Casamento Predatório

Capítulo 141

Casamento Predatório

“Oh…”

A exclamação de espanto escapou dos seus lábios. Era realmente uma paisagem de tirar o fôlego. As dunas de areia sem fim eram muito mais belas do que ela havia imaginado pelas poucas linhas de descrição que lera em um livro.

Ela não conseguia esconder a animação. Seus olhos brilhavam enquanto Ishakan colocava a mão em sua cabeça para protegê-la do sol. Leah estava encantada, observando a paisagem.

“Me põe no chão, Ishakan!”, ela exclamou, e então percebeu o quanto havia gritado e abaixou a voz. “Quero andar na areia.”

Ishakan riu e beijou a bochecha de Leah. “Não posso, está muito quente.”

Leah ainda estava descalça, recém-saída da cama. Só pôde olhar com pesar para o deserto arenoso dos braços de Ishakan, e então voltou seus olhos para mais perto. Os barracos ficavam perto de um oásis, e ela achou incrível ver as palmeiras e a grama ali, o único lugar naquele mar infinito de areia que tinha um toque de verde.

Enquanto Leah observava a água ondulante, Ishakan se aproximou do oásis e a colocou na sombra de uma árvore. A areia na sombra estava muito mais fresca, protegida do sol escaldante.

A sensação de seus pés descalços afundando na areia fina era estranha. Leah olhou para Ishakan, incapaz de se mover. Ele sorriu, estendendo a mão, e eles caminharam juntos pela areia.

Havia muitas tamareiras ao redor do oásis, cada uma repleta de frutos vermelhos, tão carregadas que os galhos estavam pesados, como se estivessem prestes a cair. Agachando-se, ela pegou um fruto caído da areia. Parecia familiar enquanto ela o examinava. Era um tâmarindo. Curiosa, ela olhou da palmeira para a fruta.

Enquanto Leah examinava a fruta, a cabeça de Ishakan se virou, e ela seguiu seu olhar, surpresa.

Havia kurkans escondidos atrás das tamareiras, com a cabeça saindo curiosamente enquanto a olhavam com seus olhos peculiarmente brilhantes.

“Ah…” Assustada, o som escapou dos lábios de Leah, mas eles pareceram interpretar isso como permissão para se aproximar. Dos barracos, das carroças, dos camelos, de trás das palmeiras e de outros lugares, eles se aproximaram como se frutas tivessem caído, e cercaram Leah em um piscar de olhos.

Assustada, ela deixou cair o tâmarindo que tinha na mão. Ishakan havia estado observando em silêncio, e falou.

“Você está causando um alvoroço”, disse ele, pegando o tâmarindo.

Os kurkans recuaram alguns passos com suas palavras, mas continuaram olhando curiosamente para Leah. Como todos os kurkans tinham corpos grandes, eles eram mais altos que Leah, e ela sentiu como se estivesse cercada por árvores. Ela teve que olhar para cima para todos eles, e seus olhos se arregalaram de surpresa enquanto ela os olhava.

“Uau…” ela sussurrou, seus olhos se arregalando.

Um kurkan do sexo masculino parado ao lado apontou para ela e gritou: “Ela realmente é pequena e branca! Parece um floco de neve!”

“Você não deveria falar tão alto!”, repreendeu outro kurkan, assustado. Sua voz era séria. “Pode quebrar…”

Haban havia dito a eles que deveriam ter muito cuidado, e embora falar alto não destruísse ninguém, parecia que todos estavam levando a sério.

Leah olhou para o dorso de sua mão. Ao sol, sua pele era tão branca e translúcida que até as veias eram visíveis. Comparada à pele bronzeada e saudável dos kurkans, sua pele branca a fazia parecer uma pessoa doente. E mesmo enquanto ela se perguntava se deveria ou não bronzear a pele, os kurkans estavam olhando para seu rosto, seu pescoço delicado e seus braços finos. Suas expressões ficaram sérias.

Todos os olhos se voltaram para Ishakan e permaneceram ali. Ele levantou uma sobrancelha ameaçadora, e um dos kurkans mais velhos falou.

“Bem… você já comeu?”, perguntou ele gentilmente. “Você quer que eu traga comida para você?”

“Eu já comi.”

“Posso saber o que você comeu?” O tom dele era muito suave e gentil.

“Meia tigela de mingau…” respondeu Leah naturalmente.

Houve silêncio na resposta. Os kurkans boqueavam, de boca aberta e incrédulos. Ela havia dito algo errado? Mas Leah não tinha ideia do que poderia haver de errado com meia tigela de mingau.

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