
Volume 2 - Capítulo 110
The Martial Unity
“Um guarda-costas?” Um jovem lançou um olhar zombeteiro e cético para o adolescente de cabelo e olhos incomuns, antes de voltar sua atenção para o homem magro e frágil à sua frente.
“Haha, você estava tão apavorado que contratou um garoto mais novo que você como guarda-costas?!” Uma voz rouca cuspiu com desprezo, provocando uma série de risadas.
Seis jovens adultos cercavam um homem de aparência frágil e o garoto atrás dele em um local remoto de um bairro periférico de Hajin.
“Miguel, eu não achava possível, mas você ficou ainda mais patético, seu fracote.” Um dos homens se virou para o garoto. “Corre pra casa, seu neném.”
Rui suspirou, virando-se para Miguel. “Viu? É por isso que te disse que usar meu uniforme era uma boa ideia.”
Os seis homens que estavam provocando Miguel não acharam graça. “Hm? Você não me ouviu?” Um deles se impôs sobre o adolescente, tentando intimidá-lo. “Eu disse que ia…”
“Vou te dar uma chance.” Rui o interrompeu. “Saiam agora e vocês não se machucarão.”
O homem suspirou dramaticamente. “Crianças de hoje em dia acham que são a última bolacha do pacote.” Ele esticou as mãos para empurrar o garoto.
*THUD*
Antes que o homem percebesse, ele estava de costas no chão.
“Que porra foi essa?!” Os outros se aproximaram de Miguel e Rui. Rui avançou com naturalidade enquanto Miguel tropeçava para trás.
*THWACK*
*BAM*
*POW*
*THUD*
Em cinco minutos, Rui tinha surrado todos eles repetidamente, infligindo muita dor sem causar danos permanentes.
Danos permanentes significativos, isso sim.
“Por favor, para!” Um dos homens, com o rosto mais inchado que uma melancia, conseguiu dizer.
“Vocês, idiotas, não entendem.” Rui se aproximou dele, agachando-se para olhar diretamente em seus olhos. “Não importa quantos vocês sejam. Se eu pegar vocês sequer mexendo num fio de cabelo de Miguel, eu deixo as pernas intactas, mas quebro o que está entre elas, entendido?” Ele lançou um olhar furioso.
O homem tremeu sob a pressão mental passiva e a intimidação de um Aprendiz Marcial. Ele acenou com a cabeça vigorosamente enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
“Bom.” Rui se levantou e foi até Miguel. “Vamos continuar. Já perdemos tempo demais.”
Eles caminharam lado a lado em silêncio, até que Miguel quebrou o silêncio nervosamente.
“Sabe…” Sua voz sumiu enquanto ele coçava a cabeça sem jeito. “Eu te invejo. Você os derrubou tão rápido. Uma parte de mim estava com medo, mas outra parte queria poder fazer isso. Talvez assim eles parassem de me implicar.”
Rui não sabia o que dizer, ele nunca foi bom com discursos motivacionais.
“Você me lisonjeia.” Disse Rui.
“Não, não. Estou sendo sincero. Você é tão jovem e já é um artista marcial.” Ele insistiu. “Comparado a você, me sinto inútil.”
“Você deveria ter mais orgulho de si mesmo.” Rui afirmou. “Ser aceito no Instituto Kandriano de Ciências, com mérito ainda por cima, é uma conquista extraordinária. Não se preocupe com esses insignificantes. Assim que o semestre letivo do Instituto Kandriano começar amanhã, você vai se mudar para o dormitório fornecido pela Academia, longe desses idiotas que perdem o tempo deles e dos outros atormentando pessoas mais fracas para inflar o ego. Você vai estar cercado por colegas com a mesma mentalidade e poderá se dedicar à ciência sem obstáculos.”
Miguel era filho de um rico proprietário, que vivia independentemente há um ano, fazendo o vestibular enquanto se preparava para o novo semestre letivo. Recentemente, ele havia se tornado vítima de um grupo local de arruaceiros que o importunavam ao descobrirem que ele era rico; o bullying havia ficado tão ruim que Miguel decidiu contratar um Aprendiz Marcial como guarda-costas. Só agora ele percebeu o quão sábia havia sido sua escolha.
Miguel assentiu, rindo sem jeito. “Você é quatro anos mais novo que eu, mas não parece que estou falando com uma criança.”
Rui deu de ombros em silêncio, sem saber o que dizer. Não é que ele quisesse continuar a conversa com seu cliente. Ele havia aprendido da pior maneira que se envolver emocionalmente com seus clientes e alvos poderia levar a resultados desastrosos. No fim das contas, este era um trabalho que pagava as contas e as técnicas.
Ele não queria se envolver com cada cliente. Desligar suas emoções até certo ponto da missão o faria bem e o permitiria permanecer objetivo.
Ainda assim, ele conseguia se identificar bastante com a situação de Miguel. Devido à sua asma, ele não conseguia ter muitos amigos. Quando estava no ensino médio, ele já havia se tornado um solitário socialmente desajeitado, embora inteligente. O tipo de garoto que os meninos e as meninas chamariam de “bobo” ou “nerd”. Isso, é claro, levou ao bullying. Só que Rui não podia contratar um Aprendiz Marcial como guarda-costas na Terra.
O resto do caminho de volta para casa foi tranquilo e silencioso. Aquele dia foi o último dia da missão e Rui estava praticamente pronto. Era assim que uma missão de grau um era, Rui havia aprendido. Só agora, com uma referência, ele percebeu o quão ridiculamente subavaliada foi sua primeira missão.
Missões de grau um eram como passeios no parque, mas pagavam menos que sua primeira missão. Bella havia aumentado a recompensa de bônus para garantir que a missão fosse escolhida mais rápido.
Rui tinha que admitir, Kane estava certo. Mesmo que fossem insignificantes em comparação com sua primeira missão, completar missões como essas e ganhar a gratidão de um cliente vivo valia a pena.
Depois do desespero e da dor que ele viu no rosto de seu primeiro cliente, essas missões eram como uma poção curativa suave, curando lentamente sua ferida.
Amanhã seria a missão da festa da equipe, ele havia tido paz suficiente na semana passada para mergulhar em sua segunda missão de alto grau.