Casamento Predatório

Capítulo 317

Casamento Predatório

Um boato se espalhava por Kurkan.

Diziam que um Ancião, de olhos dourados, havia aparecido.

Era difícil acreditar que uma criatura tão lendária tivesse existido, muito menos que uma tivesse nascido agora, e ainda por cima mestiça. A maioria dos kurkans descartou o rumor absurdo, certa de que ele passaria e desapareceria, como tantos outros.

Mas não foi isso que aconteceu. Ao contrário, com o passar dos anos, o boato cresceu, foi embelezado, espalhando-se como fogo em palha seca.

No centro do boato estava Morga, chefe da tribo das serpentes.

Ele era um grande feiticeiro, o melhor entre eles. Ninguém podia negar sua habilidade, apesar de sua personalidade terrível. Até mesmo o Rei tentava atrair Morga para o seu lado. Mas, durante a interminável guerra civil, Morga nunca havia escolhido um lado. Não importava o que acontecesse, ele havia sido resolutamente neutro.

E agora, ele subitamente declarou que serviria a um novo Rei. Seu Rei era o Ancião, a criatura da lenda.

Isso quebrou o tênue equilíbrio entre as várias facções de Kurkan, e em meio ao caos que se seguiu, o Ancião gradualmente se revelou.

Ele começou no deserto distante, longe do palácio de Kurkan. Primeiro, ele tomou o controle das terras mais distantes, e em um ano, as tribos começaram a cair para ele, uma a uma. Com a tribo das serpentes o apoiando, outras cinco logo se seguiram e se ajoelharam a seus pés.

Sua reputação começou a crescer. Depois disso, as tribos começaram a se aproximar dele por conta própria, oferecendo-se para jurar lealdade a ele.

O Rei de Kurkan tardiamente enviou soldados para tentar reprimir os rebeldes, mas a situação já estava fora de seu controle. Após três anos, o Ancião havia conquistado Kurkan, e os rebeldes haviam chegado à cidade onde o Rei residia.

Então veio o último dia.

“Metidos a espertos!” O Rei gritou, ao ver o exército rebelde avançando para a frente do palácio. O som de um toque de corneta ecoou pelos seus corredores.

A batalha final do Rei era para se defender, apoiado pelos restos de seus cavaleiros. Ele pessoalmente se juntou à luta, matando muitos dos rebeldes com suas próprias mãos. Foi uma luta feroz, mas unilateral desde o início. A vitória nem de longe estava próxima.

“Ancião”, disse o Rei ao invasor, recusando-se a reconhecer a derrota.

O invasor se aproximou, pingando sangue no chão de pedra branca. Vê-lo era como olhar para o passado, uma visão daquela criança de olhos dourados que o Rei havia vendido para os escravistas. Agora ele havia retornado a Kurkan como um adulto.

O Ancião olhou para o Rei, e seus olhos brilhantes eram os olhos ferozes de um predador de topo, que nada temia. Nenhum kurkan poderia negar o que ele era.

O Rei apenas lamentou não tê-lo matado com suas próprias mãos quando ele era criança.

Ele desviou o olhar, evitando os olhos do Ancião. Muitos rebeldes o seguiam, e o Rei sorriu amargamente para os rostos familiares.

“Haban. Genin…”

Eles já tinham sido seus escoltas.

“Eu não sabia que os cachorros tinham voltado para morder a mão do dono.”

Nenhum dos dois respondeu. O Rei estendeu os braços desafiadoramente.

“Vocês vieram para me matar?”

O Ancião se aproximou, caminhando lentamente em sua direção.

“Você me prometeu seu trono”, disse ele, com sua natureza selvagem enchendo sua voz. “Você me disse para voltar e tomá-lo. Estou aqui para ver se a promessa é cumprida.”

Erguendo a espada curva que havia ceifado tantas vidas, ele apontou para o Rei.

“Eu o desafio para um duelo pelo trono.”

Instantaneamente, a raiva do Rei explodiu.

“Você, jovem tolo!”

Foi um insulto. Suas espadas se encontraram e o Rei rangeu os dentes enquanto empunhava sua própria espada curva, queimando de raiva diante da proposta.

O Ancião poderia tê-lo esmagado com seus soldados, mas isso não era suficiente. Ele havia invocado a antiga tradição kurkan de determinar a dominância por combate singular.

Ele o fizera por uma razão simples. Ele não queria que sua vitória fosse obscurecida pelas mãos de outros. Ele derrotaria o Rei de Kurkan sozinho, com suas próprias mãos, para provar que um kurkan mestiço poderia derrotar o Rei puro-sangue. Isso provaria sua superioridade em termos que ninguém poderia contestar.

Seria uma derrota humilhante. O Rei lutou furiosamente, mas quanto mais o duelo se prolongava, mais claramente a diferença entre os dois homens era ilustrada.

Comentários