
Volume 18 - Capítulo 1751
The Martial Unity
O Imperador virou-se para a Princesa Ranea. “Minha filha… Faz cinco anos que não conversamos.”
“…Fiquei feliz em receber a notícia do seu despertar”, disse ela com tom respeitoso.
“Recordo-me que sua ambição de cruzar as águas do Grande Oceano Nam não cessou, mesmo depois que lhe contei sobre as terríveis ameaças que existem nas profundezas do centro do Grande Oceano Nam.”
“…Sim, pai.”
“E ainda assim você deseja colocar os pés em um domínio sobre o qual somos impotentes, enfrentar o que é o Domínio das Feras do oceano…”
“…Sim, pai.”
“E você ainda deseja desestruturar o delicado equilíbrio do Império Kandriano em uma tentativa de canalizar todo o poder de Kandria para este empreendimento, em busca dos muitos tesouros que suas traiçoeiras profundezas oferecem, correto?” “…Sim, pai.”
“…”
Ele encarou a filha, aparentemente sem palavras, antes de suspirar levemente.
“Sua honestidade é refrescante. Então, responda a esta pergunta com honestidade também. Diga-me, minha filha, o que a coroa representa para você?”
“…” Ela não respondeu.
“Você busca as profundezas do Grande Oceano Nam pelo bem de Kandria, ou busca Kandria pelo bem das profundezas do Grande Oceano Nam?”
Ela tremeu com a pergunta.
A pergunta atingiu o cerne de sua motivação.
“…” Sua expressão ficou séria, mesmo mantendo o silêncio.
“Seu silêncio é ensurdecedor, minha querida filha.”
“…”
Ele balançou a cabeça antes de proferir seu julgamento.
“Indigna.”
Ele olhou para seus filhos. “Dois anos se passaram, mas não há ninguém que consiga minha aprovação? O que vocês fizeram nos últimos dois anos?”
Seus olhos se voltaram para o Príncipe Raul, que fez uma careta com sua atenção.
“Ah… se não é o meu filho santo”, o Imperador bufou. “…Pai.”
“O garoto que pensa que pode mover o mundo tocando o coração humano”, o Imperador franziu a testa. “Mas ele não entende que é a mente que move o mundo, não o coração. É por isso que ele não consegue extrair poder suficiente de toda Kandria para sua nobre causa.”
Desapontamento brilhou nos olhos do Imperador. “Raul… eu… tinha grandes esperanças em você. Eu esperava que você cultivasse o pensamento. Cultivasse sua compreensão do mundo. Porque como você pode mudar uma nação sobre a qual você não sabe nada?”
Seus olhos ficaram mais penetrantes. “Bastou um olhar para perceber que você não mudou. É por isso que você também é indigno.”
O Príncipe Raul abaixou a cabeça sem dizer uma palavra.
Finalmente, ele se voltou para o último dos sete príncipes.
“Raijun.”
“Pai.” O Príncipe Raijun estreitou os olhos.
“Você não precisa manter essa fachada feroz, meu filho”, o Imperador sorriu. “Eu posso ver que você está profundamente aliviado e satisfeito que seus rivais não conseguiram minha aprovação. Mesmo que você mesmo não consiga, o último possível impedimento se provou incapaz de atrapalhar seu caminho.”
A expressão do Príncipe Raijun ficou feia enquanto o Imperador lia sua mente sem esforço, vendo através dele.
“Você está certo”, o Imperador assentiu. “Você não precisa do meu apoio, nem o terá. Morrerei antes de deixar Kandria se tornar uma nação supremacista marcial.”
Ele riu da própria piada antes de balançar a cabeça. “Quando olho para você, não vejo você. Vejo a união Marcial.”
A expressão do Príncipe Raijun ficou ainda pior. “Você é uma ferramenta.”
O Príncipe Raijun rangeu os dentes.
“Um fantoche”, o Imperador bufou. “Você é ainda mais uma ferramenta do que Randal, Ranea, Rafia e Raemina.”
Rui tremeu onde estava ao perceber que o Imperador de alguma forma havia descoberto sua manipulação dos quatro membros da realeza. Um arrepio percorreu sua espinha com essa revelação. Mas como?
Ele não sabia.
O Príncipe Raijun olhou para o Imperador Rael. “Pai, você-”
“Cala a boca.” A voz grave do Imperador cortou suas palavras.
