Reformation of the Deadbeat Noble

Capítulo 170

Reformation of the Deadbeat Noble

Depois de ouvir as notícias do orc, Airen Pareira desceu a montanha a passos rápidos e, sem demoras, rumou para o jardim onde estava localizada a tumba de Gurgar.

No fundo, ele queria correr por todo o caminho com toda a sua velocidade, mas preferiu acalmar a sua mente complicada.

O que estava sentindo agora?

Curiosidade?

Medo?

Ou seria saudade?

Ele não sabia. Não era algo que poderia descrever com uma palavra.

Ele parou por um momento para recuperar o fôlego antes de continuar.

“…”

Havia muitas pessoas atrás dele.

Antes de todos, Lulu. Depois, Judth, Bratt Lloyd e Ilya Lindsay.

Eles eram aqueles que melhor entendiam o coração de Airen e os mais interessados na sua vida passada, talvez ainda mais que o próprio rapaz.

No entanto, Karakum era diferente,

Ele não sabia muito sobre Airen Pareira. Não tinha nenhum relacionamento anterior com ele.

Queria ensiná-lo a técnica dos Cinco Espíritos Divinos, mas, além disso, tudo o que fez foi cruzar espadas com ele uma vez.

Se não sabia muito sobre a vida atual do rapaz, por que quereria saber sobre a vida passada dele?

Com essa curiosidade em mente, Gorha perguntou a Karakum por que estava seguindo o jovem humano.

Depois de pensar por um momento, o orc abriu a boca: “É um sentimento, sabe? A sensação que um velho tem quando vê um jovem talentoso.”

“Eu sei.” Gorha assentiu.

Conforme envelhecem, o número de paredes e inibições ao redor das pessoas aumentam e é sempre exaustivo superá-las.

Nesse momento, Karakum ainda era ativo, mas, ainda assim, havia vezes em que ele queria agir impulsiva e imprudentemente, como quando era jovem.

Por isso estava indo atrás de Airen.

Pensando nisso, disse: “Mesmo que tenha sido um crescimento surpreendentemente rápido… eu não vejo o fim. Só não consigo tirar os meus olhos dele. Se eu tirar, não acho que seria capaz de assistir a bela flor desabrochar.”

“Você… tá dizendo que ele crescerá ainda mais aqui?”

“Eu não sei, mas vai ser legal assistir.” Karakum sorriu. “Você não está aqui pelo mesmo motivo?”

“Sim…” Sem poder refutar, Gorha assentiu.

A conversa terminou ali. Os dois velhos orcs e Airen subiram a montanha.

Demorou um pouco, mas, já que todos se sentiam ansiosos, o destino logo se revelou.

Ao contrário da primeira vez, Gurgar estava muito bem-vestido.

“Ei, vocês vieram.”

“Você pode mesmo beber?”

“Tá tudo bem, tudo bem. Como sou um espírito, não consigo me embebedar.”

“Pra que beber se não for pra ficar bêbado?”

“Por causa do gosto, oras.”

“Por favor, não brinque comigo, mestre Gurgar.”

“Então…”

“Não tem que ter motivo para alguém beber. Você bebe porque quer.”

“…”

Judith ficou sem palavras, e Kuvar revirou os olhos.

“Professor, pare com isso. Todos estão aqui.”

“Huhu, tendi. O Chefe e Gorha. Me desculpem, mas só Airen e os seus companheiros podem entrar.”

“Eu não sou mais o chefe.”

“Ah, desculpa. Faz tanto tempo que deixei o mundo que as minhas memórias estão vagas.”

Ele se curvou respeitosamente.

Karakum e Gorha, que recebem o cumprimento, ficaram para trás e seguiram as instruções do velho mestre. Então, Airen e o resto dos companheiros entraram na tenda, sendo recebidos por uma visão impressionante.

A tenda em que entraram não era um simples pequeno espaço. Era como um portal para outro mundo, com uma terra completamente diferente saudando o grupo que chegava.

Uma grande cidade.

Era pouco sofisticada, se comparada ao mundo de hoje, mas era uma cidade urbana com certeza.

Eles não ousaram abrir a boca diante de uma vista tão vívida, que mesmo os rostos daqueles que iam e vinham pelo portão do castelo podiam ser vistos.

“Huhu, parem de se preocupar com isso e se acalmem. Já é um absurdo alguém aparecer como fantasma depois de morrer, certo? O que poderia ser mais surpreendente que isso?” Gurgar assistiu as reações de todos e os guiou, cada um para o seu assento.

