
Capítulo 283
Casamento Predatório
O dia estava escuro. Nuvens cobriam o sol e tudo parecia sem vida sob o céu sombrio. Até mesmo as decorações que enfeitavam o salão de recepção ao ar livre pareciam mortas.
Era tudo muito deprimente para um dia de casamento.
Leah, que estaria ali diante de todos naquele dia, já se sentia sufocada. O espartilho apertado dificultava a respiração, e ela se sentia presa, cercada por tanta gente. A noiva nem sequer tinha permissão para beber água havia algum tempo, mas ninguém parecia se importar.
Ela estava linda no espelho. Seu vestido de noiva branco estava tão impecável que parecia uma pena arriscar o menor grão de poeira. Olhando-se no vestido deslumbrante, Leah de repente sentiu náuseas.
Queria rasgar aquele vestido perfeito em pedaços, jogá-lo no chão e cuspir nele. Teve que resistir à vontade de cerrar os punhos. Uma de suas damas de companhia estava fazendo suas unhas. Elas tinham que estar impecáveis para que ela não machucasse a pele de seu marido real na primeira noite, e depois que terminaram, sua dama colocou luvas de renda em suas mãos e, então, sua aliança no dedo.
Assim que estavam prestes a colocar o véu, suas damas de companhia pararam ao mesmo tempo. Um intruso havia entrado no quarto da noiva, o que deveria ter permanecido escondido até o casamento.
Vestido em um elegante terno, Blain entrou em seu quarto. Era crença comum que seria azar se o noivo visse o rosto da noiva antes do casamento, mas Blain não se importava. Muitas outras coisas já haviam acontecido.
“Saiam, todas vocês”, ele ordenou, expulsando todos do quarto. Isso deixou apenas Leah e Blain no cômodo, mas ele não se aproximou dela. Apenas se encostou à porta e a observou.
“……”
Os dois não se viam há muito tempo. Depois que ele ordenou que Leah fosse transformada em uma boneca, Blain nunca a tinha olhado. Agora ele apenas a fitava em seu vestido de noiva branco por um longo tempo, e então se virou e saiu sem dizer uma palavra.
Leah se perguntou por que ele tinha vindo, mas decidiu não pensar muito sobre isso. O que ela estava prestes a fazer era muito importante para se preocupar com qualquer outra coisa.
Imediatamente antes da cerimônia de casamento, ela tirou a poção que havia escondido de suas damas de companhia e a despejou na boca sem engolir, depois escondeu o frasco vazio onde ninguém o descobriria.
Finalmente, chegou a hora de ir para o salão de casamento.
Várias damas a seguiram, carregando sua longa cauda. O salão de casamento estava extravagantemente decorado.
Leah olhou para os convidados sentados nas fileiras. Eles tinham vindo para celebrar a união de um novo casal, estavam sorrindo felizes e todos pareciam enfeites. – Publicado apenas no NovelUtopia
Quando a orquestra começou a tocar, ela ficou no final do corredor, marcado por um longo tapete de seda branca. Em suas mãos, segurava um buquê de lírios coloridos.
Blain estava esperando na outra extremidade do corredor com o padre. Ouvindo os aplausos da multidão, ela sentiu tontura ao se aproximar. A cada passo, sentia como se estivesse caminhando para a beira de um penhasco.
Talvez ela tivesse sido arrogante. Desde que conseguiu quebrar uma parte da maldição, ela tinha tanta certeza de que conseguiria quebrar o resto e recuperar suas memórias. Agora que sabia que não estava sozinha, tinha certeza de que conseguiria. Mas apenas pequenos fragmentos de memórias preencheram os vazios em sua mente.
Leah apertou os lábios.
Fui gananciosa, acreditando que recuperaria minhas memórias, disse a si mesma. Só queria que Ishakan se orgulhasse de mim. Mas no final, não consegui…
Na primeira fila dos convidados, ela encontrou Cerdina, muito maquiada para esconder seu rosto cansado. Ela estava vestida tão lindamente como se fosse a noiva, mas a malícia enchia seus olhos.
Aqueles olhos penetrantes examinaram Leah, e ela desviou rapidamente o olhar daquele olhar crítico. No final, ela não tinha conseguido encontrar suas memórias perdidas. Mas havia trabalho a ser feito.