
Capítulo 154
Casamento Predatório
Embora Leah não estivesse mais em Estia, seu coração ainda estava preso ao palácio daquele país. A rainha a havia machucado por muito tempo. Ela não se recuperaria facilmente. Ishakan franziu a testa ao olhar para ela, lembrando-se da forma como ela o implorara por ajuda.
—Me ajude com isso, Ishakan.
Ele não conseguia entender sua angústia. Depois de vê-la sofrendo com pesadelos e alucinações, ele a havia contido, como ela pedira, para que ela soubesse que estava segura. Ele queria que ela entendesse que agora ela estava em seu domínio, não no da rainha. Mas parecia que não era o suficiente.
Era um problema que não poderia ser resolvido até que a causa raiz fosse erradicada. Ishakan riu baixinho, acariciando suavemente a testa de Leah com os dedos.
Ele imaginou uma coroa em seus cabelos prateados enquanto levava o cachimbo de volta à boca.
Os Kurkans que haviam acabado de retornar ao palácio estavam muito ocupados. Como haviam ficado muito tempo ausentes, havia muitos assuntos pendentes, mas eram constantemente interrompidos.
A causa era a noiva do Rei, que havia sido sequestrada de Estia. Incapazes de satisfazer sua curiosidade com o próprio Ishakan, os Kurkans assediavam aqueles que haviam ido a Estia com ele. Genin e Haban mal conseguiram escapar.
“Eu realmente vou morrer”, murmurou Haban enquanto abria a porta da sala de conferências. Era uma porta enorme que ia do chão ao teto e só poderia ser aberta por vários adultos na maioria dos lugares. Para um Kurkan, no entanto, não representava nenhum problema.
Genin e Haban curvaram-se polidamente e ofereceram cumprimentos ao entrar na sala de conferências, onde uma dúzia de Kurkans estavam sentados em uma longa mesa de ébano decorada com ouro. A sala era coberta com azulejos coloridos em estilo arabesco, um lugar onde os chefes das tribos se reuniam. Haban e Genin estavam ali como guardas do Rei.
Morga, como chefe da tribo das serpentes, também estava sentado à mesa e parecia exausto. Ele havia chegado à reunião diretamente após acordar. Ele havia dormido desde que retornaram ao palácio.
“Onde está o Rei?”, perguntou um chefe.
“Ishakan está… se unindo…” respondeu Genin imediatamente. Ao lado dela, Haban a cutucou.
“Agora que a Leah está aqui, vamos evitar essa palavra”, sussurrou ele.
“Ah”, disse Genin, e corrigiu: “Acasalando…”
Haban a cutucou novamente. Genin hesitou.
“Fazendo sexo…?”, ela ofereceu incerta, e com a aprovação de Haban, continuou com mais firmeza: “Ele está se esforçando muito no sexo.”
Observando os dois idiotas, Morga sorriu.
“Estou… preocupada”, acrescentou Genin, franzindo a testa.
“Sim. Acho que será demais para a Leah”, concordou Haban, com expressão séria. Embora os Kurkans pudessem fazer sexo por vários dias, Leah era uma criatura completamente diferente. Ao imaginar a mulher magra e fraca, os olhos de Morga tremeram.
“Acho que estou com um pouco de culpa…” murmurou ele.
A porta se abriu e todos se levantaram de seus lugares em respeito. O homem que entrou sentou-se naturalmente à cabeceira da mesa, e Genin e Haban ocuparam seus lugares atrás dele. Somente depois que ele se sentou os outros chefes se sentaram. Ishakan olhou para cada um dos Kurkans reunidos na sala de conferências.
“Nos reunimos novamente depois de tanto tempo”, disse ele, estendendo a mão. Haban já havia preparado seu cachimbo para ele, e Ishakan o aceitou, indo imediatamente ao assunto principal. “Dentro de um mês, começaremos a conquista de Estia.”
Ele sorriu para a expressão surpresa em seus rostos.
“Não seria ótimo dar isso a minha noiva como presente de casamento?”