Casamento Predatório

Capítulo 199

Casamento Predatório

Absorta no aroma fresco, Leah apertou os lábios. Não vou fazer nada que você não queira. Cada palavra daquele homem do deserto a deixava estranha.

“Mas, pelo menos, poderíamos nos beijar”, acrescentou ele com naturalidade.

“……?”

“Você também precisa. Claro, se quiser fazer outra coisa, seria bem-vindo.”

“Eu não preciso”, Leah recusou secamente. Mesmo que ele fosse o Rei de Kurkan, não podia tratá-la assim. Era hora de corrigi-lo. “Já confirmamos nossas identidades. Você deve se comportar adequadamente.”

Mas Ishakan fez ouvidos moucos às suas palavras. Ele a olhou atentamente, particularmente seus ombros finos, e então murmurou algumas palavras incompreensíveis.

“Se você estivesse no deserto, seria tratada tão bem…”

Leah mordeu os lábios. Cada vez que ele falava, seu coração batia forte. Seu cheiro, sua voz, seu olhar, até mesmo o calor que emanava de seu corpo a deixavam nervosa. A boca secou e, de repente, ela sentiu uma forte dor de cabeça. As palavras de uma voz severa ecoavam com a dor.

—Saia imediatamente deste lugar.

Era uma ordem, firme e autoritária, mas hoje ela se rebelou. Queria conversar mais um pouco com aquele homem. Quando ergueu a cabeça, viu seus olhos dourados a fitando.

“Então, você se lembrou de alguma coisa?”, perguntou ele sem rodeios.

“Como posso me lembrar de alguém que nunca conheci?”

Ele franziu a testa com as palavras incisivas, pareceu pensar por um momento antes de tirar uma pequena caixa.

“Segunda pista”, disse ele, abrindo a tampa para revelar frutas marrom-escuras. Leah as olhou curiosa.

O que é isso?

Era a primeira vez que ela via aquelas frutas, mas o cheiro era tão bom que sua boca imediatamente salivou. Ela não conseguia tirar os olhos delas.

“São tâmaras.” Ishakan sorriu e ofereceu a caixa a ela. “É um presente.”

Ela se esqueceu de toda a etiqueta. Agarrando a caixa, comeu uma imediatamente, o sabor doce se espalhando por sua boca, grudento em sua língua. Suas bochechas coraram e seus olhos se arregalaram enquanto ela exclamava internamente. Aquele era o sabor que ela sentia falta. Inconscientemente, ela havia estado procurando por ele. Morrendo de vontade.

Depois de engolir a primeira quase inteira, ela rapidamente enfiou o restante na boca, como se nunca tivesse sentido náuseas em sua vida. A comida estava tão deliciosa que ela quase chorou enquanto comia.

Num piscar de olhos, a caixa estava vazia. Ela a olhou com arrependimento por apenas um momento antes de recuperar a compostura e fechar a tampa. Não importava o quanto estivesse faminta, ela precisava manter sua dignidade. Estava na frente de um Rei de outro país…

Ela estava tão envergonhada que queria se esconder. Que glutona ela devia parecer, exatamente como Cerdina dissera. E ela ainda queria mais. Queria encher seu estômago vazio até explodir.

Não havia como conseguir mais. Ela não poderia pedir às suas damas de companhia para trazê-las. Se fizesse um pedido tão incomum, Blain e Cerdina certamente ficariam sabendo, e se elas perguntassem por que ela queria aquelas tâmaras, ela não teria uma desculpa plausível. A única maneira de conseguir mais tâmaras era do homem à sua frente.

Saboreando a doçura persistente em sua boca, Leah arriscou um pedido.

“Po…pode…”, sua voz tremeu, e ela corou quando ele inclinou a cabeça. “Pode me dar mais…?”

Ishakan cobriu a boca com o dorso da mão, e ela corou ao perceber que ele estava se controlando para não rir.

“Há uma condição.” Ele tocou seus lábios com o dedo, um gesto que deixou seu preço claro. Um beijo. A expressão de Leah ficou rígida.

“Eu tenho algumas”, disse ela.

“Eu também.” Ele não recuou nem um pouco. Sua voz estava baixa. “Se você não quiser, tudo bem.”

“……”

Os lábios de Leah se apertaram. Ela não conseguia comer nada havia tanto tempo. E agora que encontrara algo que podia comer, era tão difícil resistir. Ela continuava lembrando o sabor das tâmaras que acabara de comer, e a fome nublava sua razão. O autocontrole que ela mantinha com tanta firmeza se desfez.

Ela o beijaria, porque estava faminta. Leah olhou para seus lábios. Quando ele a beijara antes, ela não tinha odiado nem um pouco. Até mesmo lhe dera prazer. Seria a mesma sensação daquela noite na chuva? Ignorando o aviso em sua cabeça, ela se ergueu na ponta dos pés, apoiando as mãos no peito de Ishakan.

Seus olhos se arregalaram quando o rosto dele se aproximou do dela. Quando seus lábios se encontraram, ela estremeceu. No momento em que pensou em se afastar, ele se lançou sobre ela.

Comentários