Havia cinco cadeiras; os seus encostos eram inclinados, fazendo delas móveis na divisa entre camas e cadeiras.

Na extrema direita, havia uma pequena cesta. Lulu, que sentiu que esse era o seu lugar, se moveu e sentou dentro dela.

Depois disso, Airen, Ilya, Judith, Bratt e Kuvar começaram a se sentar.

Vendo todos sentados, Gurgar falou: “Em alguns instantes, veremos o homem que tem incomodado nosso Airen Pareira por tanto tempo. Como todos devem ter percebido agora, a sua verdadeira identidade é a vida passada de Airen e ele tem segurado uma espada por décadas por uma razão desconhecida. Fez isso até a sua morte.”

“…”

“Bem, eu já sei o porquê. Mas não posso explicar agora. Ao invés de fazer isso, escolhi esse jeito incômodo porque pensei que a vida e as experiências desse homem podem ser úteis para vocês. Claro, isso vale para os outros também, vocês estão aqui porque são amigos preciosos de Airen. Airen… Você se sente desconfortável ou pressionado pelo fato que outros saberão sobre a sua vida passada?”

“Não… nada do tipo.”

“Então, agora perguntarei aos outros. Assim como olhar, nos mostrar para os outros é difícil, ver o interior mais profundo de alguém também é um fardo considerável. Não importa como foi a vida passada de Airen, vocês estão confiantes que manterão o seu relacionamento com ele como sempre foi?”

“Sim.”

“Eu vou.”

“Claro!”

“Sim, professor!”

“Sim.”

Ao final da resposta de Ilya Lindsay, o silêncio surgiu.

Gurgar assentiu com um rosto feliz e falou para os que olhavam para ele: “Bom. Então, acho que todos estão prontos. Vamos começar.”

“Falando nisso, o que fazemos agora? Só estamos senta…”

Judith foi incapaz de terminar de falar, afinal, o seu corpo cai para trás no encosto, como se tivesse desmaiado.

E não foi só ela. Bratt, Kuvar, Lulu, Ilya e mesmo Airen. Todos caíram em um sono profundo.

Um sono profundo e escuro, mas não doce.

E…

De repente, eles estavam nos sonhos do homem.

* * *

“Uhm…”

Uma dor de cabeça cegante. Sem que percebesse, a minha expressão se distorceu com a dor que sentia no meu crânio, parecendo que alguém me atingiu com um martelo.

Um dos cavaleiros se aproximou de mim e perguntou por que gemi.

“Você está bem?”

“Sim…”

Não eram palavras vazias. Eu estava realmente bem. A dor de antes sumiu de repente, e a minha visão clareou.

O que teria sido? Aquela dor…

“Que bom… Mesmo se não estivesse bem, ainda temos que passar por isso.”

“…”

O cavaleiro que recebeu o meu olhar curvou a cabeça como se dizendo que sentia muito.

Eu entendia ele. A situação era desconfortável e incômoda de se estar.

Assenti e olhei para longe dele.

Ao entrar em uma sala mais ampla, as figuras dos presentes entraram no meu campo de visão.

Eram todos os meus servos leais; os meus cavaleiros, mais confiáveis que qualquer outro; os meus servos mais capazes.

Embora não fossem a minha família, eram criaturas preciosas que tinham um grande papel na minha vida. E, agora, todos se uniram e pediram a minha renúncia.

“…”

Eu não estava esperando por isso. No entanto, não era como se não entendesse o lado deles. Ao menos a culpa nos seus olhos era reconfortante.

Claro, eu não achei que eles mudariam de ideia só porque se sentiam culpados.

Ponderei por um longo tempo, me perguntando se deveria gritar, chorar, me matar, ou se havia um jeito melhor…

“Por favor… saia.”

No fim, não tive escolha a não ser assentir para as palavras deles.

Ninguém me seguiu enquanto saía da sala com um suspiro profundo.

Pensei que era até bom e, então, sorri. Estava grato que ninguém me esfaqueou pelas costas, mas a raiva ainda estava presente no meu peito.

Havia algo dentro de mim que continuava me corroendo. A maior parte das minhas emoções estavam engarrafadas, mas elas pareceram encontrar o seu caminho para fora.

Apesar de tudo, deixei a residência.

A rua estava silenciosa, mas não era como se não houvesse pessoas, algumas até me reconheceram.

