Casamento Predatório

Capítulo 239

Casamento Predatório

As palavras a chocaram. O título “Rainha de Kurkan” ecoava em sua mente. Mas externamente, Leah estava impassível.

“Você está falando besteira”, disse ela. “Por que eu teria que salvar sua vida?”

Mexendo com uma das mãos na cesta de rosas, a mulher Toma mostrou-lhe uma garrafa de vidro cheia de líquido negro, escondida entre as flores. Uma poção Tomari.

“Isso vai ajudar a limpar sua mente”, disse ela. “Se você tiver alguma dúvida, pergunte aos que estão a guardando para que serve essa poção.”

A princípio, Leah pensou que ela se referia aos cavaleiros. Mas seus cavaleiros não poderiam saber nada sobre poções estranhas. E então Leah entendeu a quem a velha se referia.

“…Vou levar as rosas.”

Enquanto Leah pegava a cesta, a mulher Toma a agradeceu profusamente.

“Mas não posso garantir sua vida”, Leah esclareceu. “Eu não tenho esse poder.”

A velha sorriu como se tivesse ouvido algo engraçado.

“Os Kurkans sempre seguirão os desejos de sua Rainha”, sussurrou ela. “Por favor, não se esqueça deste encontro.”

E a velha mulher Toma se afastou. O cocheiro cuspiu em sua direção e puxou as rédeas, fazendo a carruagem seguir em frente. Leah fechou a janela e deslizou as cortinas de volta para o lugar, acariciando as pétalas das rosas na cesta. Ela não via flores frescas desde que saiu do pomar de pêssegos.


A cabeça baixa.

Ela queria Ishakan.

Ela havia decidido voltar ao palácio por vontade própria, apesar da amargura de sua separação, e estava determinada a ter algo para mostrar por isso. Ela tinha que fazer tudo o que pudesse no tempo que ele lhe dera.

Acariciando as pétalas das flores, ela imaginou como seria, depois de recuperar todas as suas memórias. Ela seria capaz de ficar ao lado dele sem nenhuma sombra a perturbá-la.

Enquanto estava perdida nesses pensamentos, a carruagem seguiu até uma pequena fazenda e parou. Descendo da carruagem, Leah caminhou até o portão, que estava trancado com um grande cadeado. Quando ela espiou por cima da cerca, viu que o lugar estava tomado por ervas daninhas. Parecia abandonado.

De alguma forma, Leah não achava que estaria nesse estado se a Baronesa Cinael estivesse cuidando dele. Mas Leah também não acreditava que ela o tivesse vendido. Ela teria que encontrar outro momento para ir à modesta mansão onde a baronesa morava.

Deixando a pequena fazenda para trás, Leah partiu para o centro da cidade. Seu próximo destino era uma tranquila casa de chá de dois andares. Não havia muitos clientes. Era um bom lugar para relaxar, mas hoje ela não tinha vindo para tomar chá.

Ao descer da carruagem, os cavaleiros se moveram para segui-la, mas Leah os deteve.

“Esperem por mim lá fora”, instruiu ela. “Além disso, os recados de hoje são particulares.”

“Não podemos fazer isso, Princesa.”

Ela riu de suas expressões preocupadas.

“Desde quando vocês se preocupam com minha segurança?”

“Princesa…!”

“Vocês estavam todos dormindo no pomar”, disse ela. “Alguém lhes deu um elixir para dormir. Quem poderia ter feito isso?”

“……”

“Minhas damas de companhia não poderiam ser tão amigáveis com a Lady Mirael”, disse Leah, com um pensamento exagerado. “Então eu suponho que o traidor deve ser um de vocês.”

Os rostos dos cavaleiros ficaram rígidos.

“Lembrem-se de que sou eu quem poupou suas vidas”, disse Leah friamente, e entrou na casa de chá sozinha.

Os funcionários lá já tinham recebido a princesa várias vezes antes, então um deles a levou a uma mesa no segundo andar sem comentários. Leah dispensou o garçom e então ficou sozinha, olhando pela janela. Pessoas bem-vestidas caminhavam pela rua lá fora.

Enquanto ela se sentava em um raio de sol e tomava seu chá, ela decidiu verificar se estava sendo seguida. De repente, ela pousou a xícara de chá e começou a respirar ofegantemente, com dificuldade. Ela agarrou a barriga, um som de dor escapando de seus lábios.

“Ahhh…!”

“Leah!”

Instantaneamente, um homem apareceu das sombras do alto teto, caindo no chão tão suavemente quanto um gato. Era Haban, um dos acompanhantes de Ishakan. Seu rosto estava pálido.

“Você está bem? Vou chamar a Morga agora mesmo…!”

Ele estava prestes a pular pela janela quando Leah sentou-se ereta e olhou para ele calmamente. Haban parou.

“Sua barriga não dói…?” Perguntou ele intrigado.

Leah negou com a cabeça. Ela não sentia nenhuma dor de estômago desde que tinha voltado do pomar.

“Meu coração quase explodiu!” Haban agarrou o peito e suspirou pesadamente.

“Ishakan mandou você me seguir?”, perguntou Leah baixinho.

“Ah, eu não estou te seguindo, estou apenas… te acompanhando para garantir que nada te aconteça. A Genin queria, mas ela estava preocupada que não conseguiria se esconder. Ela é muito grande”, explicou Haban, e imediatamente se desculpou. “Desculpe. Foi rude não pedir sua permissão.”

“Não. Estou aliviada por você estar por perto.”

Os olhos abatidos de Haban brilharam.

“Sério?”

“Claro que estou.”

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