
Capítulo 169
Casamento Predatório
O que ele quis dizer com ela já saber? Teriam se encontrado no passado? Mas se ela já tivesse encontrado Ishakan, não o teria esquecido. Leah olhou silenciosamente para o homem à sua frente.
Ele tinha traços marcantes. Iluminado pelo luar, aquele rosto era superior a qualquer outro que ela já vira, mesmo entre os Kurkans. Ela nunca esqueceria aquele rosto, mesmo que quisesse.
Mas Ishakan não parecia disposto a discutir o assunto mais a fundo. Ele a ergueu em seus braços e mudou de assunto.
“Chega dessa conversa chata”, disse ele, assumindo uma expressão travessa. “Temos coisas para fazer, Leah. Preciso te beijar, e tem coisas que você precisa comer.”
“……”
Leah queria falar, mas nenhuma palavra saiu. Ishakan sorriu para sua reação.
“Uma barraca foi armada para nós, então vamos dormir lá esta noite, fora da cidade.”
Ela não se importava onde dormiria, contanto que fosse com ele. Com um aceno de cabeça, Ishakan caminhou em direção a outra barraca. Enquanto a carregava, ele murmurou algo que ela não entendeu.
“…O palácio real vai estar um pouco agitado hoje.”
Sob o luar fraco, Genin respirava lentamente. Um calor ardente percorria todo o seu corpo e seus olhos brilhavam, de forma sinistra.
Carne e sangue estavam espalhados e respingados por toda parte. Em meio ao massacre, apenas cabeças decepadas eram identificáveis no chão. Os puristas Kurkans, seguidores do rei morto, tinham chegado a um fim miserável. As expressões horríveis em seus rostos eram prova do tormento de suas mortes.
Por horas, Genin encarou os corpos mutilados, cobertos de sangue. Quando soubera que essas pessoas que ela acreditava estarem mortas ainda estavam vivas, não pôde deixar de se alegrar. Agradecida por ainda haver chance de infligir essa dor a eles. Mas agora que tudo havia acabado, Genin não estava feliz.
Enquanto ela se sentava, perdida em pensamentos, um aroma familiar e fresco a envolveu. Ela olhou para cima.
“…Ishakan”, disse ela, com a voz quebrada.
Ele estava de pé com seu cachimbo longo nas mãos e exalou uma lufada de fumaça. Seus olhos dourados olhavam calmamente para Genin e o massacre que ela havia cometido.
Embora o local cheirasse a sangue, ele caminhou em sua direção e acendeu um charuto fino, oferecendo-o a Genin. A mão dela tremia enquanto ela o pegava.
Depois de algumas tragadas, a turba de emoções e o brilho predatório em seus olhos diminuíram. Genin apertou os olhos com força.
“……”
Lágrimas escorreram de seus olhos, manchando o sangue seco em seu rosto, e logo começaram a cair no chão.
Eles tinham matado aqueles que haviam cortado as pernas de seu marido diante de seus olhos. Mas embora ela os tivesse matado da maneira mais dolorosa possível, Genin ainda se arrependia. Não importava o que ela fizesse, não mudaria o passado.
“Eu prometi protegê-lo… não consegui”, ela soluçou. “Mesmo que eu tenha vingança, nada será como antes…”
O charuto caiu no chão e ela enxugou as lágrimas com o dorso da mão.
“Eu não devia… tê-lo colocado em perigo desde o início…” Os dentes de Genin rangeram enquanto ela forçava as palavras entre soluços. “Você não teria sido tão tola. Você teria protegido seu parceiro não importa o quê. Eu fui tão estúpida…”
“Bem, eu não sei.” Ishakan exalou uma longa lufada de fumaça. “Eu não sou um deus.”
“Mas…”
“Se algo assim acontecesse comigo, eu me sentiria como você.” Genin o ouviu com olhos úmidos. “É por isso que faço tudo o que posso”, disse ele firmemente. “Você fez tudo o que pôde, Genin.”
Naquelas palavras, sentiu-se como se algo que estivesse alojado pesadamente em seu coração tivesse desaparecido. Genin mordeu o lábio inferior e ajoelhou-se no chão ensanguentado.
“Obrigada por me dar essa chance.”
Na verdade, Genin não deveria ter recebido essa tarefa, dado o risco de suas emoções tomarem conta dela. Como esses Kurkans estavam invadindo o palácio real, eles tinham que ser tratados com firmeza. Mas Ishakan lhe dera essa oportunidade, para que ela finalmente pudesse ter sua vingança. Só havia uma maneira de Genin retribuir essa gentileza.
“Servirei a Lady Leah de todo o meu coração.”