
Capítulo 173
Casamento Predatório
Ishakan não parava de surpreendê-la. Seus lábios se moviam sem emitir som, incapazes de produzir palavras, tão sem rumo que ela tentou várias vezes, sem sucesso, formular algo que fizesse sentido. Finalmente, fez a pergunta.
“…Você vai me fazer Rainha de Estia?”
Diferente de sua pergunta hesitante, a resposta dele foi firme.
“Sim. É um presente de casamento, Leah.” Ishakan decidira desde o início que daria o país a ela. Ela havia deixado Estia, mas seu amor pelo país não desaparecera. Mesmo com a queda da família real, ela não queria que seu povo sofresse.
Era por isso que ela estava cooperando totalmente com a conquista deles. O domínio dos Kurkans seria melhor para seu povo do que a tirania sob Blain, Cerdina ou Byun Gyeongbaek. Ao menos dessa forma, ela tinha influência sobre o resultado. Ela acreditava que esse seria o melhor cenário para Estia.
Mas os planos de Ishakan iam além de tudo que Leah imaginava. Ainda petrificada de choque, ela olhou para os Kurkans. Nenhum deles parecia surpreso. Finalmente, ela falou novamente, com alguma dificuldade.
“Mas Byun Gyeongbaek era um presente…”
“Aquilo foi só uma bugiganga.”
“……”
“Você não gostou?” Ishakan se voltou para ela, apoiando um cotovelo na mesa e sustentando o queixo na mão. “Se quiser, eu arranjo outra coisa para você.”
Leah rapidamente balançou a cabeça, o coração batendo forte, e ele riu.
“Eu disse que te daria tudo o que você quisesse.”
Realmente, não havia limites quando ele dizia “tudo”.
Seus olhos dourados brilhavam tanto, que ela sentiu suas bochechas esquentarem. Rapidamente, abaixou a cabeça para esconder o rubor atrás de sua cabeleira prateada.
Naquele momento, ela realmente entendeu o homem com quem ia se casar.
A reunião continuou, mas como Leah estava tendo dificuldade para se concentrar, decidiu ir embora. Em parte porque estava envergonhada por Ishakan a deixar corada, mas seu coração também batia tão forte que ela tinha certeza de que todos na sala de conferências conseguiam ouvir.
Do lado de fora da porta, ela encontrou Haban e Mura conversando. Havia um contraste gritante entre o sóbrio Haban e o vaidoso Mura. Haban parecia como se a visão de Leah o tivesse trazido de volta à vida.
“Leah!”
Automaticamente, Leah olhou em volta procurando por Genin, e Haban sorriu.
“Genin tirou o dia de folga hoje. Mas não se preocupe, eu sozinho consigo servir Ishakan perfeitamente.”
Parecia que ele queria que Leah levasse Mura embora rapidamente, mas havia arrependimento em seus olhos enquanto ela se despediu. O adeus de Mura foi impecável.
“Boa sorte, Haban.”
“…Até mais, Mura.”
Os olhos de Haban estavam cheios de sentimentos persistentes. Eles pareciam um casal interessante. Se houvesse tempo, Leah teria gostado de perguntar como eles se conheceram e se casaram.
Após o descanso e o jantar, Leah seguiu para o salão para encontrar Morga. Assim que entrou no salão, percebeu que suas damas de companhia não pareciam gostar de Morga. Ela não sabia porquê, mas embora sempre tentassem ficar perto de Leah, quando ela conversava com Morga elas preferiam se afastar. Deixando-as na porta, ela se aproximou do mago.
O salão estava mais caótico do que em sua última visita. O padrão mágico no chão era maior, e em um canto do salão vários objetos estavam se acumulando. Onde havia um grande braseiro, agora havia oito braseiros cercando o padrão mágico. Os braseiros estavam cheios de galhos e folhas, e exalavam o aroma de tabaco que Ishakan costumava fumar.
Se havia alguma outra diferença, era que da última vez muitos magos estavam presentes, mas desta vez só havia Morga. De pé sozinho no centro do salão, ele olhava atentamente para um mapa de constelações do zodíaco.
“Áries e Leão…” Ele murmurou com expressão séria. “Não, Escorpião…”
Ele estava tão concentrado que não olhou para cima até Leah estar bem na frente dele.
“Você veio.” Ele a cumprimentou com grande alegria. “Todos ficaram impressionados durante o conselho militar.”