
Capítulo 122
Casamento Predatório
O Rei de Estia ordenou a expulsão dos Kurkans. Mas, reconhecendo que houve negligência mútua, não os expulsou imediatamente. Eles tiveram um prazo de duas semanas.
Ficou decidido que, depois da partida dos Kurkans, Leah deixaria o palácio para ir à fronteira, várias semanas antes do previsto. Ela passou todos os dias ocupada trabalhando e delegando tarefas antes de sua partida.
Hoje sua agenda estava bem apertada. Antes de começar sua lista de afazeres, a Condessa Melissa trouxe um pente de madeira e sentou-se para pentear seus cabelos. Sua habilidade em cuidar dos cabelos de Leah era tão boa quanto os anos que elas haviam passado juntas. Ninguém conseguia cuidar melhor.
“Byun Gyeongbaek em breve estará indo para a fronteira oeste”, disse ela. “Mas parece que ele quer te encontrar primeiro.”
“Tudo bem. De qualquer forma, precisamos nos encontrar.”
As duas continuaram a conversar sobre certos assuntos, e enquanto Leah observava seus cabelos prateados sendo penteados, ela disse: “Eu não vi a Baronesa Cinael.”
A mão diligente da Condessa Melissa parou por um momento antes que ela respondesse baixinho.
“Ela foi afastada das funções.”
Ela havia tratado do assunto sob a autoridade de dama de companhia-chefe, mas não havia informado Leah porque ela tinha estado muito ocupada ultimamente.
“Você está tratando ela como a culpada”, Leah observou calmamente.
“……”
A Condessa Melissa colocou o pente sobre a penteadeira.
“Desculpe-me, Princesa. Tentei fazer algo, mas a situação estava piorando… então achei que seria melhor se a Baronesa tirasse uma licença médica e descansasse um pouco.”
Ela estava sendo isolada e tratada como a culpada pelo roubo do vestido de seda roxo, mas a verdade ainda não havia sido descoberta. Leah precisava se encontrar com ela e ouvir sua defesa.
“Tenho algumas horas livres esta tarde.”
Ela havia reservado aquele horário para descansar e, embora estivesse oficialmente livre, geralmente tomava chá enquanto lia documentos.
“Vou visitar a Baronesa Cinael.”
“Não é muito repentino?”
“Há coisas mais importantes do que etiqueta.”
Ela estremeceu, dizendo essas palavras. Ela não estava acostumada a dizer esse tipo de coisa, e a Condessa Melissa pareceu um pouco surpresa. Leah continuou rapidamente, deixando isso de lado.
“Por favor, faça os preparativos para isso. Como vou visitá-la, terei que levar um presente como demonstração de cortesia.”
Depois de terminar o trabalho da manhã, ela almoçou e se preparou para sair. Ao entrar na carruagem, ela carregava um pacote de biscoitos feitos pelo chefe de cozinha do Palácio da Princesa. Eram os favoritos da Baronesa Cinael.
Nenhuma de suas damas de companhia vinha de famílias poderosas, e a Baronesa morava em uma área a alguma distância do centro da capital. A caminho, Leah fez algumas especulações. Teria sido melhor se as coisas tivessem acontecido discretamente. Suas damas de companhia não teriam isolado e excluído a Baronesa sem motivo. Ela devia ter feito algo suspeito.
Talvez ela tivesse roubado o vestido para pagar algum empréstimo particular. Mas Leah não acreditava que ela havia roubado o vestido por causa de um problema pessoal. Conhecendo sua personalidade, Leah achava que a Baronesa teria lhe contado e pedido ajuda.
Enquanto ela fazia essas especulações, chegou à residência da Baronesa sem perceber. A carruagem real parou na frente de uma mansão modesta. A mulher que estava regando flores no jardim arregalou os olhos ao ver a carruagem e Leah descendo.
“Princesa…”
“Senhora.”
Leah sorriu e correu para abraçá-la, as lágrimas explodindo. A Baronesa se agarrou a ela como se fosse desabar. O Barão, que havia ficado em casa para confortar sua esposa, ficou chocado ao ver a Princesa. Em silêncio, Leah abraçou a Baronesa, e quando finalmente conseguiu parar de soluçar, a Baronesa a levou para dentro. Enquanto servia o chá, ela explicou.
“Não recebo salário por estar afastada… Tive que dispensar alguns empregados para economizar um pouco. De qualquer forma, não tenho nada para fazer em casa.”
O chá na xícara mostrava um desenho tênue enquanto esfriava lentamente. Leah esperou que ela falasse. A Baronesa permaneceu em silêncio até o chá ficar morno e então começou a chorar novamente.
“Estou tão frustrada… Eu só estava seguindo instruções…” Ela limpou os olhos com o lenço, mas seus olhos logo ficaram úmidos novamente. Ela apertou o lenço enquanto continuava. “Naquele dia, disseram-me para pegar o vestido de seda roxo e levá-lo para o servo lá fora… foi o que eu fiz.”
“Quem te deu essa ordem?”
A Baronesa Cinael fechou os olhos com força. Ela não conseguia responder facilmente a essa pergunta. Depois de hesitar por um tempo, finalmente falou cuidadosamente.
“…Condessa Melissa.”