
Capítulo 184
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Jia ficou em silêncio, observando o rosto nostálgico de June.
Parecia que o estagiário havia desbloqueado algo dentro de si – uma memória escondida fundo no coração.
June sorriu levemente ao se lembrar dos dias felizes com os pais. Não foi muito tempo, nem se lembrava de cada detalhe da infância. Na verdade, talvez não tenha sido tão bonito assim… afinal, os pais brigavam sempre que achavam que June não estava prestando atenção.
No entanto, como foi um período tão curto, June queria se agarrar a essas lembranças, distorcendo-as para que fossem belas, por um mínimo de sanidade.
June queria que fosse bonito.
Foi a única vez que sentiu o amor dos pais, então, agora, não ligava para como sua mãe morreu porque não podiam levá-la ao hospital ou como seu pai teve uma overdose por causa da tristeza.
Ele queria se concentrar nas coisas bonitas.
“A gente não tinha muita coisa quando era criança”, disse June, as palavras escapando sem aviso.
“Éramos uma família simples, morando na periferia da cidade. Teve vezes em que meu pai não conseguia ganhar dinheiro suficiente para alimentar a gente, então minha mãe fingia que não estava com fome”, riu ele.
Jia sentiu uma pontada no peito. Embora June risse, havia uma tristeza latente em sua voz.
“Meu pai nunca deixava ela passar fome, porém”, continuou ele. “Minha mãe sempre foi delicada desde pequena, então meu pai dava atenção redobrada a ela. Antes que eu percebesse, eu também comecei a dar atenção extra para minha mãe. Pra mim, ela é a pessoa mais forte do mundo inteiro.”
“Eu a vi levando bronca da nossa patroa e chorando enquanto implorava para ficarmos mais um mês. Eu a vi aguentando o gênio forte do meu pai quando ele não recebia a remuneração justa pelo trabalho. Eu a vi sorrindo na hora do jantar depois que eu voltava da escola… mesmo quando estava sofrendo por dentro.”
“De verdade”, suspirou June, olhando para o colo. “Minha mãe era a pessoa mais linda do mundo inteiro.”
“Ou melhor… era a pessoa mais linda”, disse ele, a voz ficando mais suave.
Jia sentiu um nó se formando na garganta.
June ficou em silêncio, seus pensamentos voltando para a época em que sua mãe estava grávida de Mei Ling. Essas eram as palavras que ele não conseguia mais dizer na frente de Jia.
Sua mãe se esforçou muito para aguentar a gravidez, apesar das circunstâncias, e fez uma promessa a June de que cuidariam da irmãzinha, não importa o quê.
“Nós vamos ser os maiores protetores da Mei Mei!”, a voz alegre de sua mãe ecoava em sua mente. “Você promete proteger sua irmãzinha, meu Jun Hao?”
O pequeno Jun Hao acenou entusiasticamente enquanto acariciava a barriga da mãe.
Foi uma promessa selada com os mindinhos.
Mas, no fim, June ficou sozinho para proteger Mei Ling.
Sua mãe morreu naquela noite depois do parto.
Eles não podiam ir ao hospital.
Eles não podiam salvar sua mãe.
June sorriu, olhando novamente para Jia.
Jia ofegou baixinho ao ver lágrimas brilhando em seus olhos. June riu alto ao se sentir emocionado.
“Ah”, disse ele, enxugando rapidamente as lágrimas antes mesmo que elas caíssem. “Eu… eu não sei mais o que dizer”, disse ele, trêmulo.
“Eu só… eu só queria que as coisas tivessem sido diferentes”, disse com toda sinceridade.
“Então, talvez o mundo ainda tivesse a pessoa mais linda.”
Jia assentiu, olhando para baixo enquanto sentia uma lágrima escorrer pelo rosto.
“Mas, de novo, não é assim que o mundo funciona”, disse June, a voz derrotada.
“A gente nunca pode voltar no tempo. Não podemos mudar o que já foi feito. No fim, a gente só aprende a aceitar.”
“M-Mas é injusto”, disse Jia de repente, fazendo June focar sua atenção nela.
“Hum?” perguntou June. “Injusto?”
“Eles são tão injustos com você”, disse ela, trêmula. “Eles não conhecem sua história de verdade, mas acham que conhecem.”
June assentiu. “Essa também é a realidade da vida. É injusto? Sim, é. Mas posso culpá-los por acreditarem nisso? Não sei.”
“Então, agora, eu só quero contar minha história.”
“Porque eu não quero ser visto como o filho de alguém que tem muito”, disse ele.
“Eu sou filho da minha mãe”, disse ele, um pequeno sorriso se formando em seu rosto.
“Minha mãe, que não tinha muita coisa, mas me deu tudo o que eu podia pedir.”
“E agora”, disse ele, olhando nos olhos de Jia. “Estou realizando meu sonho para poder continuar cumprindo a promessa da minha mãe.”
Proteger Mei Ling.
O quarto ficou em silêncio quando June disse suas últimas palavras. Não havia necessidade de palavras.
Jia, cujo coração sentia por June, ganhou um novo respeito pelo estagiário. Embora ele fosse retratado como um estagiário despreocupado e direto, com muitos encantos peculiares, havia algo mais escondido nele.
Algo bonito.
E assim que estava prestes a abrir a boca e dizer palavras de conforto, a porta se abriu de repente, e sua mãe entrou no quarto resmungando.
“Eles precisam me perguntar cada coisinha? Podiam fazer um curso rápido sobre edição de software se vão me perguntar até as coisas mais bobas!”, exclamou ela exasperada enquanto se sentava na cadeira.
Cindy gemeu de frustração e olhou para os dois jovens com os olhos semicerrados.
“Vocês não fizeram nada enquanto eu estava fora, né?”
“Mãe!”, exclamou Jia, suas bochechas queimando. “A gente não fez nada. A gente só… conversou.”
O que eles fariam mesmo?
“Hum”, disse Cindy, ainda um pouco desconfiada.
“Bem, parece que vou ter que re-editar a maior parte das entrevistas porque essas pessoas não sabem editar cenas tristes direito”, disse ela. “Então, precisamos acabar com isso logo.”
Ela se virou para June e levantou as sobrancelhas. “Você está pronto agora?”
June limpou a garganta e endireitou as costas.
“Estou pronto.”