
Volume 18 - Capítulo 1795
The Martial Unity
PASSO
Eles pousaram no topo do Monte Vanfeiger.
Era uma montanha no centro de um deserto árido no sul de Kandria, desprovido de muita atividade e vida. A área era tão desolada quanto serena.
“Argh…” Rui suspirou enquanto rapidamente consumia uma poção leve de rejuvenescimento, restaurando sua energia gasta.
Ele olhou para o Mosteiro dos Mistérios.
“Vamos garantir a segurança da área, Vossa Alteza”, comentou Mestre Zentra calmamente. “Não que seja necessário, mas nada pode ser permitido para perturbar sua audiência com a personagem que o espera.”
“…Entendido.”
“Boa sorte, meu amigo!”, Mestre Iskan deu um tapa em seu ombro, deixando um hematoma enquanto se afastava.
TOC
Mestra Vericita sorriu calorosamente enquanto o tranquilizava com a mão na cabeça. “Boa sorte, meu filho.”
Ela também se afastou.
“Você não precisa de sorte”, Mestre Ceeran sorriu maliciosamente. “Se é você, você é capaz de criar a sua própria, estou errado?”
Logo, ele estava sozinho diante da gigantesca estrutura.
Seu coração estava pesado.
Um profundo senso de poder irradiava de dentro do mosteiro.
Um Reino de poder que ele havia aprendido a reconhecer.
Era um Reino de poder que parecia dobrar o próprio mundo.
Um poder que dobrava o céu e a própria terra.
Seu impulso marcial se agitou.
Sua fome se agitou.
O vazio nas profundezas se agitou.
“Eu quero esse poder…” Um único sussurro escapou de sua boca.
Sentir tal poder só trouxe maior clareza em seu coração.
Ele iria se sentar em um trono e brincar de Imperador enquanto tal poder divino o aguardava?
Determinação brilhou em seus olhos.
“Não.”
Ele avançou com um passo determinado.
Ele não tinha tempo a perder.
CLAC
O portão gigante do Mosteiro dos Mistérios se abriu antes que ele pudesse alcançá-lo, fechando-se atrás dele quando ele entrou.
O mosteiro era hemisférico.
Era também quase vazio.
Desprovido de tudo, exceto um.
Um homem.
Não.
Os olhos de Rui se estreitaram.
Não um homem.
Um Sábio Marcial.
Rui podia sentir.
Aquela estranha sensação que acompanhava todos os Sábios Marciais.
Ele não conseguia colocar o dedo nisso, mas era…
Pesado.
Sua presença pesava sobre o mundo ao redor. Pesava sobre o espaço e o tempo em si, quase gerando um campo gravitacional em virtude do peso de seu ser, tanto que o Eco Riemanniano havia se tornado totalmente incoerente na presença do homem.
Ele não entendia.
Ele não entendia esse poder que ele profundamente ansiava.
O Sábio Marcial estava deitado no chão, relaxado. Suas mãos sustentavam sua cabeça como um travesseiro enquanto suas pernas estavam esticadas, entrelaçadas em uma posição de sono bastante relaxante.
Sua aparência e vestimenta eram… preguiçosas, no mínimo. Ele usava uma roupa simples e fofa de uma só peça, uma fusão entre trajes de Arte Marcial e pijamas.
Ele era preguiçoso demais para alternar entre eles.
Rui o reconheceu instantaneamente, é claro.
O Sábio da Preguiça.
Inúmeros pensamentos passaram pela mente de Rui enquanto ele considerava o que fazer. A reunião era muito importante para agir sem considerar cuidadosamente as ramificações de cada palavra que ele proferisse!
“Não é tão profundo assim, garoto.”
Uma observação descontraída escapou do Sábio Marcial.
Mas sua boca não se moveu.
“Argh…” Ele parecia visivelmente cansado enquanto se levantava. “Argh… na minha idade, até levantar pode ser bastante exaustivo.”
Sua boca não se moveu.
Mas Rui podia ouvi-lo.
‘Como?’ Os olhos de Rui se arregalaram.
O Sábio da Preguiça olhou para ele com um olhar preguiçoso.
“É porque o Mosteiro dos Mistérios manifesta o pensamento como som e visão.”
Sua boca não se moveu.
“Agora, você está ouvindo meus pensamentos”, o Sábio Marcial sorriu preguiçosamente. “Conveniente, não é? Eu amo este lugar porque sou preguiçoso demais para mexer a boca e forçar minhas cordas vocais.”
“O quê?!” Os olhos de Rui se arregalaram de choque enquanto seus pensamentos se manifestavam em som, alcançando o Sábio Marcial.
“O efeito fica mais forte quanto mais perto você chega do centro.” Ele explicou. “Chegue mais perto.”
Rui o encarou apreensivo.
“Ah, não seja medroso, garoto”, o homem resmungou preguiçosamente. “Eu não vou contar a ninguém sobre os pensamentos e fantasias depravadas que você tem sobre as mulheres da sua vida. Sou preguiçoso demais para me incomodar.”
Rui balançou a cabeça, suspirando.
PASSO
De repente, o mundo ao seu redor mudou.
A cúpula hemisférica do mosteiro desapareceu.
O que apareceu em seu lugar foi uma visão com a qual ele se tornou extremamente familiar ao longo do tempo.
Seu Palácio Mental.
“Quê-” Ele literalmente tremeu no lugar, perplexo com a forma como seu Palácio Mental se manifestou na realidade ao redor deles!
“…Oh?” O Sábio Marcial lentamente moveu a cabeça, apoiando-se nas mãos, enquanto observava a visão que surgiu diante dele com interesse. “Eu havia lido que você havia dominado a técnica do Palácio Mental em um grau extraordinário, mas isso…”
O murmúrio do Sábio Marcial cessou enquanto ele olhava para um local específico com olhos aguçados.
Era a rua onde John Falken morava na Terra.
“…Onde fica isso?”
“Nada!” Rui interrompeu enquanto pensava rapidamente em algo; a cena mudou.
O homem se voltou para Rui com olhos interessados.
Uma certa compreensão havia lhe ocorrido.
“…Vejo que há mais em você do que aparenta.”
“Isto é injusto!…Sua Santidade”, Rui reclamou, apressadamente acrescentando o título no final.
O Sábio da Preguiça sorriu preguiçosamente. “Imagino que seja. Minhas desculpas. Aqui, vou deixar você ter um vislumbre da minha mente.”
FUSCH!
Os olhos de Rui se arregalaram quando o mundo mudou.
De repente, ele estava no céu.
Um céu azul vazio.
A única coisa que ele conseguia ver era uma nuvem leve. Ela se expandiu, lentamente o envolvendo em seu abraço caloroso.
Era macia.
Era serena.
A própria visão disso o fez se sentir relaxado.
Seu toque o fez sentir sono.
Proporcionava satisfação à alma.
Ele sentiu vontade de deitar e dormir para sempre.
Para que se preocupar em construir uma facção?
Para que se preocupar em procurar o Médico Divino?
Para que se preocupar com…o Projeto Água?
Sua alma tremeu com esse pensamento.
BUM!
Seu coração começou a bater mais e mais rápido.
Cada célula de seu corpo tremeu de poder.
Seus olhos se iluminaram de raiva enquanto ele encarava a nuvem flutuante.
Era a Encarnação Marcial do Sábio da Preguiça.
“Como você ousa?”, o tom de Rui se tornou assassino. “Como você ousa me fazer questionar meu Caminho Marcial?!”