
Volume 17 - Capítulo 1662
The Martial Unity
“Então você não pode me ameaçar”, Rui declarou friamente. “Não devia ter se dado ao trabalho.”
“Você parece impaciente”, o Príncipe Rajak observou calmamente.
“Costuma acontecer quando sou pego numa emboscada”, Rui resmungou. “Imagino que a proibição de voar e a multidão infinita de pessoas fizessem parte do plano para me atrair para os becos?”
“Talvez”, respondeu o príncipe vagamente. “Permitiu-nos nos encontrar sem ninguém desconfiar.”
“Bem, nos encontramos”, Rui comentou. “E agora?”
“Eu te pedi para se juntar a mim”, o Príncipe Rajak lembrou Rui. “Você ainda não fez sua escolha.”
“Juntar-me a você…?”, Rui estreitou os olhos. “Você não pode estar falando sério.”
O príncipe simplesmente encarou Rui. “Sabe…de todos os sete candidatos ao trono, nós somos os mais próximos.”
Rui levantou uma sobrancelha. “Viemos do mesmo lugar”, revelou o príncipe. Mas seus olhos ganharam um brilho sombrio.
“Eu também nasci e cresci num orfanato”, o Príncipe Rajak declarou calmamente. “Você sabe o que aconteceu quando meus irmãos descobriram minha existência?”
Rui o encarou em silêncio.
Mas o silêncio era ensurdecedor.
“Eles…tentaram me matar”, o Príncipe Rajak sussurrou. “Fracassaram. Foi um milagre, mas eu não estava no orfanato naquele dia. Eu havia escapado escondido numa carroça de um mercador ambulante para ir à cidade, para participar do Festival Marcial Kandriano.”
Seus olhos se aguçaram, e um brilho de ódio cintilou neles. “Você sabe o que aconteceu enquanto eu estava fora? Você sabe o que eu vi quando voltei?”
Seus olhos dourados brilhavam com fúria incontrolável.
Serviços financeiros.
Serviços marciais depravados.
Contrabandista.
Tráfico de pessoas.
Comércio de substâncias nocivas.
Roubo de informações.
Os seis chefões regulavam esses seis pilares do submundo, garantindo sua prosperidade, espalhando mais miséria como consequência necessária e intencional.
“Você não tem o direito de chamar ninguém de monstro repugnante”, Rui o olhou furioso. “Você é mais repugnante que todos eles.”
“Vou dizer isso pela última vez”, o Príncipe Rajak estreitou os olhos. “Junte-se a mim. Eu tenho o poder de te dar qualquer…”
“Qualquer coisa que eu quiser?”, Rui o olhou com raiva. “Você é o sexto príncipe a fazer essa oferta. Se isso bastasse, eu teria me juntado à facção da Princesa Raemina há muito tempo. Vai se foder.”
“Essa é sua resposta final?”
“Sempre foi.”
Um momento de silêncio pairou no ar. Os dois homens se encararam com olhos penetrantes.
Ele se virou, sem jamais interromper o contato visual. “Espero que você não venha a se arrepender dessa decisão.”
*WHOOSH*
Assim, todos haviam desaparecido. A expressão de Rui ficou sombria de desprazer enquanto ele considerava tudo o que o príncipe lhe dissera. Não havia dúvida em sua mente de que o príncipe estava envenenado pelo ódio, que ele nem conseguia ver, ou pior, nem se importava com sua própria hipocrisia. Ele só queria vingança contra aqueles que haviam dizimado seu orfanato. A única maneira que ele conseguiu foi o submundo, pois era o único bloco de poder remanescente que poderia lhe permitir competir com seus irmãos mais poderosos. A única entidade que nenhum dos outros príncipes e princesas ousava tocar.