Casamento Predatório

Capítulo 225

Casamento Predatório

1STKISSNOVEL. NÃO ROUBE MINHA TRADUÇÃO!

Aquele lobinho era muito mais forte do que ela esperava. Mesmo ferido como estava, lutara com tanta valentia para protegê-la, e esse pensamento a angustiava.

Ela deveria tê-lo protegido. Ela deveria ter feito alguma coisa.

Arrombara-lhe o coração ver o filhote lutando contra aquelas correntes, seu corpinho banhado em sangue, brigando com seus dentinhos quebrados e suas garrinhas rasgadas. Se fosse possível, ela teria voltado para aquele lugar. Ela não queria deixar o lobinho sozinho.

Mas ela não podia voltar.

Leah voltou à realidade com um sobressalto.

“……”

Lentamente, seus olhos se abriram. Ela sentia lágrimas escorrendo pelo rosto. As emoções do sonho a haviam acompanhado. Ela piscou enquanto as lágrimas diminuíam, e quando sua visão clareou, ela se viu olhando para olhos dourados.

Olhos dourados brilhantes, com a cor da areia e do sol. Olhos exatamente iguais aos do filhote de lobo em seu sonho.

Ishakan estava deitado de lado ao seu lado, com os braços ao redor dela. Parecia que ele estava naquela posição há muito tempo. Mesmo quando a viu despertar, nada disse. Seus olhos estavam fixos nela, sem piscar, e em um silêncio cada vez mais constrangedor, Leah desviou o olhar gentilmente.

O quarto estava escuro. Parecia um quarto, mas ela nem conseguia dizer se era dia ou noite; todas as janelas estavam cobertas por cortinas grossas.

De repente, um beijo suave em sua testa. Ishakan acariciou seus cabelos e, então, ergueu sua mão para beijar ternamente cada dedo. Um arrepio a percorreu, e levou um momento para perceber que não havia nada em seu dedo anelar. O anel de noivado havia sumido.

Ela não perguntou onde. Por enquanto, ela esqueceria tudo: os intrusos suspeitos, os cavaleiros que a aprisionaram na villa, suas damas de companhia e tudo mais. Ela pensaria apenas no homem à sua frente.

Um pouco sem jeito, ela se moveu para abraçá-lo. Ela queria abraçá-lo antes, mas desmaiou. E depois de um momento, Ishakan suspirou e retribuiu o abraço. Leah enterrou o rosto em seu peito largo.

Ela queria confiar nesse homem. E também queria protegê-lo. Soaria ridículo para qualquer um que soubesse o que ela estava pensando, e Leah estava bem ciente de suas limitações; havia muito pouco que ela poderia fazer pelo Rei de outra terra, de outra raça, de um lugar distante além do deserto.

Se ao menos ela fosse tão forte quanto uma Kurkan. Ela era tão fraca. Tão frágil. Tão inútil.

E se ela fosse mais forte, poderia ter protegido o filhote de lobo. Aquele pequeno filhote de olhos dourados.

“Eu tive um sonho…” disse ela lentamente.

“Que sonho?” perguntou Ishakan. Parecia como se fosse a primeira vez que ele falava. Ouvindo sua voz, ela sentia como se ainda estivesse em um sonho.

“Foi um sonho muito estranho… tinha um lobinho…” Seus olhos se estreitaram com as palavras, e Leah olhou para seus olhos dourados, murmurando: “Seus olhos eram iguais aos seus…”

“……”

Leah passou suavemente a ponta do dedo ao redor das órbitas de seus olhos. Eram exatamente iguais aos do filhote. E agora que ela pensava bem, este homem até parecia um pouco com um lobo. Imaginar Ishakan com orelhas de lobo a fez rir por dentro. Onde ele as esconderia?

“De que cor era a sua pelagem?” perguntou Ishakan.

“Prata”, disse ela, vasculhando sua memória. Mesmo que o lobinho estivesse coberto de sangue, ela conseguira distinguir a cor de sua pelagem. “Cor de prata.”

“Pelagem prateada?”

Leah hesitou um momento.

“O lobinho me protegeu”, admitiu ela, e contou a ele o quão corajoso o filhote tinha sido, em seu sonho. Como, mesmo com seu corpinho minúsculo coberto de sangue, ele tentara lutar contra as terríveis correntes que a prendiam.

Como ela tentara com todas as suas forças lutar contra as correntes. E falhara.

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