
Volume 19 - Capítulo 1897
The Martial Unity
Ele não estava brincando quando disse que o nome era apropriado. O Vale dos Prismas era uma região onde a densidade óptica do ar não era consistente, fazendo com que a luz se dobrasse no meio do ar, se desviando em diferentes direções.
Quase como se a atmosfera fosse uma coleção de prismas.
Daí o nome da região.
— Cara… — murmurou Kane. — Só de olhar para esse lugar já estou com dor de cabeça.
— Então é aqui que o Médico Divino entrou no Domínio das Feras — observou Rui, virando-se enquanto lançava um olhar para o Domínio Humano ao longe. Ele podia ver que, à medida que a flora alienígena começava a rarear e desaparecer em terra árida, vestígios do toque da humanidade podiam ser vistos no horizonte.
Ele se voltou e encarou o Vale dos Prismas com uma respiração profunda. — Vamos começar. Tenho certeza de que vamos encontrar algumas pistas.
Rui avançou intensamente. Mas era difícil esconder seu nervosismo. Esta era a primeira etapa na busca por pistas sobre o Médico Divino. O resultado dessa investigação em particular alteraria drasticamente a avaliação de Rui sobre a probabilidade de sucesso. Assim, ele estava particularmente ansioso para encontrar algo que pudesse apontá-lo em uma direção definitiva.
O Vale dos Prismas era definitivamente mais definido por sua característica chamativa e sua distribuição altamente desigual de densidade óptica. No entanto, não era o único aspecto da região que importava. O vale era bastante grande, cercado pela Cordilheira Hroul.
Tinha uma vegetação exuberante, com uma vasta extensão de grama, arbustos e outras plantas prosperando nos solos férteis do vale, que brilhavam vividamente em miríades de cores. Sua fauna parecia surpreendentemente normal e sã, de certa forma. Ele viu manadas de monstros herbívoros pastando pacificamente na grama.
Era estranho e fora de lugar para uma região como o Domínio das Feras.
Rui imediatamente entrou no modo de levantamento. Com suas muitas e poderosas técnicas sensoriais, como Mapeamento Sísmico, Tato Tempestuoso e Eco Riemanniano, ele conseguiu sentir uma grande área e simultaneamente ignorar a distorção da visão causada pela refração da atmosfera. Ele imediatamente começou a escanear toda a região com um sistema de mapeamento em grade em zigue-zague, garantindo que ele teria coberto cada centímetro de todo o vale a tempo.
Ainda antes de seu levantamento inicial estar completo, ele já havia começado a notar peculiaridades na região meio dia antes. A fauna surpreendeu Rui ainda mais, pois lhe pareceu desequilibrada, como se houvesse elos faltando nas cadeias alimentares de todo o ambiente.
Nomeadamente, não havia predadores.
Pelo menos nenhum que ele pudesse detectar.
— Mmm… — Rui estreitou os olhos. — Não admira que estejam tão relaxados.
Ele olhou para as várias manadas de catoblepas, uma espécie de monstro semelhante a uma vaca, pastando na grama abertamente e intrepidamente. Era uma visão estranha em um domínio que era caracterizado por condições adversas e elevada dificuldade de sobrevivência devido à expansão e invasão humana.
Eles pareciam semi-inteligentes. Eles claramente o reconheceram, o avaliando e se afastando dele toda vez que ele se aproximava demais em seus esforços de escaneamento.
Havia uma variedade de outros monstros que pareciam coexistir na região em paz.
— Ah, não importa, nem todos os predadores, claramente — Rui finalmente chegou a um enorme lago de água doce no meio do vale, de onde uma variedade de riachos e rios fluíam para dentro e para fora.
Em suas profundezas, Rui podia sentir claramente poderosos monstros predadores semelhantes a peixes do tamanho de pequenos edifícios em suas profundezas. Estes eram definitivamente predadores de grau particularmente alto no Reino Aprendiz.
— Hum — Rui franziu a testa. — Então, os únicos predadores estão na água enquanto…
Ele se virou para inspecionar o resto do vale. — …a maior parte da região é composta de terra e animais terrestres.
Um predador aquático incapaz de pisar em terra poderia realmente regular a população de espécies herbívoras?
Rui estreitou os olhos. — Improvável.
Ele executou projeções e modelos simples com estimativas seguras para variáveis como taxas de reprodução e caça, e na maioria dos casos, a menos que esses monstros fossem extremamente agressivos, não era viável que as populações dos animais herbívoros fossem mantidas sob controle pelos predadores aquáticos sozinhos.
— Além disso, o lago está repleto de outras vidas de peixes — observou Rui. — Isso leva à questão de saber se esses monstros sequer caçam animais terrestres que matam sua sede no lago.
Além disso, com os muitos riachos e rios correndo por aí, Rui achou bastante difícil acreditar que os herbívoros necessariamente dependiam do lago.
Todas essas peculiaridades ecológicas e ambientais eram estranhas e apontavam para uma cadeia alimentar e um ecossistema incompletos que eventualmente sobrecarregariam o ambiente.
Infelizmente, embora ele tenha feito numerosas observações, não houve nenhuma que pudesse elucidar diretamente qualquer coisa sobre o Médico Divino.
Claro, isso era esperado.
Não era como se o Médico Divino tivesse visitado esta região ontem, de modo que suas pegadas ainda pudessem estar visivelmente impressas no chão. Ele havia visitado anos atrás, de acordo com os dados do Sábio Mendigo. Quaisquer pistas diretas que Rui pudesse extrair da região certamente haviam sido há muito tempo erodidas pelo tempo.
Naturalmente, ele estava preparado para isso.
O que ele esperava encontrar era uma visão mais concreta da "perturbação" que o Médico Divino havia causado, para que ele tivesse dados mais precisos e exatos que pudesse comparar sistematicamente a todas as perturbações conhecidas na região ao longo de muitos anos; dados que ele havia adquirido da Guilda de Aventureiros. Aqueles com a maior correspondência teriam a maior probabilidade de correlacionar com o Médico Divino.
— Não sei, cara. Não parece haver nada de interessante aqui — bocejou Kane, entediado. — Está muito tranquilo.
Rui sorriu. — Exatamente.
— O quê?
— Mais ou menos na mesma época em que o Sábio Mendigo diz que o Médico Divino entrou no Vale dos Prismas, os registros de dados da Guilda de Aventureiros registram uma emigração em massa desta região na mesma época… — reiterou Rui enquanto fechava os olhos e sua poderosa mente processava furiosamente todos os dados disponíveis.
Ele considerou uma variedade de fatores. — Predadores desaparecidos na cadeia alimentar. Um retorno da população. Não há evidências ambientais que apontem para uma crise ambiental que causou a emigração em massa. Considerando que o Vale dos Prismas está novamente repleto de uma biosfera, pode-se assumir que a causa da emigração foi aguda.
Ele abriu os olhos. — Nesse caso, de alguma forma, o Médico Divino deve ter causado pessoalmente a emigração em massa.
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(Continua…)