
Capítulo 377
Casamento Predatório
O líder da caravana não acreditava realmente que eles estavam perdidos no meio do deserto. Era muito mais provável que estivessem fugindo de alguém. Mas ele se aproximou deles com um ar cavalheiresco e não parecia ter intenções nefastas.
“Estou esperando meu marido”, disse Leah, permitindo que o véu ao redor de seu rosto deslizasse para baixo. Ela estendeu a mão esquerda como evidência e, embora o líder da caravana tenha notado sua aliança de casamento, ele não pareceu se tranquilizar.
“Até que seu marido venha, você pode viajar conosco”, disse ele. “Há ladrões por perto.”
Isso não era uma preocupação para Leah; talvez fosse para onde Ishakan tinha ido. O que significava que os ladrões estavam por perto, e o líder da caravana ainda não os havia notado.
“Meu nome é Bachman”, disse o homem, apresentando-se. “Sou um comerciante viajando para Kurkan para negócios. Você pode confiar em mim. E este é meu primeiro filho, Hutan”, acrescentou, apontando para o homem com aparência de urso ao lado dele.
Naquele momento, o vento quente do deserto soprou forte e Leah fechou os olhos automaticamente, jogando sua capa em volta de Lesha para protegê-lo. Quando parou, seu capuz tinha sumido, e seus olhos voaram para Bachmann enquanto ela se apressava para arrumar o cabelo. Ele parecia confuso.
Leah estava envergonhada. Ela tinha mantido seu rosto escondido durante toda a jornada para ocultar as marcas únicas de uma realeza estiana, pois isso poderia causar problemas. Ela tinha aprendido essa lição em uma das primeiras cidades que visitaram em sua jornada; ela tinha deixado seu rosto descoberto e o chefe se apaixonou por ela à primeira vista, o que causou problemas que Ishakan resolveu com os punhos.
A lembrança ainda fazia sua pele se arrepiar.
E havia muitas pessoas que persistiam mesmo depois de verem que ela era casada. Era um momento inadequado para o vento arrancar seu disfarce.
“...oh”, disse Hutan, piscando com lenta percepção. “É-é uma honra c-conhecê-la.”
Ele ofereceu uma mão para apertar e rapidamente limpou as palmas suadas na roupa.
“Me desculpe. Estou muito nervoso...”
Ele parecia um urso, mas era tão desajeitado e inocente enquanto ria de si mesmo que Leah não pôde deixar de sorrir para ele enquanto pegava em suas mãos. Hutan parecia ter sido atingido na cabeça.
“Mãe”, Lesha resmungou, agarrando-se à mãe enquanto encarava os homens com nojo, como se suspeitasse que eles a atacariam a qualquer momento.
“Está tudo bem”, disse Leah. Lesha a ignorou, olhando furiosamente.
“E-enfim, estamos indo para Kurkan”, disse Bachmann, limpando a garganta. “Eu odiaria que algum ladrão esbarrasse em você, então espero que aceite minha oferta.”
“Suas caravanas têm negociado com kurkanianos?”, perguntou Leah, virando a cabeça para esconder o rosto.
“Nada formal ainda.” Bachmann ofereceu um sorriso sem jeito. Leah sabia que Kurkan estava relutante em permitir o comércio estrangeiro. Atualmente, a maior parte era direcionada através de Estia. Havia negócios ocasionais onde um comércio mais direto era permitido, mas não havia nenhum comércio de caravanas. Os kurkanianos não gostavam de caravaneiros.
Seu rei anterior tinha vendido muitos deles como escravos para as caravanas.