
Capítulo 73
Casamento Predatório
Leah não conseguiu evitar o choque que sentiu, mas fez o possível para escondê-lo. Claro, ela sabia sobre a temporada de acasalamento das feras, mas só havia lido sobre isso em livros.
Ela cambaleou enquanto tentava organizar seus pensamentos acelerados, enquanto Genin continuava sua explicação calmamente. “É lógico que um Kurkan procure acasalar para satisfazer seu instinto reprodutivo,” disse.
Haban interveio, assegurando-a de que não precisava se preocupar. Era completamente normal para sua espécie agir de forma mais impulsiva diante de seus parceiros.
Ao ouvir isso, Leah teve um pensamento súbito. Ela imediatamente se voltou para Genin, que parecia sempre estar ao lado de Ishakan. “Talvez…” Leah começou, mas Genin imediatamente a interrompeu, já antecipando o que ela ia dizer.
“Não somos um casal,” respondeu defensivamente. “As pessoas frequentemente confundem isso porque estamos sempre juntos, mas garanto que meu marido é muito mais bonito.”
Genin continuou explicando que, enquanto Ishakan agia de forma frívola, seu marido não. Ele era atencioso e cuidadoso. Ela falou com orgulho sobre o marido, deixando Leah com uma impressão muito positiva desse homem desconhecido. Genin parecia estar acostumada a elogiar seu parceiro.
Quando terminou os elogios, Genin retornou ao tema principal como se nada tivesse acontecido. Ishakan e Haban apenas deram de ombros levemente.
“Os Kurkans são um pouco diferentes durante a lua cheia. Seu corpo não suportará isso.” Genin optou por não se aprofundar, sabendo que, se o fizesse, Leah não seria capaz de lidar com o choque. “Você deve se afastar o máximo possível de Ishakan,” disse. “Especialmente hoje.”
Então, as mãos grandes e fortes de Genin estenderam-se gentilmente em direção à princesa. Ela pegou os laços do robe de Leah e os ajustou cuidadosamente, manipulando-os para esconder melhor a pele clara da princesa. Ela a tratava com cuidado, como se fosse uma boneca de porcelana. Talvez hesitasse em tocá-la depois de tê-la visto desmaiar anteriormente. Haban tinha a mesma atitude.
“Vossa Alteza,” começou ele, “Meu nome é Haban. Peço desculpas por não ter me apresentado formalmente, especialmente porque já a vi outro dia.”
Com a cortesia de sua introdução, Haban suavizou a voz. Ele parecia cauteloso, como se falar mais alto pudesse prejudicar os ouvidos de Leah. Embora se sentisse ridículo, não queria questionar a fragilidade dela.
“Oh,” Genin exalou, notando a figura trêmula do conde. “Sinto muito por tê-lo intimidado,” murmurou. O rosto de Valtein estava pálido.
O conde Valtein queria dizer que teria morrido se Genin o segurasse por mais tempo. Em vez disso, não disse nada e desistiu de reclamar.
Quebrando a tensão, Ishakan levantou-se de seu assento, braços cruzados. Sua postura confiante era evidente. “O traficante de escravos que estávamos seguindo era a princesa,” disse.
Genin e Haban olharam para Leah, seus olhos se arregalando de espanto. Era difícil acreditar que essa princesa delicada fosse a origem de todos os problemas, sempre um passo à frente deles.
Ishakan riu, bem-humorado. “Acho que sofri um golpe pesado.”
Enquanto os outros se divertiam com essa informação, o conde Valtein permanecia cauteloso. Ele agarrou a barra do vestido de Leah, seus olhos transmitindo um medo fervoroso. Ele conhecia as supostas brutalidades dos Kurkans e tremia, temendo que seu pescoço fosse torcido ao menor deslize.
Para confortá-lo, Leah deu-lhe um leve tapinha na mão. No entanto, isso apenas fez Valtein encolher-se ainda mais, pois Ishakan, que acabara de falar, o encarava.
Antes que o pobre conde Valtein desmaiasse, Leah abriu a boca para falar. “Então, o que você planeja fazer?”
Ishakan manteve o olhar fixo. Era um milagre que, de alguma forma, todos estivessem reunidos ao mesmo tempo e lugar. Leah sabia que havia outros Kurkans escondidos por perto também.
No entanto, Leah não conseguia decifrar o que estava passando pela cabeça de Ishakan. Ele era um homem indecifrável, mas, ao menos, ela sabia que qualquer estratégia dele provavelmente não levaria a uma solução pacífica. Se Ishakan prosseguisse como desejava, poderia arruinar o plano meticuloso de Leah. Ela precisava de um meio de controlar possíveis adversários que não esperava encontrar.
“Se nossos objetivos forem os mesmos, seria melhor unirmos forças,” sugeriu Leah.
“Bem… você tem razão…” Ishakan sorriu lentamente. “O que está pensando, princesa?” Ele concordou em discutir o plano dela em mais detalhes.
Leah explicou brevemente, tentando persuadi-lo a seguir uma direção menos desastrosa. “Então, se encontrarmos onde os Kurkans estão presos…”
“Você é um pouco assustadora, princesa,” disse o conde Valtein, levantando timidamente o canto da boca, esforçando-se para não rir de sua própria piada. Ele sabia que, se risse, seria expulso da sala.
“Devemos ir atrás deles. Juntos,” sugeriu Ishakan, com uma voz autoritária.
“Mas…” Leah rapidamente protestou. A ideia era absurda.
“Podemos segui-los discretamente,” acrescentou Ishakan, confortavelmente. “Você deve permitir isso.”
Ele era um homem que sabia como pressionar os outros. Leah não havia previsto isso, mas não conseguia encontrar uma desculpa para se opor. Talvez, incluir os Kurkans e revisar seu plano atual fosse o melhor a fazer.
Leah ponderou por um momento antes de dizer, “Se eu permitir, você seguirá meus planos?” perguntou baixinho.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Ishakan. “Só você consegue relegar o rei dos Kurkans a tamanha submissão.”
“Não preciso de ninguém no meu caminho,” disse Leah, sabendo muito bem o quão travesso e astuto o rei podia ser diante dela.