
Volume 5 - Capítulo 463
The Martial Unity
Aconteceu mais cedo do que ele esperava. Contudo, a transição levou seu tempo.
A dor desapareceu.
Rui ofegou aliviado. Quase havia esquecido como era não sentir dor. A dor fora sua única realidade por longos períodos, mais tempo do que ele conseguia calcular. Apertou o punho enquanto poder bruto percorria seus músculos. Sentiu-se invencível.
Ainda assim, fez uma careta.
(’Meu cérebro... Minha mente... Este corpo é demais para eles como estão agora.’) Ele fez uma expressão de dor enquanto flashes de agonia percorriam sua cabeça.
Esta dor não era do procedimento de evolução, era a dor de seu cérebro se esforçando ao máximo.
O cérebro humano tinha limites para a quantidade de informação que podia receber de uma vez só pelos sentidos. Normalmente, o corpo humano não excedia o limite, portanto o cérebro nunca era sobrecarregado. No entanto, devido ao sistema nervoso evoluído e aos órgãos sensoriais evoluídos, o influxo de informações que seu cérebro estava recebendo havia aumentado tremendamente, além de seus limites normais.
Isso era o que estava causando sua dor momentânea.
Essa era a razão pela qual era impossível para humanos normais simplesmente evitar a evolução cerebral. Não era possível evoluir o resto do corpo sem evoluir o cérebro. O cérebro seria rapidamente sobrecarregado.
Na verdade, Rui tinha certeza de que, se ele não fosse um Aprendiz Marcial ou um homem reencarnado, seu cérebro já teria começado a sofrer convulsões e derrames devido ao influxo avassalador de informações.
Assim que tentou explorar as novas sensações de seu novo corpo, o mundo desapareceu mais uma vez.
Ele não conseguia sentir nada.
Tudo o que havia era um vazio infinito.
Logo, até mesmo aquele vazio foi varrido quando ele chegou a um lugar familiar.
(’Estas são minhas memórias...’) Ele olhou ao redor enquanto visões estranhas de memórias de duas vidas piscavam diante de seus olhos. Ele se lembrou de passar por algo semelhante no processo de implantação do Simbionte Espelho Mental.
Era pacífico e blissful, especialmente em comparação com o que ele havia passado antes.
Assim que estava começando a esquecer que esta parte do procedimento era supostamente a mais difícil, ele foi lembrado disso.
O mundo dentro de sua mente tremeu. Uma força estranha o atingiu, fazendo-o tremer.
Ainda assim, não havia terminado.
Ele assistiu horrorizado enquanto suas memórias começavam a se desintegrar aos poucos. Quebrando-se em pedaços enquanto eram destruídas por uma força externa misteriosa.
Uma onda de destruição se espalhou por seu mundo mental, destruindo tudo ao seu alcance. Ele assistiu impotente enquanto as incontáveis memórias e experiências que ele havia forjado ao longo de duas vidas começavam a se desfazer em pó.
(’NÃO!’) Seus olhos se arregalaram enquanto ele assistia seu Palácio Mental se desmoronar ao longe. Ele se manteve forte inicialmente, resistindo à destruição. O Palácio Mental era uma técnica que havia sido aprimorada pelo cérebro Espelho Mental, dando-lhe maior resistência.
No entanto, diante da descoberta evolutiva, ele acabou se desintegrando também.
Tudo se desfez.
Muito se havia desfeito.
Sua angústia foi substituída por confusão enquanto suas memórias se dispersavam.
(’Quem... sou eu?’) Ele se perguntou, inseguro. Ele não sabia mais nada. Nada de quem ele era, onde e quando estava, ou por que e como estava.
Ele olhou ao redor. (’Tudo... se foi.’)
A onda de destruição havia se espalhado por toda a sua mente.
De repente, seus olhos captaram algo ao longe. Algo que estava resistindo à destruição. Ele se mantinha forte. Ondas de destruição se chocavam contra ele repetidamente, mas ele permanecia imperturbável. Era a única coisa até agora que havia sobrevivido com sucesso ao ataque de destruição.
(’O que... é isso?’)
Era um caminho.
Para seu choque, era um caminho em que ele estava.
Ele se estendia muito além das profundezas de sua percepção. Um caminho que se elevava em direção aos céus acima, crescendo em altura quanto mais se estendia.
Era um caminho em que ninguém mais estava.
Era um caminho calamitoso que serpenteava por todos os tipos de desastres e perigos.
Feroces bestas de vários formatos e tamanhos.
Terremotos.
Vulcões.
Tsunamis.
Meteoritos.
Era um caminho aterrador.
Mas tão aterrorizante quanto era, era ainda mais belo.
Inspirava medo.
Mas também inspirava admiração.
O caminho o chamou. O embalou. Sussurrou para ele.
Era um caminho que ele queria percorrer.
As ondas de destruição se chocaram inofensivamente contra o caminho, incapazes de fazer sequer uma pequena marca nele.
Ele protegeu Rui da destruição, era a única razão pela qual ele, sua consciência, não havia sido aniquilado pelas ondas de destruição.
Ele havia perdido quase todas as suas memórias. Ele estava cercado por medo, angústia e confusão.
Mas apesar de tudo, uma epifania trovejou em sua mente.
(’Este... é meu Caminho Marcial...’) Ele percebeu.
Era a interpretação de sua consciência sobre isso. Um caminho belo que ele desejava, mas cheio de perigo e risco.
Naquele momento, a onda de destruição recuou.
Para sua surpresa, as memórias fragmentadas se recompuseram, uma a uma. A cada passo que a onda recuava, uma memória era restaurada.
Seus olhos se arregalaram enquanto ele recuperava os menores fragmentos de suas memórias a cada momento.
(’John Falken... Rui Quarrier...’) Ele se lembrou.
O reconhecimento amanhecia a cada momento.
Foi somente depois do que pareceu uma eternidade que a onda de destruição havia recuado completamente. Tudo havia voltado ao que era antes.
(’Não... Isso não está exatamente certo.’) Ele percebeu. (’Está... mais forte. Maior. Mais amplo.’)
Sua mente havia se tornado mais resistente. Quase como se o que não o matasse o tornasse mais forte.
(’Será que tudo isso foi a interpretação de minha mente subconsciente do processo de evolução para o Reino Escudeiro?’) Ele se perguntou.
Se esse fosse o caso, então isso só poderia significar uma coisa.
Ele abriu os olhos ao recuperar seus sentidos físicos.
Energia bruta percorria suas veias. Poder bruto transbordava em seus músculos. Uma quantidade sobrenatural de consciência e clareza consumiu sua mente.
Ele nem precisava dos médicos para verificar.
Ele sabia no fundo do seu coração.
Ele havia ascendido a um Reino de poder superior.