
Volume 11 - Capítulo 1006
The Martial Unity
— “Era só um duelo amigável”, Rui lembrou. “Sua vida não estava em risco. Mas e se eu fosse seu inimigo? E se eu estivesse tentando te matar?”
Kane fez uma careta ao pensar nisso. Ele sempre tivera esse pensamento, mas principalmente depois da luta deles, Rui não era alguém que ele queria ter como inimigo jamais!
Ele tinha a sensação de que nem um Mestre Marcial seria capaz de protegê-lo de Rui, caso este decidisse matá-lo.
— Entendo o que você quer dizer… Se eu me apegar ao meu Caminho Marcial em uma situação em que minha vida está em risco, e onde isso não é o mais adequado, eu posso morrer… Eu definitivamente não quero morrer pelo meu Caminho Marcial, meu Caminho Marcial me serve, não o contrário. É meu trunfo, e minha mente e meu corpo são totalmente centrados e giram em torno do meu Caminho Marcial, por isso sempre será meu caminho preferido em geral — Ele sentiu uma clareza notável sobre o assunto após apenas algumas palavras de Rui, o que o deixou espantado.
Essa não era a primeira vez que ele considerava o assunto, então ele tinha que admitir que ficou bastante surpreso quando Rui conseguiu dissipar a névoa de incerteza que obscurecia sua mente com tanta facilidade.
Mais uma vez, seu amigo se desviava da norma de maneiras que ele nem conseguia imaginar.
— Estou imaginando… — Kane se dirigiu a Rui com uma expressão intriga. — …que você não sente o mesmo.
Kane conhecia seu amigo bem o suficiente para ter uma profunda compreensão de como ele via as Artes Marciais. Ele sabia que seu amigo realmente amava as Artes Marciais, diferente de quase qualquer outra coisa, especialmente sua própria Arte Marcial. Ele já tinha uma boa ideia de como Rui se sentia sobre o assunto.
— Você está certo, — respondeu Rui. — Meu Caminho Marcial e minha Arte Marcial são as duas coisas mais importantes para mim. Eu preferiria morrer a renunciar a elas.
Sua voz estava cristalina. Não havia nem a menor hesitação nela.
Kane não pôde deixar de sentir uma admiração ainda maior por Rui; sua resolução e convicção por sua Arte e Caminho Marciais eram realmente dignas de respeito. Ele não conseguia deixar de se sentir covarde quando se comparava a Rui.
— Cada um é diferente, — observou Rui, percebendo agudamente sua reação. — Cada um persegue seu Caminho Marcial por seus próprios motivos. Não há motivo melhor ou pior, desde que você tenha realizado o que queria ao perseguir seu Caminho Marcial e obtê-lo através de sua Arte Marcial, você venceu.
— Essa é uma perspectiva fascinante, — Kane não pôde deixar de murmurar. — Não é assim que a maioria das pessoas julgaria quem ‘venceu’. O artista marcial que conseguiu ir mais longe em seu Caminho Marcial e alcançar reinos superiores não teria ‘vencido’ em comparação com os outros?
— Eu não acredito nisso, não. Não estamos falando de quem venceria uma luta, — respondeu Rui despreocupadamente. — Um Mestre Marcial cujo objetivo de perseguir seu Caminho Marcial só é alcançável no Reino Sábio não é necessariamente melhor do que uma pessoa que alcançou o que buscava com a ajuda do poder do Reino Escudeiro.
Kane pareceu não convencido. O fato de que um Mestre Marcial poderia ter “vencido” menos que um Escudeiro Marcial parecia extremamente contra-intuitivo.
— Digamos que tínhamos um homem A que vivia com sua família em uma floresta infestada por bestas de nível Aprendiz, e um homem B que vivia com sua família em uma floresta infestada por bestas de nível Mestre, — Rui começou com uma analogia, vendo que Kane não estava convencido. — O homem A persegue seu Caminho Marcial até o Reino Escudeiro para obter o poder de proteger sua família das bestas de nível Aprendiz. Ele protege com sucesso sua família e vive uma vida feliz para sempre. O homem B, no entanto, alcança o Reino Sênior e ainda é incapaz de proteger sua família dos predadores de nível Mestre e vive na tristeza pelo resto de sua vida.
Ele se voltou para Kane. — Qual homem você preferiria ser? O homem A ou o homem B?
Aquilo nem era uma escolha.
— O homem A, com certeza… — murmurou Kane, entendendo o ponto de Rui.
— Ah, mas você escolheu se tornar um Escudeiro Marcial em vez de um Mestre Marcial, — Rui sorriu.
Kane ficou perplexo mais uma vez. Era uma lógica irrefutável.
— Existem muitas circunstâncias que não são muito diferentes da que eu lhe dei, — Rui elaborou com um tom calmo. — Aqueles artistas marciais que alcançam os reinos superiores só o fazem porque o que quer que eles desejam é tão difícil e fora de controle que eles só podem obter o que querem com uma Arte Marcial extraordinária. Em vez de invejar seu poder, é melhor estabelecer o que você quer e pelo que você persegue seu Caminho Marcial. Simples assim. Nada mais, e nada menos. Não busque poder que você não quer nem precisa, essa é a receita para uma vida vazia da qual você se arrependerá quando velho.
Kane acenou com a cabeça, virando-se para Rui com uma expressão admirada. — Cara, isso pode parecer estranho, mas… Às vezes eu sinto que você nem tem a minha idade.
— Hein?
— Como eu coloco isso em palavras? Parece que você é um sábio que já passou pela vida, que conhece todas as respostas, — murmurou Kane. — Ou então você é bom em falar bonito. Eu realmente não sei qual é.
— Bem, eu sou obviamente um jovem, assim como você, — argumentou Rui. — Portanto, é certamente o último caso.
— Então posso descartar tudo o que você acabou de dizer?
— Eu não recomendaria isso.
Os dois conversaram levemente enquanto voltavam para sua hospedaria. Afinal, eles já haviam concluído tudo o que queriam. Não apenas no sentido agudo, mas também em um sentido mais amplo, no que diz respeito ao propósito de sua estadia no Vale Trovejante.
Os dois já haviam feito progressos imensos em sua capacidade de lidar com raios. Rui fez ganhos menores e altamente específicos, enquanto Kane fez ganhos, literalmente, trovões que ele estava ansioso para reter.