempre gostou de coisas doces, então não foi tão difícil impressioná-lo com a sobremesa. No entanto, ao dar sua primeira mordida, suas papilas gustativas explodiram em uma sinfonia de sabores.

O sorvete era um abraço doce e frio, fazendo-o fechar os olhos.

Naquele momento, sentiu-se transportado de volta aos dias de sua infância, quando a loja de doces local era seu santuário. O sorvete com sabor de chiclete era uma máquina do tempo, e ele se sentia como uma criança de olhos arregalados novamente.

Antes mesmo que ele percebesse, um sorriso doce apareceu no rosto de Jun, como de uma criança que havia descoberto um tesouro de doces.

No entanto, os pensamentos de Jun voltaram à realidade quando o homem falou.

“Estou feliz que você gostou”, disse ele. “Ver você sorrir alegrou meu dia, jovem.”

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