Seu olhar poderoso prendeu Raijun. “Ferramentas devem permanecer em silêncio e fazer o que lhes é dito.”
O Príncipe Raijun rangeu os dentes em humilhação.
“Estou desapontado.”
Suas palavras atingiram todos os seus filhos.
“Desapontado por nenhum de vocês ser capaz de compreender a harmonia necessária para governar Kandria.”
Seus olhos se estreitaram. “Kandria é uma nação com muitos pilares que a sustentam. Qualquer um que não compreenda a importância do equilíbrio entre esses pilares que sustentam nossa grande nação é indigno e impróprio para governá-la.”
O Imperador havia proferido seu julgamento.
Uma atmosfera sombria se instalou no salão do trono.
Não era inspirador saber que o grande Imperador da Harmonia julgou todos eles indignos de ascender ao trono.
Muitos se perguntavam se isso marcava o fim da Era de Glória do Império Kandriano.
Muitos se perguntavam se a morte do Imperador Rael realmente traria, como ele declarou, uma guerra civil que traria ruína a Kandria, marcando o início do declínio. Talvez o Príncipe Raijun estivesse certo. Talvez a guerra civil fosse inevitável.
Talvez o Imperador da Harmonia fosse a exceção, um indivíduo raro abençoado com o dom de harmonizar uma nação.
Naquele momento, eles realmente sentiram um pouco de arrependimento por sua morte iminente.
“Eu falhei com este Grande Império.”
Suas palavras surpreenderam aqueles que as ouviram.
Se havia alguém que não havia falhado com o Império Kandriano, era o Imperador Rael. Se até ele havia falhado com o Império Kandriano, então o que dizer de todos os outros?
“Eu falhei com este Império ao não transmitir harmonia aos meus descendentes.”
Arrependimento saturou sua voz rica, profunda e masculina.
“Se a Guerra pelo Trono Kandriano não puder ser evitada, então seja…”
Sua voz mudou.
Uma nova determinação encheu suas profundezas.
“O que estou prestes a fazer pode muito bem ser meu último ato como Imperador.”
Uma gravidade séria subjazia em seu tom.
“Será meu último presente para Kandria.”
O ar ficou eletrizante.
Ficou tenso.
Um peso profundo pairou sobre todos eles.
Naquele momento, uma única constatação surgiu em todos eles.
A história estava sendo escrita.
Eles não sabiam como.
Ou porquê.
Mas as profundezas de seu instinto sentiam essa verdade.
“Eu, por este meio, inicio o Ritual de Sangue Kandriano!” A poderosa voz do Imperador ecoou por todo o salão do trono, surpreendendo o salão inteiro com sua súbita declaração.
O Ritual de Sangue Kandriano. Uma tradição e ritual antigos que afirmavam o parentesco sanguíneo entre o Imperador e aqueles que carregavam seu sangue a menos de cem metros do ritual. Era baseado em uma substância esotérica extremamente rara que reagi a essência do sangue de uma pessoa.
Todos entenderam instintivamente que esta era a culminação deste evento histórico.
O que quer que viesse mudaria Kandria para sempre.
Seus servos se aproximaram dele, ajoelhando-se enquanto lhe apresentavam um estranho orbe etéreo.
“Pelo sangue, vivemos…” Sua voz tremeu de emoção enquanto ele desenhava uma adaga cerimonial.
PLASH
A lâmina penetrou na carne de sua mão.
“…Pelo sangue, herdamos.” Sua voz ficou severa.
GOTAS GOTAS GOTAS…
Derramou-se sobre o orbe.
Por um momento, nada aconteceu.
Então, o orbe brilhou, iluminando-se com um brilho brilhante.
Os príncipes e princesas começaram a brilhar, fila após fila, emitindo uma luz semelhante. O orbe reconheceu o sangue como sendo o mesmo que foi derramado sobre ele.
Mas isso não era tudo.
O que se seguiu chocou a todos até a medula.
Ninguém.
Nem uma só pessoa poderia ter imaginado o que se seguiu.
Das profundezas das fileiras de convidados atrás da realeza, outra luz brilhou.
Uma luz emanando de Rui Quarrier.
Ele estava congelado.
Congelado em puro horror pelo que acabara de acontecer.
“Venha para cá”, um sorriso surgiu no rosto do Imperador. “Venha para cá, Príncipe Rui Quarrier Kandria.”