Casamento Predatório

Capítulo 227

Casamento Predatório

O tom da voz dele era tão aterrorizante que Leah estremeceu. Mas, aos poucos, aquele ar frio e assassino se dissipou, e só quando ele recompôs a calma percebeu o sofrimento dela.

“Você está com dor?” Perguntou ele, surpreso. Sua voz gentil não tinha nenhum traço daquela ferocidade.

“Estou um pouco com frio”, disse ela, inventando uma desculpa em vez de falar a verdade. Ishakan tirou sua túnica e a puxou para perto de seu corpo quente, dando-lhe o calor do próprio corpo e cobrindo-a com um cobertor.

Agora ela certamente não podia reclamar de frio; estava tão quente que ela começou a suar. Mas gostou de estar em seus braços, então apenas se aninhou contra ele enquanto conversavam baixinho, contentes um na companhia do outro. Eles não falaram sobre o futuro. Bastava estar juntos e conversar sobre pequenas coisas.

Ouvindo a voz dele, ela começou a sentir sono novamente, e logo Leah dormiu no meio da conversa.

E assim ela não viu quando aqueles olhos dourados bondosos endureceram de fúria.


Leah dormiu por muito tempo e só acordou quando o sol começava a se pôr. Um dia inteiro havia se passado desde que ela havia pegado no sono. Levou um momento para perceber que ainda estava na villa no pomar de pêssegos.

A atmosfera da casa havia mudado completamente.

Antes, tinha um cheiro levemente mofado, mas agora o quarto estava cheio de um aroma agradável. As cortinas pesadas haviam sido abertas para permitir que a luz da tarde fluísse pelas janelas, dissipando a escuridão onipresente. Sobre a mesa havia um incensário de ouro, queimando um incenso fresco e doce, e Leah ficou na cama respirando-o por um tempo antes de se levantar.

Assim que se mexeu, a porta se abriu. Leah se surpreendeu ao ver uma kurkan estranha entrar. Ela esperava uma de suas empregadas habituais.

“Finalmente acordou”, disse a kurkan com um sorriso, uma mulher de pele bronzeada e cabelos longos presos na nuca. “Eu sou Mura. Esta é a segunda vez que me apresento a você.”

Ela deve ser uma das pessoas das memórias perdidas de Leah. Leah a procurou em sua mente, tentando se lembrar, mas não havia nada. Ela estava preocupada que Mura ficasse decepcionada, mas a mulher kurkan não pareceu se importar. Ela apenas pediu a Leah para se sentar na cama e lhe entregou um pequeno copo.

“Beba”, disse ela. “Morga se esforçou muito para fazer esta poção. Vai ajudar a remover as toxinas do seu corpo.”

Leah bebeu, e quando acabou, Mura trouxe seu jantar. O queixo de Leah caiu.

As bandejas nas mãos de Mura pareciam ter comida suficiente para vinte pessoas, mas tudo aquilo era para Leah. Colocando uma pequena bandeja na frente dela, Mura começou a servir a comida, e Leah puxou o cobertor e começou a comer.

Ela havia provado comida kurkan no outro dia, e tinha sido tão deliciosa que desde então ela pensou o quanto queria mais. Mura parecia encantada em vê-la comer cada garfada, o que só tornou mais fácil comer. Quando Leah voltou a si, percebeu que havia comido três ou quatro vezes mais do que sua refeição normal.

Parecia que seu estômago poderia explodir se ela comesse mais uma garfada. Leah pousou a sua colher de prata.

“Onde está Ishakan?” Leah perguntou, tentando distrair a mulher kurkan obviamente desapontada.

“Bem, Ishakan... saiu com alguns dos outros. Ele provavelmente voltará amanhã. Todos estavam muito zangados”, acrescentou Mura com um sorriso, e uma fúria gélida em seus próprios olhos. “Todos tiveram que ser muito pacientes por muito tempo.”

Leah não conseguia imaginar por que eles estariam tão zangados. Enquanto pensava nisso, os olhos de Mura se arregalaram.

“Ah, eu não trouxe seus lanchinhos!”

Mura saiu correndo para buscar outra bandeja e a trouxe de volta para Leah. A bandeja estava transbordando de lanches delicados.

“É baklava”, explicou Mura, e mostrou a Leah como o doce era feito com finas camadas de massa folhada cobertas com nozes trituradas e calda de limão com mel. Era um doce muito doce, mas combinava perfeitamente com a xícara de chá quente que Mura preparou para ela. A kurkan ficou satisfeita ao ver Leah comendo com entusiasmo.

“Tudo o que você precisa fazer é descansar enquanto espera”, disse ela.

Leah olhou pela janela enquanto tomava seu chá, observando o céu escurecer constantemente. Parecia que seria uma longa noite.


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