
Capítulo 319
Casamento Predatório
Embora as tribos Kurkan, antes divididas, estivessem unidas sob seu novo Rei após o fim da longa guerra civil, não havia paz perfeita.
Ishakan decidiu que precisavam de um inimigo externo para uni-las, e Estia era o alvo óbvio. Para os guerreiros Kurkans, não havia assunto melhor, e seu povo prontamente voltou sua atenção para a conquista daquele país.
Sua primeira ordem foi coletar informações. Ele não pretendia nenhum derramamento de sangue desnecessário. Para proteger o povo comum de Estia, ele pretendia destruir o país do zero. Ele se aliaria a certos nobres estianos e alteraria o sistema de governo da família real.
Depois de enviar uma pequena equipe de Kurkans à sua frente, Ishakan foi pessoalmente a Estia. Era como ele esperava. A família real de Estia nem havia percebido o quanto seu povo estava infiltrando o país.
Estia era um navio afundando. Mesmo que os Kurkans não fizessem nada, a família real provavelmente entraria em colapso sozinha. E tudo o que ele queria era tirar a Princesa de lá.
Mas ao começar a entrar no palácio para observá-la pessoalmente, era impossível não notar que a Princesa havia mudado muito da garota de que ele se lembrava.
Será que ela sempre fora tão… apagada?
Ele se lembrava de uma garota expressiva, cheia de paixão, seus olhos roxos vivos de fogo. Tudo isso havia se apagado. Quando ela falava, não havia vivacidade em sua voz, nenhuma expressão em seu rosto, e nunca mais do que uma sugestão de sorriso.
Seus olhos haviam perdido o brilho.
Haviam se passado apenas alguns anos, e a garota de que ele se lembrava havia… desaparecido. Ishakan não gostava de ver o quanto alguém tão esplêndido havia desbotado.
Um dia, Haban veio para oferecer informações ainda mais perturbadoras.
“A princesa está procurando um prostituto…” disse Haban a Ishakan hesitantemente.
Ishakan não acreditou no que ouviu.
“Um prostituto? ” Perguntou ferozmente.
“Sim… acho que é para ela mesma…”
Ishakan ficou cheio de nojo. Enfiando o cachimbo na boca, ele tragou, sentindo uma onda de raiva que o deixava quase irracional. Mesmo fumando, mal conseguia acalmar a cabeça.
“Haban.”
“Sim?”
“Não deveria recompensar a pessoa que salvou minha vida?”
“Sim…”
“Deveria garantir que ela tenha um prostituto que a agrade bem.”
“…o quê?” Haban olhou para Ishakan sorrindo com alguma confusão. Ishakan planejara encontrá-la novamente como o Rei de Kurkan, sob o pretexto de negociar a paz com Estia, mas tudo estava sabotando esse plano.
Ishakan decidiu antecipar seu encontro com a Princesa.
Logo, chegou o dia em que ela encontraria seu prostituto.
Ishakan chegou primeiro e o expulsou, para poder tomar seu lugar. O local de encontro combinado era uma hospedaria decadente, secretamente conhecida pela participação ilícita no comércio sexual.
A hospedaria era barulhenta, cheia de gente alta e bêbada, alguns embriagados a ponto de cantarem aos berros. Ishakan entrou e sentou-se na mesa combinada, em um canto escuro onde nem as luzes dos lampiões alcançavam.
Esperando, a ansiedade que o assombrava aumentou rapidamente, e ele finalmente tirou um charuto para se acalmar. Ele sabia que não deveria fumar se quisesse esconder sua identidade; qualquer traficante de escravos que passasse reconheceria o aroma único das folhas que os Kurkans fumavam.
Pegando um fósforo, ele acendeu. Ele não conseguia se acalmar. Ele não estivera tão tenso no dia em que lutou e matou o Rei Kurkan.
Ele tragou uma baforada, e enquanto a fumaça enchia seus pulmões, ele gradualmente começou a se acalmar.
Ele pensou na Princesa.
Será que ela estava acostumada a contratar prostitutas? Ela parecia tão recatada quando ele a conheceu. Era difícil acreditar que ela havia mudado tanto, que ela estaria até mesmo pagando homens comuns por sexo.