Casamento Predatório

Capítulo 279

Casamento Predatório

Blain ficou sem palavras. Depois de dizer o nome de Leah, calou-se.

Nunca esperara que ela voltasse por vontade própria. Acreditava que a única forma de garantir sua obediência seria pela violência e coerção, como sempre, mas aparentemente estava enganado. Ainda não havia feito nada, e lá estava ela. Um pensamento bobo lhe ocorreu.

“Por que voltou?”, perguntou, diante de todos os nobres-fantoches. Olhando para o Conde Valtein e o Ministro Laurent, sentados à mesa, um sorriso torto surgiu em seu rosto. “Fugiu com o bárbaro como se sua vida dependesse disso, mas voltou com medo das consequências.”

“Estou apenas comparecendo à reunião do Conselho de Ministros como Princesa”, respondeu Leah calmamente. “É um dever que devo cumprir.”

A paciência de Blain se esgotou. Levantou-se e foi até Leah, agarrando-lhe o pulso e a arrastando para fora da sala. Ela só se moveu depois que saíram.

Blain encarou seu rosto inexpressivo. Não conseguia imaginar o que ela poderia estar pensando. Mas, de repente, sentiu o toque de uma mão delicada em seu pulso, e afrouxou o aperto. Lembrou-se do que Leah lhe dissera uma vez.

Você sempre me deu comida deliciosa.

Ela confundia suas lembranças do bárbaro com Blain. Talvez o selvagem tivesse conquistado seu coração alimentando-a bem. Blain não pôde deixar de perguntar.

“…Você já almoçou?”

“Ainda não.”

“Vamos comer antes de conversarmos.”

Embora fosse um pouco cedo para o almoço, Blain a levou à sala de jantar. As empregadas ficaram perplexas com a chegada repentina do Rei, mas se apressaram em atendê-los.

A sala de jantar do palácio principal era reservada à família real, embora ocasionalmente alguns convidados tivessem permissão para usá-la. Mas, embora ele e Leah muitas vezes tivessem comido juntos ali, Blain sentia-se desconfortável. Leah comeu obedientemente, e uma tensão estranha se instalou no silêncio. Deu-lhe sede, e ele alcançou o vinho.

Leah só pousou os talheres quando sua garrafa estava vazia.

“Saiam, todas vocês”, ordenou sem olhar para as empregadas, e elas saíram, deixando apenas os dois na sala de jantar. A garganta de Blain estava seca. Quando foi pegar outra garrafa de vinho, Leah a pegou primeiro.

“Vou servir para você”, disse ela, segurando a garrafa. “Gostaria de um pouco de vinho branco…”

Imediatamente, Blain levantou-se para pegar uma garrafa de vinho branco na adega no canto da sala. Leah já havia lhe servido uma taça quando ele voltou, e ele a esvaziou sem pensar, sem nem mesmo notar o sabor. Assim que a taça ficou vazia, Leah pegou a garrafa novamente.

Blain olhou para a mão branca segurando a garrafa. Havia um anel em um daqueles dedos finos. A aliança de noivado que ele lhe dera.

Não conseguia desviar o olhar dela. Seus olhos demoraram-se nela, perdido em pensamentos, e lentamente ele os ergueu quando Leah piscou seus longos cílios prateados. Seu rosto estava deslumbrante naquele dia.

“Espero que você possa reconsiderar nosso futuro”, disse ela.

Nosso…

Os lábios de Blain se abriram. Nosso. Ele repetiu para si mesmo várias vezes, cativado, enquanto a voz de Leah continuava.

“Não quero me tornar uma marionete. E não quero que as pessoas que amo se machuquem.”

Quietinha, ela explicou por que havia voltado. Ela não havia encontrado uma maneira de quebrar os feitiços. Não podia abandonar aqueles que ficaram no palácio.

Blain esperava tudo isso. Suas palavras até pareciam sinceras. Mas sua próxima declaração foi completamente inesperada.

“Vou tentar manter Vossa Majestade em meu coração…” Gentilmente, ela apertou sua mão, que carregava a aliança de noivado que ela lhe dera. “Então, por favor, trate-me gentilmente a partir de agora.”

Uma enxurrada de pensamentos o inundou assim que ouviu aquilo. Haveria ainda vestígios do feitiço quebrado manipulando seus sentimentos? Era possível que o feitiço que manipulou sua memória tivesse reativado seus sentimentos, se ela pensasse muito no passado…

Era uma ideia ridícula. Ele deveria tê-la repreendido para que parasse de falar bobagens, mas sua boca já estava dizendo outra coisa.

“Como posso acreditar em você?”

Leah ainda estava olhando para Blain, seus lábios cheios pressionados. Ele olhou para aqueles lábios por um longo tempo até que finalmente se abriram, e sua língua se moveu enquanto ela falava.

“Esta noite…” Leah sussurrou. “Por favor, me abrace.”

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