Não, não podiam me chamar de Lorde. Eu não era mais um Lorde.

Pouco a pouco, os cidadãos se aglomeraram ao meu redor e começaram a me xingar.

“Seu maluco de merda!”

“Quer lutar contra o mal? Vai lá e se entrega então!”

“Você tá sendo usado pelo diabo! Deve ser um demônio!”

“Morre! Só morre!”

“Vocês! Do que raios estão falando?! O nosso Lorde não é assim!”

“Você ainda tá falando essas merdas? Os rumores são sobre esse estúpido reunindo tropas para ir ao território dos diabos, isso se espalhou para outras Regiões também, e você ainda tá…”

“Não tem como isso ser verdade! São todos rumores, parem com isso!”

“Rumores meu cu! Ele precisa morrer! Ou isso, ou vamos jogar ele fora!”

“É claro que ele que encher o bucho e não vai pensar duas vezes antes de nos vender tudo pro diabo, incluindo ele mesmo!”

Maldade, raiva e profanidades caíam em mim a cada passo dado.

Eu merecia, então aceitei.

Era capaz de suportar o som deles me dizendo que eu me venderia para o mal, e mesmo que eu daria as pessoas para os diabos.

Passei pelo vilarejo, com o veneno no meu interior crescendo pouco a pouco, e finalmente cheguei aos portões do Estado.

E, ali, um homem de meia idade colocou um machado no meu pescoço com as mãos trêmulas e me perguntou, com olhos lacrimejantes.

“Por favor, me diga, meu Lorde! O que eles estão dizendo é verdade? Você tentou reunir tropas para entrar no território do diabo?”

“…”

“Se não for, me deixe saber! Mesmo agora, não é tarde demais. Eu vou pegar aqueles que espalharam falsos rumores e vou cortar as gargantas deles. Se tiver uma razão, me fala. Apesar de ser um caçador sujo, ainda tenho as orelhas mais puras. Mas…”

Se os rumores espalhados forem verdadeiros, pode parar de pensar em viver.

O caçador não precisou terminar de falar, e todos os aldeões olharam para mim.

“…”

Eu não tinha intenções de dizer a verdade.

Já falei para os meus cavaleiros, vassalos e servos. Já passei por isso três dolorosas vezes.

Não importava se as pessoas entenderiam ou não. Era um fato que não poderia ficar mais no meu território.

Mas não podia falar em voz alta.

Se eu falasse, então o machado do caçador iria contra a minha garganta e eu me tornaria uma piada para os diabos.

Eu não queria isso.

Me forcei a respirar, limpei a minha visão borrada pelas lágrimas que corriam dos meus olhos e falei para convencer uma outra pessoa.

“Dois meses atrás, um diabo com uma máscara de palhaço veio até mim.”

“…!”

“Ele me disse para escolher entre a minha mulher e o meu filho, que só pouparia um deles.”

O ar ao meu redor ficou pesado com as minhas palavras.

Claro, a história já devia ter vazado, porque não havia quem não soubesse sobre o diabo com uma máscara de palhaço.

Eu também achei que estava sonhando, quando vi a aparência desse diabo, que era forte e perigoso o suficiente para dominar tudo na nação.

No entanto, ele era real e a proposta feita não era um sonho, nem uma mentira.

Então, continuei a falar.

“Só de olhar para esse monstro fez a minha respiração parar, mas, ainda assim, eu tinha que falar, Eu não podia escolher. Quem poderia tomar a decisão entre deixar a sua amada esposa ou filho? Eu perguntei por que deveria ouvir essa oferta ridícula e ele não se ofendeu, por sorte. Ele olhou para uma bola de cristal e me mostrou uma coisa.”

“Do que você está falando?”

“Uma horda de monstros vindo na direção da província.”

“…”

“E… ele disse que, se eu aceitasse a oferta… se eu escolhesse entre a minha mulher e o meu filho, ele me prometia que bloquearia as invasões dos demônios e monstros demoníacos por 50 anos. Agora vamos à pergunta. Quem eu deveria escolher? A minha esposa ou o meu único filho?”

No momento em que disse isso, o ar ao meu redor ficou pesado.

Ninguém ousou falar.

O caçador, as pessoas enraivadas, todos que antes mostravam fúria, agora seguravam os seus fôlegos.

Olhando para eles, sorri.

Ainda conseguia me lembrar do que tinha acontecido naquela época.

