
Capítulo 219
Casamento Predatório
O dia de Leah começou como sempre naquela mansão. Levantou cedo e foi trabalhar em seu escritório, tratando de algumas tarefas urgentes. O fato de não estar no palácio limitava suas ações. Na hora certa, almoçou sob o olhar atento de suas damas de companhia e tomou, obedientemente, o chá que Cerdina mandara. A cada gole, sentia como se estivesse engolindo veneno, mas persistiu, determinada.
Assistiu ao pôr do sol. Ele tingiu o pomar de vermelho até desaparecer atrás das montanhas a oeste, e então a escuridão envolveu toda a mansão. Diferentemente do palácio, iluminado por lamparinas até altas horas, o pomar estava envolto em sombras silenciosas.
Assim que o sol se pôs, Leah ficou de olho na janela. O homem que esperava sempre aparecia quando menos esperava.
Ela se perguntava se ele entraria pela janela novamente, ou talvez por outro caminho. Esperá-lo não era entediante. Era divertido imaginar como seria sua chegada. De propósito, deixou a janela destrancada, com medo de obstruir sua entrada.
Sozinha no quarto, ansiava pela noite como uma criança esperando um presente. Não conseguia controlar a excitação. Tentou ler um livro, mas seus olhos insistiam em ir para a janela. Quando não aguentou mais, foi até lá e ficou observando a escuridão por um longo tempo.
Lia sob a luz de uma pequena lamparina quando sentiu um arrepio percorrer suas costas. Leah pousou o livro.
“……”
Erguendo a lamparina da escrivaninha, aproximou-se da porta, sua sombra se estendendo longamente atrás dela. Lá fora, silêncio. Não conseguia ouvir nada, nem os passos de suas damas nem o murmúrio dos cavaleiros. Parecia que todos tinham ido dormir.
De repente, um mau pressentimento, um medo instintivo, a invadiu. Quis ir verificar, mas ao girar a maçaneta, a porta estava trancada. Suas damas a trancavam em seu quarto todas as noites para impedi-la de sair. Enquanto estava ali, parada diante da porta, ouviu vozes.
—Procurem por ela.
—Ela deve estar no segundo andar.
Assustada, virou-se. Aquelas não eram as vozes de suas damas ou dos cavaleiros. Rapidamente, foi até sua escrivaninha, pousou a lamparina e pegou um abridor de cartas fino e afiado. Olhando rapidamente pela sala, viu apenas alguns lugares para se esconder: embaixo da cama, no armário ou debaixo da escrivaninha. Seria encontrada rapidamente.
Não havia ninguém para pedir ajuda. Teria que se proteger sozinha. Nervosamente, abriu a janela.
Abaixo da janela havia uma estreita soleira, com espaço apenas para as pontas dos pés. Mas se se agarrasse à moldura da janela, poderia ficar ali por um bom tempo. Com a fina faca na boca, apoiou o pé na soleira.
“……!”
Olhos dourados a fitavam das sombras. Depois de um momento, ela lentamente tirou a faca da boca e a colocou na soleira da janela.
Ishakan estendeu os braços para ela sem dizer uma palavra.
Ele a pegaria se ela pulasse. Que estranho confiar tanto naquele homem.
Era uma longa distância do quarto do segundo andar até o chão, mas ela não sentia medo. Não tinha dúvidas de que ele a pegaria. Leah saltou da soleira, seus cabelos prateados esvoaçando atrás dela, e os braços de Ishakan a envolveram com destreza, no momento exato.
A respiração estava ofegante e ela abriu a boca para dizer que deveriam ir, que havia estranhos na casa, mas não conseguiu. Estava assustada, mas seus olhos dourados estavam absolutamente calmos. Seria absurdo pedir a esse homem para fugir. A ideia de fuga era anátema para ele. Leah apertou os lábios.
—Você me surpreende de tantas maneiras — disse Ishakan, erguendo uma sobrancelha.
Pela janela aberta, ela podia ouvir o som da porta de seu quarto sendo arrombada. Um momento depois, gritos e impropérios de muitas vozes masculinas. Segurando-a em seus braços, ele olhou para ela, brilhando ao luar.
—Vim ajudá-la.