
Capítulo 106
Casamento Predatório
“No que você está pensando?”, perguntou Cerdina. “Finalmente estamos juntas depois de tanto tempo, e nem conversamos.”
“Me desculpe…”
“Por que está se desculpando? Afinal, você tem estado ocupada com as negociações esses dias”, disse Cerdina, aparentemente sem graça. “Por favor, lembre-se de que você não precisa se esforçar tanto. O tratado de paz não é tão essencial para o futuro de Estia.”
Leah ficou quieta. Sabia que Cerdina tinha mais coisas para dizer.
“Na verdade, acho que foi um esforço ridículo desde o início. Como podemos nos relacionar com tais bestas?”, o rosto atraente de Cerdina começou a se contorcer, sua expressão ficando muito menos agradável. Sua fachada amável foi substituída por sua verdadeira natureza, fria e severa. “Aquelas coisas vulgares…”
Leah engoliu em seco. Sentiu a garganta se contrair e a boca repentinamente muito seca. As palavras de Cerdina haviam dissipado as dúvidas que ela sentia desde o almoço. Cerdina não queria negociar desde o começo. Mas por quê? Leah não conseguia entender, sabendo que Blain poderia suceder ao trono. Se tivessem um tratado de paz, poderiam conter a influência de Byun Gyeongbaek…
“Mas, Leah…” Cerdina falou mais uma vez, examinando Leah de perto. “Você engordou?”
Ela franziu a testa, e sob o comentário mordaz, Leah sentiu como se alguém estivesse pressionando seu peito. Inconscientemente, ela agarrou seu vestido.
“Tão ocupada como você está, não deveria negligenciar algo tão básico, não acha?”, a mão delicada de Cerdina acariciou a pálida bochecha de Leah. Embora parecesse um gesto afetuoso, Leah tremeu sob o toque. “Espero que você não me decepcione.”
Toda vez que Leah se colocava diante da rainha, sentia-se como uma garotinha frágil. Como se todas as suas convicções e experiências evaporassem, e ela se tornasse novamente uma criança indefesa que não podia fazer nada além de tremer de medo. A voz de Leah saiu trêmula e desamparada.
“Terei cuidado.”
“Lembre-se de me chamar de mãe quando falar comigo.”
“Tudo bem. Mãe.”
“Sim. Você é muito gentil”, Cerdina sorriu. Ela podia ver o medo nos olhos de Leah. “Tão dócil. Eduquei bem meus filhos, não acha?”
Leah acenou com a cabeça rapidamente, e Cerdina sorriu abertamente.
“O príncipe herdeiro!”, gritou um atendente, correndo em direção a elas, frenético e suando.
“Blain? O que aconteceu com ele?”, os olhos de Cerdina imediatamente se estreitaram e sua aparência calma desapareceu, seu rosto grave e feroz. A mudança rápida deixou o atendente desconcertado.
“Sua Alteza foi ferido.”
Na hierarquia dos Kurkans, cada tribo tinha seu próprio chefe, e acima dos chefes, estava o rei. Morga, o chefe da tribo que carregava o sangue da serpente, tinha um talento para a feitiçaria.
Assim como os ciganos, apenas alguns Kurkans tinham a capacidade de dominar a feitiçaria. E por causa desse dom, Morga havia se tornado poderoso e subido ao topo da hierarquia. Ele era um dos poucos Kurkans com tamanha habilidade e boa aparência. Mas sua reputação era uma das piores entre seu povo, e apenas seu poder compensava sua personalidade terrível.
“Marte estará a pino hoje”, disse ele friamente. “Mau presságio paira sobre nós e enche o ar com violência e agressão. Impaciente, facilmente irritado”, ele advertiu. “Áries deve ter cuidado.” Virando-se para seu companheiro, perguntou: “Você é de Áries?”
“Não.”
“Então, sob qual constelação você nasceu?”
“Eu não sei.”
Morga estalou a língua com a resposta, insatisfeito. “Isso não é bom, Haban, nada bom. Você deve ter cuidado por onde anda.”
Naquele momento, Haban tropeçou na raiz saliente de uma árvore e caiu, batendo no chão com um grito doloroso. Infelizmente, Morga havia lançado um feitiço sem perceber.