Não importava o que escolhesse, a minha vida se tornaria um inferno. Me lembrei dos olhos do demônio me olhando pela máscara; e a minha esposa, que não aguentou a minha indecisão, enfiou uma faca no seu peito para me ajudar, isso fez o diabo com uma máscara de palhaço rir…

Mas não era o fim.

Depois de uma pausa, confidenciei a história aos moradores.

“A criatura disse que o que a minha esposa fez foi suicídio e que não tinha sido escolha minha…. Então eu tive que escolher de novo.”

“…”

“E, assim, eu perdi a minha esposa e o meu filho naquela noite. E… o território teria segurança por 50 anos.”

Fechei os meus olhos ao dizer isso.

Certo. Em troca de uma escolha tão terrível que eu não queria nem lembrar, o meu território estava seguro.

O preço de escapar da destruição pelas mãos dos demônios e 50 anos de paz foi o sacrifício da minha família… Era triste e eu não conseguia suportar isso.

Se eu soubesse que o fato das hordas de monstros demoníacos correrem soltas pelo território era pelas palavras do palhaço do mal… Que o começo e o fim daquele inferno eram para o entretenimento daquele monstro…

“Haa, haha… haaa…”

O meu coração doeu, e eu me forcei a respirar, sabendo que estava perdendo o controle.

Mesmo assim, o sofrimento continuou.

Senti uma mudança nos meus sentimentos; de tristeza para ódio, e do ódio para a vingança.

No começo, os vassalos estavam com raiva e sofreram comigo, mas não puderam continuar até o fim.

Estavam preocupados que eu fosse agir contra os demônios, cego pela minha raiva e vingança.

Eventualmente, eles me tiraram da minha casa.

Talvez o mesmo fosse verdade para essas pessoas.

Ao contrário de mim, que tinha perdido tudo, eles ainda tinham o que perder.

Empurrei o machado do caçador e disse:

“Eu nunca pedi a ajuda de ninguém. Deve ser assustador para vocês. Ao contrário de mim, que perdi tudo, ao menos consegui garantir a segurança de vocês. Não precisam se arriscar. Mas… Por favor, não fiquem no meu caminho.”

Esse era o fim.

Com essas palavras, deixei o território e as pessoas não me seguiram.

Foi um adeus silencioso e amargo, mas, dessa vez, eu fiquei feliz que ninguém me perseguiu.

No entanto, não era como se ninguém tivesse vindo atrás de mim.

Um palhaço surgiu das sombras.

— Uaa, que feio! Essas pessoas são tão rudes. Não acha?

— Sabe bem que você fez isso. Em tempos de fome, deu grão; e trabalhou dia e noite para resolver os problemas deles, tudo para cada um deles… cada um deles te trair, uma pessoa tão devotada. São pessoas tão ruins.

— Então, por falar nisso, aqui vai uma nova oferta. Faça um contrato comigo. Que tal? Pode ser? Você quer matá-los. Só provoque essas pessoas más. Se eles perderem as suas esposas e filhos, vão entender bem o que você passou, não é mesmo?

— Como você sabe, o que eu digo pode parar os demônios e os monstros demoníacos. Se fizer um contrato comigo e der de cara com um demônio, pode massacrar todos eles. Você pode fazer o que quiser! Que tal essa? Não parece uma boa? Ok? Não é ok…?

Enquanto andava, fechei os meus olhos silenciosamente.

Me lembrei dos servos que me cumprimentavam de sorriso caloroso no rosto.

Dos rostos dos meus sinceros vassalos, das cenas dos meus confiáveis cavaleiros treinando e a aparência do meu mordomo se curvando para mim.

E, agora, todos esses rostos pareciam me enojar.

Tudo era nojento.

No entanto, a voz do mal perto da minha orelha era ainda mais nojenta.

— Não? Bem, então não posso fazer nada. Eu vivo na borda cordilheira sul, venha me visitar quando quiser. Te vejo na próxima.

A voz da criatura sumiu no nada, mas eu não tinha certeza que ele tivesse ido embora mesmo.

Talvez estivesse me olhando de algum lugar enquanto sorria maliciosamente.

Não, ele com certeza estava na espreita enquanto me subestimava.

Abri os meus olhos e jurei ir naquela direção.

Certo.

Não sou um espadachim, nem um Lorde.

Tudo o que tinha era eu mesmo.

Inevitavelmente, desenvolverei a minha força e visitarei a cordilheira sul.

E tenho que fazer isso antes que o fogo que arde no meu coração se apague.

E, assim… 3 anos se passaram.

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