Casamento Predatório

Capítulo 269

Casamento Predatório

Ishakan pareceu se arrepender das palavras assim que as pronunciou. Carinhosamente, sua mão acariciou o rosto dela.

“…Me desculpa.”

Era óbvio por que ele tanto se esforçara para esconder isso no coração. Ele não queria pressionar Leah a se lembrar. Não teria dito nada se ela não tivesse retomado o controle de seus sentimentos. Ishakan nunca teria dito uma palavra se ela não tivesse.

Mas então o vento soprou uma forte rajada, fazendo a camisola de Leah ondula e seus cabelos prateados flutuarem, e a voz de Ishakan rachou um pouco enquanto ele se inclinava e sussurrava.

“Diz que me ama.”

O coração dela doía. Ainda era difícil expressar seus verdadeiros sentimentos, mas até que estivesse completamente livre do feitiço, precisaria dizê-los claramente. Aproximando-se de Ishakan, ela o abraçou e tentou fazê-lo acreditar.

“Eu te amo”, disse ela sinceramente, e até se ergueu na ponta dos pés para abraçá-lo mais forte e confortá-lo. Ishakan sorriu enquanto ela, desajeitadamente, o beijava na bochecha.

Vê-lo sorrir a fez sorrir. Ishakan beijou sua testa, um toque leve de seus lábios, e quando ela foi tocar o local, ele pegou sua mão e a beijou também. Em todos os lugares que ele a tocava, ela sentia cócegas.

“Aaaaaargh!”

Em volta de Leah e Ishakan, eles caíram no chão como uma chuva de nozes. Entre tantos, Leah reconheceu alguns rostos, e assim que Haban se levantou, imediatamente começou a se desculpar.

“Desculpa! Desculpa! Mas eu não estava escutando escondido, juro!”

“Então o que?” Ishakan perguntou secamente.

“Hum… isso é…”

“……”

Mura interveio, já que Haban obviamente não sabia o que mais dizer.

“Viemos porque estávamos preocupados”, disse ela. “Tínhamos medo de que você pudesse fazer algo com a Leah. Da última vez você quebrou a cama!”

Todos os outros Kurkans começaram a falar ao mesmo tempo.

“Exatamente! Temos que ter cuidado, e se acontecer algo sério?”

“Não importa o quão fortes sejam os bebês Kurkans, Leah ainda é frágil!”

“Verdade! Verdade!”

“Realmente…” Ele disse, pegando a mão dela com um sorriso sem graça. “Eu só sou fraco com você.”

Ela era a única que podia derrotá-lo. Os braços dele a envolveram e ela o abraçou de volta. Cada vez que ele mencionava memórias do passado deles, ela desejava poder compartilhá-las com alegria. Ela queria poder provocá-lo sobre quando ele tinha sido fraco perto dela. Era isso que ela faria assim que recuperasse a memória.

“Obrigada por terem vindo me procurar”, disse ela depois que ficaram algum tempo ali, abraçados.

“Claro”, disse ele, com uma expressão séria que dizia que qualquer outra coisa seria absurdo. “Eu teria te procurado não importa onde você estivesse.”

“Mas…”

“Você fez o mesmo”, disse ele, tocando o queixo dela. “Você foi me salvar.”

Ela entendia por que faria isso, embora não conseguisse imaginar Ishakan precisando ser salvo.

“Vou te levar de volta”, disse ele. “Custe o que custar.”

Os punhos de Leah se fecharam ao ouvir essa promessa, e Ishakan riu. Mas então, de repente, ele franziu a testa e se aproximou, olhando ao redor da floresta enquanto sussurrava em seu ouvido.

“Olha”, sussurrou ele, como se a estivesse alertando de algo mortalmente sério. “Em breve eles começarão a cair.”

Leah se perguntou o que diabos isso significava, mas não demorou muito para descobrir. Um momento depois, ela avistou os Kurkans.

Eles estavam saindo dos galhos das árvores, claramente frustrados por não conseguirem ouvir a voz baixa de Ishakan. Então uma das sombras Kurkans em movimento fez contato visual com Leah.

“……”

Houve um momento de silêncio. Todas as sombras congelaram, com mãos e pés parcialmente levantados, hesitantes, e então começaram a cair das árvores.

“Aaaaaahhhhh!”

Claro, Ishakan nem sequer levantou uma sobrancelha, mas o rosto de Leah estava em chamas.

Ela não podia acreditar que a cama tinha quebrado. Ela achara que a cama na mansão do Conde Weddleton era muito rangente, mas estivera muito… distraída para se perguntar porquê.

Teriam eles entrado e consertado enquanto ela dormia?

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