
Volume 21 - Capítulo 2042
The Martial Unity
Era quase mágico como a enxurrada de culpa que assolava seu coração foi substituída por um amor ainda mais intenso de sua mãe em sua mensagem final.
Isso lhe deu paz.
Ele não sabia que era possível amar sua mãe ainda mais do que já a amava.
Ele não sabia que era possível se sentir ainda mais amado por ela do que já se sentia.
Sua mãe estava determinada a garantir que Rui não passaria o resto da vida se odiando por não estar lá.
E ela havia conseguido.
E ele sempre a amaria por isso.
Ele expirou profundamente enquanto sentia seu corpo rígido relaxar e se aliviar mais do que em qualquer outro momento nos últimos cinco anos.
Ele sentiu como se seu coração tivesse ficado mais forte.
Ele havia ficado mais forte pelo amor sempre presente e eterno que sua mãe sempre teve por ele.
— Vovó… — Rui enxugou as lágrimas. — A senhora pode guardar esta carta para mim?
— Claro, meu filho — ela respondeu com um sorriso. — Vou protegê-la com minha vida.
Suas palavras fizeram um sorriso suave e grato aparecer em seu rosto.
— Isso é melhor — ela observou aprovando-o enquanto o examinava. — Talvez agora você seja digno de saber.
Seus olhos brilharam de interesse com suas palavras. — A senhora quer dizer…?
— Sim.
Sua resposta foi clara.
— Mas… — suas sobrancelhas se franziram. — Eu acabei de alcançar o Reino Mestre.
— …Isso é verdade — a Sábia Nephi respondeu calmamente. — No entanto, não vou te contar o segredo do Reino Sábio. Ou melhor, não posso te contar. Sou incapaz.
A mente poderosa de Rui processou suas palavras furiosamente enquanto ele se lembrava de suas palavras anteriores.
— …A senhora insinuou que o poder do Reino Sábio é algo além da nossa compreensão dele. — Ele franziu a testa.
— Mmm… — Ela se mexeu. — …Bem? — Rui perguntou impacientemente. — Como se alcança o Reino Sábio sem saber o que ele é?
Ela balançou a cabeça. — Não posso dizer. Mas posso te contar uma história.
Ele inclinou a cabeça confuso. — História?
— …A história do primeiro Sábio Marcial.
— O Primordial Marcial? — Rui ficou ansioso.
O Primordial Marcial.
O Artista Marcial que descobriu os Reinos Mestre, Sábio e Transcendente. Ele foi o primeiro Mestre Marcial, o primeiro Sábio Marcial e o primeiro Transcendente Marcial.
Um homem no pináculo máximo de toda a Arte Marcial.
Muitos Artistas Marciais por todo o vasto Mundo Marcial consideravam o Primordial Marcial o líder espiritual da Arte Marcial.
Isso apesar do fato de que, como todos os Transcendentes, seu envolvimento com o mundo misteriosamente cessou completa e totalmente. No entanto, todo Artista Marcial conhecia seu nome.
Rui não era diferente.
— De fato. — Sua avó assentiu silenciosamente. — Depois de ter percorrido o comprimento e a largura do vasto Reino Mestre, ele chegou a uma única conclusão…
Seus olhos se aguçaram. — …que ele havia alcançado o pináculo da Arte Marcial.
Rui olhou para ela em silêncio. — Se alguém mais tivesse feito essa declaração, sem dúvida teria sido rotulado como narcisista, algo não incomum entre os Mestres Marciais da época — continuou a Matriarca Nephi. — Mas quando ele, de todas as pessoas, fez essa declaração, ninguém pôde objetar.
Seu tom ficou severo.
— Ele era o mais forte — ela afirmou com certeza. — Ele chegou à conclusão de que havia alcançado o pináculo da Arte Marcial e que a Arte Marcial não tinha mais nada a oferecer. Tendo dominado as profundezas da mente e do corpo, ele não viu nenhum caminho a seguir. Ele, que era movido a alcançar o pináculo da Arte Marcial, agora estava sem motivação. Desanimado pelo Reinado do Reino Mestre, mas impotente para pará-lo, ele partiu do Domínio Humano e partiu para o Domínio das Feras…
Seus olhos se voltaram lentamente para Rui. — …onde ele se isolou no topo da montanha mais alta que pôde encontrar e se isolou do resto do mundo.
Rui franziu a testa, mas não a interrompeu.
— Sem motivação, ele se viu sem propósito e significado — ela observou. — Ele começou a se perguntar por que havia perseguido o pináculo da Arte Marcial a vida toda. Ele começou a se perguntar o que havia nele que o havia feito ser alguém que perseguia o pináculo da Arte Marcial. Ele se viu fazendo uma única pergunta, repetidas vezes.
Seu olhar poderoso se fixou nele.
— Você sabe qual é essa pergunta?
Uma compreensão o atingiu. — “Quem sou eu?”
Ela assentiu. — Precisamente. Ele se fez essa mesma pergunta fervorosamente. Ele mergulhou na profundidade sem fim da pergunta a cada segundo de cada dia, de cada ano por um século inteiro…
Seu tom culminou com finalidade.
— …e só então ele obteve iluminação. Ele se tornou um asceta, um ser honrado, um sábio. Um Sábio Marcial — ela observou levemente. — Essa é a linha mais discreta que consigo traçar para isolar o que é o Reino Sábio. É a resposta à pergunta que cada Mestre Marcial deve se fazer após chegar ao fim de seu caminho.
— “…Após chegar ao fim de seu caminho?” — Os olhos de Rui se arregalaram, atordoados.
As implicações de suas palavras eram assustadoras.
— Correto.
Sua voz era firme. — Afinal… — Ela fechou os olhos. — Como você pode saber quem você é quando não sabe o que pode fazer?
Uma luz profunda acendeu em seus olhos quando ela os abriu. — …E como você pode saber o que pode fazer quando não sabe o que não pode?
Seu tom ficou profundamente grave. — Potencial e atualidade. Possibilidade e impossibilidade. As linhas que separam essas dualidades antitéticas também separam quem você é de quem você não é.
— …Eu não entendo.
Sua voz era honesta.
Francamente, se não fosse o fato de que sua própria avó, uma poderosa Sábia Marcial, era quem o informava disso, ele teria descartado como um absurdo filosófico e metafórico.
Ele não conseguia entender como “quem você é” tinha alguma relevância para o poder Marcial.
Não fazia sentido algum.
Mesmo que ele de alguma forma descobrisse evidências de que realmente era John Falken ou ainda mais evidências de que não era, como isso poderia possivelmente elevar seu poder Marcial?
—