
Capítulo 108
Casamento Predatório
Naquele instante, todos os escudeiros empunharam suas lanças e dardos. Ishakan estendeu a mão e Genin lhe entregou um dardo. Assim que o agarrou, girou o braço para trás sem hesitar. Seus músculos se contraíram, o tecido de sua roupa esticando contra o corpo, e ele estreitou os olhos, suas pupilas douradas brilhando.
Sua caixa torácica inflou enquanto respirava fundo e prendia o ar. O dardo sólido, feito de freixo, disparou como uma flecha e atravessou a pele e a grossa carne do animal, saindo do outro lado. O javali furioso rolou no chão, morto instantaneamente.
“……”
Todos os presentes no local da caça ficaram paralisados, olhando para o javali. Mesmo que o dardo fosse feito para caça, aquilo não era suficiente para abater um javali. Normalmente, várias pessoas tinham que unir forças e atacar com a ajuda de cães de caça. Mas Ishakan o havia matado com facilidade, sozinho.
Além disso, o dardo o havia atravessado completamente. Isso era impossível com a força de um humano. Sozinhos entre a multidão atônita, os Kurkans estavam extremamente calmos. Sua atitude era surpreendente, mas parecia completamente natural.
Mais tarde, os escudeiros arrastaram a carcaça do javali. Ishakan observou o rastro de sangue deixado pelo javali e abriu a boca.
“Se não fosse pela flecha, eu não o teria pegado.”
Ishakan olhou para Blain. Seus olhos se curvaram levemente.
“Considere essa presa como do Príncipe.”
A concessão era irônica, e implicava que ele podia caçar à vontade. Ele estava confiante. O rosto de Blain se contorceu. Ele olhou para o javali com atenção.
“Ele não pertence a ninguém”, declarou friamente. Os escudeiros confusos arrastaram o javali sem dono para uma carroça e Blain olhou para o céu, cinzento e nublado, como se fosse chover a qualquer momento. Esporrando o cavalo, o animal se moveu para frente, assustado com a ordem abrupta, e o grupo de caça adentrou mais fundo na floresta.
À medida que o caminho estreitava, o grupo se espalhou em linhas mais longas. Embora parecessem dispersos na caça, Ishakan estava seguindo Blain o tempo todo. A perseguição lenta estava corroendo seus nervos. Quando finalmente alcançou o cavalo de Ishakan, Blain não conseguiu se conter. Mas antes que as palavras pudessem escapar de seus lábios, ele ouviu uma voz rouca.
“Você me disse para não cobiçar o que você possui…”
Blain olhou para Ishakan. O Kurkan continuou falando, as rédeas soltas em seus dedos.
“Se não tem dono, não… não é nem um objeto, isso não muda as coisas?”
“…O que você quer dizer?”
“É exatamente como eu expliquei. Não preciso adicionar ou subtrair nada.” Ishakan parou de falar, e os dois homens se encararam. “Ela não tem dono, e ela não é um objeto. Significa que ela é livre para escolher quem quiser.”
Ishakan fez uma pausa. Seus olhares eram implacáveis. Então, ele atacou novamente.
“Mas eu não acho que ela jamais escolheria o Príncipe Herdeiro… do que você está tão preocupado?” Ele sorriu. “Você estava planejando um casamento incestuoso?”
Um riso estridente ecoou. Blain riu em vão enquanto o lenço amarrado no pulso de Ishakan roçava sua bochecha. Seus olhos azuis brilharam de loucura e um grito sem fôlego saiu de seus atendentes quando ele levantou seu arco.
A ponta da flecha, afiada com uma pedra de amolar, apontava para os olhos dourados de Ishakan.
“Continue falando, Rei”, disse Blain friamente.