
Capítulo 89
Casamento Predatório
Apesar de sua recusa, Ishakan levou uma uva até a boca de Leah, brincando, a acariciando sobre os lábios até que ela finalmente cedeu e a aceitou. Ele era impossível. Mas a uva estava doce e deliciosa, e ela a segurou na língua por um momento para saboreá-la. Assim que a primeira sumiu, Ishakan já estava oferecendo outra, e desta vez ela recusou, e desta vez falando sério. Felizmente, ele desistiu.
“Então tome um pouco de chá.”
Empurrando uma xícara de chá quente em sua direção, ele abaixou a cabeça para sua própria refeição. Ela estava tão acostumada a beliscar a comida que era estranho ver alguém comer com tanto apetite, trabalhando firmemente em cada prato da bandeja, um após o outro. Quando ele moveu outro prato, Leah protestou.
“Não!”
Ishakan olhou para cima surpreso, com um dátil a meio caminho dos lábios. Suas sobrancelhas se ergueram.
“O quê?”
“Só… não aqueles”, ela disse sem jeito, o rosto corando. A última coisa que Ishakan precisava comer era comida que aumentasse sua energia. Ele a atendeu sem exigir mais explicações, e ela examinou a bandeja procurando outros pratos perigosos. Se eles comessem juntos novamente no futuro, ela teria que ficar de olho em alimentos perigosos. Qualquer coisa que aumentasse a energia de Ishakan acabaria tendo o efeito oposto sobre ela.
Empurrando a bandeja para o lado, ele serviu-se uma xícara de chá.
“Você não precisa se preocupar com o Conde Valtein. Ele está sendo bem tratado aqui.”
Essa era uma das coisas que ela queria perguntar a ele mais cedo, então ela ficou grata pela garantia. Ishakan olhou para ela e então falou novamente.
“E… sinto muito por tê-la surpreendido ontem à noite.”
O rosto de Leah queimou. Era o assunto que ela mais queria evitar. Deslocando sua xícara de chá para esconder o rosto, ela se forçou a perguntar.
“O que… O que aconteceu com você? Foi tão estranho…”
“Você já viu um cachorro [email protected]?”
Ninguém mais ousaria fazer tal pergunta à Princesa de Estia. Ishakan franziu a testa enquanto ela balançava a cabeça. Por um momento, ele pareceu preocupado, como se estivesse procurando as palavras certas.
“Espero que você tenha ouvido, pelo menos, que os Kurkans carregam o sangue das feras. Eu possuo o sangue de um lobo. É assim que as feras agem quando se reproduzem.”
Leah imaginou um lobo, marrom-escuro e de olhos dourados, como Ishakan. Incapaz de resistir à sua curiosidade, ela perguntou: “Você pode se transformar em um animal?”
Ao ouvi-la fazer a pergunta absurda com tanta seriedade, ele caiu na gargalhada.
“Não. Nós não temos esse talento, princesa.”
As pessoas os chamavam de aberrações. Leah viu esse conhecimento nos olhos de Ishakan, a palavra encharcada de amargura. Tão pouco se sabia sobre os Kurkans no mundo exterior, deixando sua cultura, costumes e história abertos à especulação. A maioria havia ouvido que eles tinham o sangue das feras em suas veias, mas nada mais era certo.
Leah tentara investigar mais a fundo. A maioria das pessoas no continente desprezava os Kurkans como bárbaros, então mesmo os estudiosos nunca tinham se interessado. Era difícil quando ela queria entendê-los, e não apenas como alavanca para negociações. Quanto mais ela aprendia, mais curiosa ficava sobre o país de nascimento de Ishakan, a cultura à qual ele pertencia, o povo que ele liderava.
Ela queria saber mais sobre Ishakan.
Assim que percebeu a terrível direção para onde seus pensamentos estavam indo, ela rapidamente os interrompeu.
“Você deveria agradecer que eu não me transformo em uma fera furiosa”, Ishakan estava dizendo. “Seria difícil para você lidar, princesa.”
Claro, ele não tinha ideia do que ela estava pensando, e ela fingiu calma, mudando a conversa.
“O importante são os escravistas”, disse ela. “Tenho que resolver a raiz do problema.”
Os comerciantes de escravos estavam mortos. Nenhum nobre de alta posição estava incluído na lista de vítimas, mas os nobres consideravam os leilões de escravos vulgares e enviavam representantes em vez de comparecerem pessoalmente. Ninguém iria se opor agora. Ninguém queria chamar a atenção para o evento.
Mas, claro, isso não mudaria a opinião pública, que permaneceria hostil aos Kurkans.
Ishakan riu baixinho, colocando sua xícara de chá. A xícara de Leah ainda estava quase intocada.
“Haverá negociações quando voltarmos?” Ela perguntou.
Seus olhos se fecharam. Os Kurkans tinham uma sede inata de vitória.
“A ideia me excitou tanto que mal consegui dormir, princesa.”
“Você não está me respondendo”, Leah disse, evitando seus olhos enquanto eles se abriam.
“Ah.”
Ela havia feito a pergunta sem esperar muito. Ishakan poderia ter dito qualquer coisa. Mas ele superou suas expectativas. Ele jogou sua bomba levemente.
“A princesa está muito animada.”